Publicado em 14/02/2011

Revolução democrática vitoriosa no Egito! Trabalhadores devem derrotar exército e tomar o poder.

Depois de 18 dias, os trabalhadores derrubaram Hosni Mubarak e seu recém nomeado vice-presidente, Suleiman. Forçaram a dissolução do Congresso e da Constituição ditatorial e capitalista que existia no Egito, sustentáculo do regime de Mubarak.

O poder antigo foi deposto, impedindo a solução de apenas “reformar” a Constituição, ou permitir um governo Mubarak ou Suleiman com pequenas mudanças democráticas e econômicas, como o aumento de 15% nos salários dos servidores públicos, definido pouco antes da renúncia forçada de Mubarak.

O governo que matou 300 manifestantes e já teve mais de 30 mil presos políticos; que levou os trabalhadores à inflação, pobreza e desemprego; e que era um pilar de sustentação de Israel e dos EUA na região; veio abaixo. A revolução foi tão intensa, que arrastou tudo com ela, e, assim como na Tunísia, obrigou o ex-ditador a fugir, imitando Ben-Ali.

Os bens de Mubarak estão congelados e só falta que se decrete sua prisão para o processo repetir os acontecimentos na Tunísia. O anúncio da queda do ditador contagiou os manifestantes, que gritaram "O Egito está livre!". Manifestações de alegria, cânticos e o agitar de bandeiras são as notas predominantes na praça Tahrir. Em toda a capital egípcia era possível ouvir carros buzinando em celebração após a renúncia.

Uma autêntica revolução! Popular, operária, estudantil, de massas. Que se baseou no método da luta insurrecional, com os trabalhadores em greve, nas ruas, num movimento cujo prejuízo aos capitalistas foi calculado em bilhões de dólares. Uma revolução com bandeiras democráticas, econômicas. Mas fundamentalmente políticas, contra o governo, as instituições e o regime como um todo.

Uma revolução socialista por seu conteúdo, ainda que sem uma direção organizada neste sentido. Por isso, uma revolução “inconsciente”, limitada e confusa, como a de fevereiro de 1917 na Rússia, que derrubou o czar e o regime antigo, mas não foi capaz de colocar os trabalhadores no poder - o que só veio a ocorrer 8 meses depois - sob a liderança dos bolcheviques.

Esta é a encruzilhada da revolução egípcia. A mesma da revolução tunisiana. As populações desses dois países protagonizaram acontecimentos históricos. Realizaram revoluções vitoriosas, o que nem sempre é possível, mesmo com multidões nas ruas. Mas estas revoluções hoje são vitoriosas a nível de regime, colocando abaixo as figuras dos ditadores, seus partidos, suas leis e seu aparato de poder. Mas ainda não puderam derrubar o que sustenta isso tudo: a propriedade privada nas mãos de grupos nacionais e estrangeiros, que criaram Ben Ali e Mubarak e os sustentaram até o momento.

É preciso que a revolução, coincidentemente também em fevereiro, do Egito, assim como na Tunísia, encontre sua continuidade; o seu outubro, como houve na Rússia de 1917. Para isso, as massas não podem abandonar as ruas. Neste momento, o inimigo principal é o exército e sua tentativa de abortar as mudanças no país, no anunciado plano de ficar no governo mais 6 meses, e preparar uma nova constituição e eleições de acordo apenas com seus interesses.

 

 

 

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