Revolucionários controlam meios de produção na Líbia e, junto de “Greve Geral” extraoficial podem estrangular regime de Kadafi
Importantes campos de petróleo no sul e no leste da Líbia já estão em mãos dos revolucionários, conforme relatam moradores e jornalistas que entram no país. Muamar Kadafi envia milhares de soldados e mercenários num contra-ataque aos levantes populares em cidades próximas à capital, Trípoli, e continua com o massacre à população, mas, ao mesmo tempo em que parece retomar terreno, seu poder econômico não vai durar para sempre.
A perda de alguns dos principais campos do país já compromete a exportação de gás e petróleo e se torna um fator a mais a sufocar o regime. Segundo o jornal britânico "The Guardian", todos os campos de petróleo do sul estão sob controle dos rebeldes, que teriam decidido cortar a exportação.
"A ordem era parar a fim de enviar uma mensagem a Kadafi para deter os assassinatos. Decidimos negar a ele o privilégio de exportar petróleo e gás à Europa", contou o engenheiro Moustafa Raba". O boicote impede a exportação de 80 mil barris por dia somente do campo de Dregga, onde trabalha Raba.
Os principais campos de petróleo do leste também estão em mãos rebeldes, incluindo o porto de Ras Lanuf, por onde o petróleo é exportado. Embora esta cidade esteja sendo recuperada por Kadafi neste momento, a produção ainda não pode ser recuperada.
Os campos de El Brega e gasodutos que vão do deserto até os portos também estão tomados. Os rebeldes estão protegendo os terminais de Ras Lanuf (em vias de ser retomado) e Marsa El Brega, temendo sabotagem.
Kadafi, com bens bloqueados, parte considerável dos meios de produção nas mãos dos revolucionários, impostos sem serem recolhidos em boa parte do país e, na prática, sofrendo uma greve geral em Trípoli e outros locais, onde ele mantém o controle, mas ninguém sai a trabalhar, está encurralado.
Ele, que já pediu que os pais desarmem seus filhos, afirmando que estão agindo sob o poder de alucinógenos e influenciados por Osama bin Laden, agora lança-se numa ofensiva desesperada para tentar retomar as regiões libertadas do país.
O governo ditatorial de Trípoli exige que os rebeldes entreguem as armas, mas também aposta em oferecer dinheiro em troca de informações que levem à prisão de líderes da revolta. A violência indiscriminada, através de milhares de mercenários se junta a promessas de concessões salariais e financeiras, mas até agora Kadafi não acabou com a revolução e o tempo corre muito mais contra ele do que contra a revolução.
Neste momento, passa a ser decisivo mobilizar todas as forças dos trabalhadores contra o regime líbio e sustentar com tudo a revolução líbia, que é o mais avançado processo da luta de classes árabe e mundial.
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