11 de fevereiro: Um dia que entrou para a história
Após 18 dias de intensas lutas, os trabalhadores egípcios derrubam o governo de Hosni Mubarak, no poder a 30 anos.
Na quinta-feira dia 10/02, havia uma grande expectativa de que a luta poderia chegar ao fim naquele mesmo dia, já que Mubarak, por meio de sua assessoria de imprensa, havia anunciado um pronunciamento para a noite. Os trabalhadores foram em massa para a praça Tahrir, o palco principal das batalhas desta revolução. Mas a expectativa cedeu lugar para a revolta, quando Mubarak havia terminado seu pronunciamento.
O pronunciamento do ditador pode ser sintetizado da seguinte forma: "delegar ao vice-presidente da república as prerrogativas do presidente da república, pela maneira fixada na Constituição"; o que significa não ceder nenhuma reivindicação das massas. Enquanto elogiava os jovens que foram linha de frente nas manifestações e serviram de exemplo para o restante do mundo árabe, se fingia de nacionalista ressaltando que não iria ceder à pressão internacional, em referência ao abandono de Obama a seu aliado.
Após o pronunciamento, o clima festivo, com os manifestantes tocando e cantando, foi trocado por uma revolta profunda. As palavras de ordem por “fora Mubarak!” começaram a ser gritadas com toda a irá dos manifestantes.
No dia seguinte, sexta-feira, dia sagrado para os mulçumanos, os manifestantes já estavam convocando a uma semana o dia dos mártires, uma grande concentração da população na praça Tahrir, com o intuito de homenagear aqueles que morreram durante o processo de luta. A intenção era fazer a maior manifestação constra o governo.
Mubarak percebeu, após sua declaração, que se tornara cada vez mais difícil conter as mobilizações e a era uma questão de tempo ate que as manifestações passassem a ser violentas.
Uma reunião do conselho militar do país foi convocada às pressas. Muitos boatos rondaram. A única informação oficial era a de que após a reunião do conselho seria feito um pronunciamento.
Em algunas horas depois foi divulgado que Mubarak havia saído do país e que o exército seria o condutor do período de transição.
A massa egípcia mobilizada festeja sua vitória!
Todo o processo de luta claramente se trata de uma revolução bem sucedida a nível de governo. Assim como na Tunísia ocorreu - o governo mudou – não por vias pacíficas e transitórias, mas sim com mobilizações radicais, exigindo a imediata renúncia do presidente. Esse processo ainda está aberto no Egito e pode se aprofundar, assim como se encontra aberto em diversos outros países do norte da áfrica e Oriente Médio, que agora recebem uma nova injeção de ânimo depois de Mubarak caiu.
A revolução foi parcialmente vitoriosa, já que arrancou algumas concessões, além da renuncia do presidente; o parlamento, constituído de 95% de apoiadores de Mubarak, foi destituído, assim como todo o governo.
Mas os trabalhadores têm muito ainda conquistar. Os proletários do país devem aprofundar ainda mais a influência das organizações que surgiram de todo esse processo de luta.
Os trabalhadores não podem depositar sua confiança no exército que governou conjuntamente com Mubarak durante seus 30 anos de poder, lembrando que Mubarak, surgiu da força-aérea e Suleiman, seu nomeado vice-presidente, foi chefe dos serviços secretos. O exército é uma instituição inteiramente burguesa, por isso os trabalhadores devem contar somente com os militares da base, estes não eram detentores de privilégios enquanto Mubak governava, ao contrário de todo alto escalão das forças armadas.
Uma vanguarda poderosa surgiu diante da necessidade de parar a produção em diversos setores da economia. Os trabalhadores em cada bairro se viram obrigados a se organizarem em milícias para fazer a sua própria segurança.
Ao que tudo indica, existem embriões de poder proletário, o que garante que as conquistas dos trabalhadores avancem para resolver os problemas apontados desde o início das mobilizações: o aumento do custo de vida, o desemprego, etc. Essas organizações, junto dos trabalhadores em luta, devem se propor a governar o país.
VOLTAR |