Revolução na Líbia provoca crise interburguesa. Dilma e Chávez são inimigos dos trabalhadores.
Após os primeiros dias da revolução na Líbia, os manifestantes assumiram o controle de várias cidades mesmo após centenas de mortos e do início de uma guerra civil. Benghazi (a segunda maior cidade líbia) e Syrta, ambas no leste do país, "caíram" nas mãos dos manifestantes e militares se uniram ao movimento.
Até mesmo Saif al-Islam, filho de Kadhafi, reconheceu em um discurso feito durante a madrugada que em Benghazi "os tanques se deslocam conduzidos por civis" e que em Al-Baida (leste) "as pessoas têm fuzis e depósitos de munições foram saqueados".
Policiais de Zauia (60 km ao oeste de Trípoli) desertaram e a cidade entrou em colapso, assim como muitas outras.
Como produto da revolução em curso, inúmeros setores do próprio governo abandonaram o ditador Kadafi, entre eles o ministro da Justiça, Mustafah Abdel Yalil, que pretende assumir o controle da oposição burguesa, hoje praticamente inexistente, diante de um quadro em que soviets (conselhos populares) controlam as cidades libertadas e em que os trabalhadores dominam poços de petróleo, estradas, administrações, armas, etc.
Antes de Yalil, três diplomatas líbios no exterior já haviam renunciado: o embaixador na Índia, Ali al-Isawi, um diplomata credenciado na China, Hussein Sadiq al-Musrati, e o representante de Trípoli na Liga Árabe, Abdel Moneim al Honi.
Al-Issawi, inclusive, afirmou que mercenários estrangeiros foram mobilizados para atuar contra cidadãos líbios, o que depois veio a ser confirmado por fontes de vários jornais e setores sociais. Al-Honi, por sua vez, disse a jornalistas, no Cairo, que está se unindo à “revolta popular”.
Além de perder integrantes do governo, Kadafi também viu a pressão por sua renúncia chegar às ruas de Trípoli, capital do país. E, diante do desmoronamento institucional do governo Kadafi e da escalada de repressão e carnificina contra a população, até mesmo governos imperialistas simulam revolta contra o banho de sangue.
O governo britânico chamou o embaixador líbio em Londres para uma reunião com o objetivo de expressar "a absoluta condenação" do uso de força contra manifestantes, e o presidente da França, Sarkozy, rompeu relações com a Líbia e reconheceu o governo opositor instalado em Benghazi.
Estas declarações são completamente hipócritas e significam muito pouco de concreto. A União Europeia, por exemplo, se recusou até mesmo a decretar a Líbia como zona de exclusão aérea, o que significaria proibir o uso da aviação militar de Kadafi contra os civis nos locais libertados. No entanto, apesar de limitadas e pouco práticas, as declarações anti-Kadafi dos países capitalistas não são qualquer coisa. Elas foram obtidas em função da indignação dos trabalhadores desses países com o massacre e são resultado de uma pressão internacional. Esses governos estão sendo obrigados a declarar sua aversão a Kadafi e, bem ou mal, com estes gestos enfraquecem sua ditadura.
Enquanto isso, os governos de Frente Popular, que se dizem de esquerda e defensores dos movimentos sociais, são absolutamente inimigos dos revolucionários líbios. Hugo Chávez, da Venezuela, chegou a cogitar abrigar Kadafi, seu amigo sanguinário, e, agora, propõe uma negociação que salve sua pele e o mantenha no governo, enquanto o mundo todo exige sua deposição.
Dilma, no Brasil, vai pelo mesmo caminho. Mantendo a linha de Lula, que tratava Kadafi como grande aliado, Dilma até agora teve um comportamento criminoso, omisso e pró-Kadafi e seu massacre, à medida que nem rompeu com seu governo, nem reconheceu os revolucionários, nem sequer protestou ao embaixador líbio no Brasil.
Os revolucionários e trabalhadores em geral devem pressionar por armas, dinheiro e medicamentos para a resistência líbia, além de tentar construir brigadas internacionais para lutar.
Em que cada país, porém, tão importante quanto o apoio direto à revolução, é ajudar a desarmar e tirar dinheiro dos assassinos de Kadafi, o que vai ocorrer se os países romperem relações diplomáticas e comerciais com a Líbia de Kadafi. Dilma, ao não fazer isso, também é responsável pelas balas contra a população. O movimento sindical, popular e estudantil brasileiro deve exigir uma mudança de postura imediata!
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