TODO APOIO À REVOLUÇÃO NO EGITO!
É preciso garantir a vitória dos trabalhadores e da população egípcia contra Mubarak, Suleiman e o acordo com a oposição burguesa!
Após 15 dias do início da revolução popular no Egito, o governo Mubarak já está zonzo. Agora, é preciso nocauteálo! Após a “Marcha de 1 milhão” no dia 1 de fevereiro, e de dezenas de milhares de manifestantes manterem protestos diários, que incluíram uma greve geral, não há mais dúvidas: há condições e é preciso fortalecer as lutas e a organização popular e operária para derrubar Hosni Mubarak e o regime que o sustenta.
Acuado, Mubarak deu posse a um novo gabinete governamental, excluindo seu filho Gamal (que tudo indicava que iria sucedê-lo) e seu ministro do Interior - encarregado das forças de segurança internas - Habib el-Adly, a quem se atribuiu a responsabilidade das mortes dos manifestantes.
Paralelo a isso, a oposição burguesa laica e muçulmana tentam um acordo com a bênção do imperialismo, para que a mudança não mude coisa alguma.
Enquanto a praça Tahrir, no centro do Cairo, segue cercada por tanques do Exército e continua o toque de recolher imposto pelo governo, assim como a violência generalizada que já matou 300 heróicos lutadores, a burguesia começa a achar alternativas.
ElBaradei, burguês “liberal”, ex-chefe da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) de um lado; Omar Suleiman (chefe de inteligência e braço direito de Mubarak, nomeado por ele como vice-presidente para tentar evitar sua queda) de outro; e a Irmandade Muçulmana (grupo islâmico de oposição, proibido até agora) são as 3 alternativas para manter um governo capitalista no Egito, com concessões ao povo (maiores ou menores) mas sem perder completamente o controle.
O imperialismo, em especial o governo Obama (atual inimigo número 1 das massas árabes por ser quem ais sustenta Mubarak), ainda tentam uma saída negociada que mantenha provisoriamente o próprio Mubarak, com Suleiman ganhando espaço e trocando alguns nomes mais odiados do governo por outros, com o objetivo de deixar tudo como está. Esta também é a exigência de Israel, que já treme de medo por sua existência, ao cogitar as massas da região livres de seus governos traidores.
Para apoiar esta saída, Mubarak, os EUA e Israel, através de seus serviços secretos, têm estimulado e pago bandidos mercenários e policiais disfarçados para provocar e causar tumulto nas manifestações.Mas as massas têm enfrentado com coragem estes grupos fascistas paramilitares.
Além do perigo da repressão militar e paramilitar, porém, os trabalhadores devem estar preparados para impedir um “golpe branco” dado por quem tenta ser a direção do processo: ElBaradei, ou a Irmandade Muçulmana.
Lutar juntos, mas enfentar com firmeza os oportunistas
Neste momento, parte da burguesia mundial já admite que será preciso um novo regime e governos no Egito, como está caminhando para ocorrer na Tunísia, embora a revolução lá também não tenha acabado e as massas sigam lutando contra o acordo burguês para interromper as mudanças no país.
Os setores que apostam num novo tipo de governo e regime egípcios percebem que lidam com uma revolução profunda e geral, e que é melhor não lutar contra o que não pode ser detido. Assim, seu plano é aproveitar-se da ausência de uma direção revolucionária e socialista na região, que realmente apontasse num caminho para dar emprego, salário, comida e condições de vida (pelo que as massas lutam).
Ao não haver uma direção com estas características, e que lutasse seriamente por estas reivindicações, o que exigiria lutar pela expropriação das fábricas, empresas e
terras do Egito, e outras medidas de caráter socialista, a burguesia implanta saídas como ElBaradei.
Mesmo a Irmandade Muçulmana, a quem se diz aliada do Irã, também entra como “última opção” neste projeto burguês, já que, mesmo indesejada e ameaçadora a Israel, também esta organização já de dispôs a “compor uma mesa para discutir apenas ‘reformas’ no Egito, dentro da Constituição”.
Neste momento, em que uma verdadeira revolução ocorre no Egito, de caráter popular e operária, massiva, e com um conteúdo socialista em suas reivindicações, ainda que inconsciente, pois não uma há direção neste sentido (uma “Revolução de Fevereiro”, como que derrubou o czar russo em 1917), a palavra-de-ordem é tomar o poder! É preciso construir, massificar e dar o poder aos organismos diretos dos trabalhadores. É preciso garantir a autodefesa dos atos e dos protestos, e passar à ofensiva contra o governo e suas instituições e propriedades.
Não há espaço para acordos ou conciliações no Egito. Uma revolução varre o país, o norte da África e poderia varrer o mundo se fosse vitoriosa aí. Neste momento, somos todos egípcios. A revolução no Egito e na Tunísia também é nossa.
Assim além da solidariedade internacional é preciso apoio ativo às revoluções, exigindo o fim das relações diplomáticas e comerciais de todo governo com as ditaduras árabes, além de discutir a colaboração com militantes, armas e dinheiro, como for possível.
Há mais Mubaraks e bem-Alis a derrotar, no Egito, na Tunísia e fora deles. Por isso, devemos apoiar e lutar por uma nova direção revolucionária nestes países, e lutar desde cada lugar do mundo, com atos, greves e manifestações, contra Mubarak, Suleiman e as alternativas burguesas no Egito. Por uma revolução popular vitoriosa. Viva o socialismo!
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