Publicado em 09/03/2011

Na Líbia, Kadafi mais um ditador prestes a cair

A revolução Árabe continua a colocar mais trabalhadores nas ruas.

A Líbia, país onde as mobilizações já duram 19 dias, a luta se tornou a mais radicalizada encontradas em todos os processos revolucionário que varrem o norte da África e Oriente Médio.

Governado por Muamar Kafafi, no poder a 42 anos, o país vive a mais extraordinária demonstração de organização dos trabalhadores.

Se por um lado Kadafi, intervem na luta com a mais dura repressão (mortos são estimados em 3 mil), utilizando inclusive bombardeiros sob as manifestações; os trabalhadores, por sua vez ,respondem à altura aos ataques.  Desde o início das passeatas de ruas contra o regime utilizaram sua organização para destruir as instituições do estado.

No dia 21 de fevereiro as manifestações chegaram a cidade de Trípoli - capital do país - atearam fogo no Congresso Geral do Povo e no Ministério da Justiça, correias de transmissão do poder de Kadafi; invadiram delegacias e quartéis; prédios estatais, empresas privadas foram invadidas e colocadas sob o domínio dos opositores.

A repressão de estado é tão violenta que fez com que Kadafi perdesse rapidamente o apoio de seus embaixadores que se declararam a favor das manifestações. O ditado perdeu o controle sob as Forças Armadas, para continuar a repressão o ditador tem se utilizado de mercenários contratados de países vizinhos para combaterem as milícias opositoras.

A violência revolucionária para avançar com as conquistas da classe trabalhadora

Organizações dos trabalhadores se espalharam pelo país inteiro, fazendo com que a característica clássica das revoluções proletárias - os organismos de duplo poder - comecem a dirigir grande parte do país, inclusive em algumas das principais cidades do país como a capital Trípoli, Ras Lanuf, próxima a Benghazi, cidades exportadoras do petróleo e gás natural, produtos mais importantes da Líbia.

Se a revolução na Tunísia e no Egito mostrou que só é possível resolver os problemas de sociedades inteiras derrubando o principal agente da burguesia, o governo de plantão, no caso Ben Ali (Tunísia) e Mubarak (Egito); as mobilizações na Líbia mostram que para a luta ir às últimas conseqüências é necessário o armamento dos trabalhadores para avançar as conquistas da classe.  

Assim uma das mais extraordinárias demonstrações da violência revolucionária de toda a história pode ser observada nas cidades tomadas pelos opositores à Kadafi.

Os trabalhadores se apoderaram de grande parte do armamento do exército, inclusive armamentos pesados, e como grande parte do exército está do lado dos trabalhadores, contra p ditador, e a luta contra o governo tomou traços de guerra civil, os trabalhadores estão recebendo instruções militares para combater os aliados do regime.

Uma revolução democrática prestes a se tornar vitoriosa

Essa revolução é mais uma capítulo das revoluções que estão varrendo velhos ditadores do poder.

Assim como as revoluções na Tunísia e Egito, a revolução Líbia também é uma revolução socialista por suas tarefas históricas, ou seja, as mobilizações não são somente por reivindicações democráticas, como eleições e direito de organização sindical, mas sim reivindicações que só poderão ser conquistadas com a derrubada do capitalismo. Assim o grande impulsionador das mobilizações são basicamente as condições de vida insustentáveis da classe trabalhadora, que estava inserida em uma realidade de desemprego (na Líbia o índice é de 30%) e miséria.

Porém assim como os demais processos revolucionários - revoluções democráticas vitoriosas, já que arrancaram da burguesia concessões democráticas – caso os trabalhadores não avancem na consolidações de suas organizações, e que se proponham, a partir delas, a governar, a burguesia dará sua resposta para consolidar um regime democrático burguês.

Porém na Líbia o avanço das organizações dos trabalhadores tomou proporções inimagináveis. Ao que tudo indica é uma questão de tempo para que Kadafi caia e seja mais um ditador derrotado pela insurreição dos trabalhadores.

Os trabalhadores que já governam diretamente várias cidades, e constituíram um verdadeiro exército, assim a burguesia terá mais dificuldade em impor sua forma de governar no país após a queda do ditador. O que coloca no horizonte avanços para a luta dos trabalhadores na Líbia e um exemplo a ser seguido no restante do mundo inteiro.

 

- Derrubar o Kadafi!

- Fora o Imperialismo, o maior inimigo da classe trabalhadora!

- Avançar no armamento do proletariado para a conquista do poder.

- Dinheiro, armas, medicamentos, mantimentos para os trabalhadores em luta.

 

 

 

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