Revolução triunfa na Líbia! Trípoli é tomada e população festeja
Mais um fato histórico aconteceu no mundo árabe. Depois dos trabalhadores incendiarem o Norte da África e Oriente Médio com revoluções populares e proletárias contra seus governantes ditatoriais, e de derrubarem os governos na Tunísia, Egito e Iêmen, chegou a vez de Kadafi ser derrubado.
Na Líbia, os revolucionários que lutavam para derrubar Kadafi tomaram o principal ponto de apoio ao ditador, Trípoli, a capital da Líbia. Com armas nas mãos, a população tomou o quartel-general do ditador a assumir o controle da cidade.
Escondido e repudiado, Kadafi se resume a editar mensagens de áudio, uma delas simultânea à tomada de Trípoli, quando ainda dizia que era para seus apoiadores não pararem de lutar. Discursos patéticos e simbólicos de um assassino folclórico e megalomaníaco. Mas o sacrifício que ele exige da população que tanto foi massacrada por seu governo (de sair às ruas e lutar até a morte), ele mesmo não cumpriu. Além de se esconder, fugiu e, conforme relatos oficiais, tentou negociar sua rendição com a OTAN.
Trípoli está tomada, e os manifestantes, com fuzis na mão, dando tiros ao alto, comemoram a libertação do país. Diante da vitória parcial da revolução até agora, derrotando contra Kadafi, com as praças tomadas e estátuas de Kadafi sendo destruídas, o regime dá seus últimos suspiros, resistindo na cidade de Sirte e alguns poucos bairros de Trípoli, a partir de mercenários, e sem apoio nenhum da população.
A oposição, impulsionada pelos trabalhadores, mas sendo disputada e dirigida cada vez mais por setores burgueses, apoiados no imperialismo (que era grande apoiador de Kadafi, mas teve de se relocalizar, diante do avanço da revolução), hoje oferece US$ 1,7 milhão pela captura do ditador deposto, vivo ou morto.
Assim, com a iminência da destruição final do regime, a grande pergunta que fica é qual será o destino da Líbia após a queda de Kadafi.
O imperialismo já tenta cobrar o preço pela adesão tardia ao movimento rebelde, não apenas tentando consolidar seu projeto político, desviando a resolução de uma Líbia dos trabalhadores; como tentando assumir o petróleo e riquezas do país. O imperialismo, com a ajuda da direção do CNT, sediado até agora em Benghazi e proclamado como novo governo, tenta garantir a manutenção dos negócios das multinacionais e milionários no país, mantendo inclusive os contratos feitos por Kadafi e instaurando uma democracia burguesa de araque.
Outros países, alternam-se entre apoiar o novo governo em gestação, para tentar lucrar e participar da exploração do país; ou permanecer na reacionária posição de ainda reconhecer um governo que não existe mais e está escondido como rato, sem poder sair às ruas. É este último o caso do Brasil, índia, Rússia, China e África do Sul. Países que sempre escudaram Kadafi e hoje são a representação isolada da defesa do regime semi-fascista do ex-ditador.
Provavelmente, deve ser encerrado o embargo à Líbia e os bens bloqueados do governo devem ser liberados (dezenas de bilhões de dólares), até mesmo para manter a cooptação do CNT e lideranças rebeldes.
A OTAN, além da “ajuda” militar, já se coloca à disposição para reconstituir a “ordem” na Líbia, e liderar o processo de retomada da exploração, apenas com novos donos.
É nesse cenário que os trabalhadores, que estão armados e foram os que realmente derrubaram Kadafi, sacrificando milhares de vidas e sangrando todo o país, devem assumir o controle de sua terra.
Os revolucionários devem multiplicar e aprofundar as experiências de conselhos populares formados no lesle líbio no início da revolução, onde assembléias gerais da população decidiam, sob a democracia operária e direta, cada rumo a ser tomado.
É hora de fazer com que a Líbia seja um país dos trabalhadores, governado pelas instituições da classe operária, formando um governo operário, socialista e dos conselhos populares (soviets) líbios.
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