Revolução Árabe continua! Governos e imperialismo contra a parede a 2 meses
Os protestos no Oriente Médio e norte da África entram já em seu segundo mês. A primeira manifestação data o dia 17 de dezembro, quando Mohamed Bouazizi, um jovem tunisiano ateou fogo no próprio corpo, por ter sido impedido pelo governo vender frutas e verduras na cidade de Sidi Bouzid. As manifestações iniciaram no dia seguinte.
A revolta árabe se demonstra longe da estagnação. A cada dia as manifestações se fortalecem e chegam a países onde não haviam notícias de mobilizações a vários anos.
A conjuntura se demonstra favorável para a continuação das mobilizações já que a inflação, principalmente dos preços dos alimentos, não demonstra sinal de melhorias, inclusive batendo recordes de preços mês a mês.
Recentemente trabalhadores de outros países inspirados pela revolução ocorrida na Tunísia e Egito, saem às ruas.
Os trabalhadores de Mauritânia, Argélia, Jordânia, Iêmen, Omã, começaram sua luta assim que Ben Ali, o ex-ditador tunisiano, caiu, e continuam sua luta. Nessas últimas semanas somaram-se a esses países Irã, Iraque, Líbia e Bahrein, que iniciam sua luta contra seus ditadores.
No Irã, trabalhadores saíram às ruas contra o governo de Ahmadinejad, a exemplo do que ocorreu no período pós-eleições, caracterizadas por inúmeras fraudes. A repressão foi severa para dispersas os manifestantes. O governo, em resposta, declarou à partir do parlamento, composto exclusivamente por apoiadores de Ahmadinejad, que Mussavi e Kerubi, ex-parlamentares e líderes da oposição, deveriam ser mortos por traição.
A Massa derrotando os aliados do imperialismo
As mobilizações continuam a tirar o sono dos aliados do imperialismo da região. Após a derrubata de Mubarak, ditador do Egito, o príncipe do Bahrein, Salman ben Hamad Al-Khalifa, é alvo das mobilizações da população. Além das reclamações comuns a todas outras manifestações ocorridas na região, como o aumento dos preços, desemprego, democracia, etc.; no Bahrein a família real é sunita, enquanto a maioria da população é composta por xiita, fazendo com que a população denuncie a discriminação étnica que o governo prega.
O Bahrein, centro regional financeiro, é um importante aliado norte-americanos. O país cedia a quinta maior frota naval dos EUA. Por isso a repressão contra as manifestações têm sido severas.
O exército do país tem reprimido duramente as mobilizações, e expulsado os manifestantes do centro da capital do pequeno país. Nos confrontos ocorridos, estima-se que 231 pessoas ficaram feridas e pelo menos 3 foram mortas. As prisões estão ocorrendo de forma arbitrária e 60 pessoas já estão desaparecidas.
No Iêmen, as manifestações continuam com força obrigando o ditador a usar da repressão para tentar coibir os trabalhadores de saírem às ruas.
A população se manifestou na cidade portuária de Áden (sul), onde manifestantes contra o governo se confrontaram com manifestantes pró-governo, a exemplo do que Mubarak fizera utilizando policiais à paisana. O confronto resultou em 4 mortes e 57 feridos.
As manifestações no país já conseguiram parcialmente arrancar uma pequena concessão, similar ao que ocorrera na Tunísia, Ali Abdullah Saleh, o ditador do país, já se pronunciou dizendo que não concorrerá ao cargo de “presidente” em 2013, numa tentativa de conter as manifestações. Mas se ocorrer o mesmo que no país já citado, essa concessão só servira para aumentar ainda mais o ímpeto de luta.
Saleh é mais um dos aliados diretos do imperialismo, no poder a 32 anos. É comprometido com a luta “anti-terrorista” do imperialismo.
Tudo se encaminha para o acirramento desta luta. Mais governos devem cair, enfraquecendo ainda mais a burguesia de cada um desses países e principalmente o imperialismo. Resta saber qual o próximo ditador a ser derrubado pela massa.
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