Publicado em 14/02/2011

A vitória do povo egípcio é a vitória da classe trabalhadora mundial.  O imperialismo soma mais uma derrota

O imperialismo começa 2011 somando derrotas. Após se surpreender com a notícia de que uma revolução destituiu um governo na Tunísia, agora a população no Egito repete o feito.

Mas apesar dos processos serem parecidos, para o imperialismo e o principal país imperialista, os EUA, a segunda revolução, a que derrubou Mubarak obrigará o capitalismo a rever todos seus peões no tabuleiro mundial.

        Mubarak era um dos principais aliados dos EUA na região. O governo norte-americano, mesmo se dizendo defensor da democracia como valor universal, mantinha uma ligação estreita com o ditador responsável por uma repressão sangrenta sobre a população. O país sendo que envia 1 bilhão e 500 milhões de dólares anualmente para o governo Mubarak e ainda mais 1 bilhão e 300 milhões para financiar o exército. Tudo para garantir o aliado em uma região estratégica para o imperialismo.

         O Egito Fica situado em uma região de extremo interesse para os norte-americanos. O país possui fronteiras com o principal aliado dos EUA, Israel, e com a Faixa de Gaza. Além disso, em seu território fica situado o canal de Suez, o principal ligação entre o mar Mediterrâneo e o Mar Negro, por onde é escoado todo o petróleo e gás natural produzido nos países do Oriente Médio ate a Europa.

Cada dia um discurso. Do apoio incondicional à inevitabilidade da queda

        Os EUA desde o início dos acontecimentos no Egito se viram obrigados a mudar o discurso diariamente. No princípio eram fervorosos defensores do ditador, somente fazendo críticas pontuais ao governo. Quando as manifestações foram crescendo, e por conseqüência, a repressão - resultando em mortes - a casa branca condenou a repressão, enquanto diziam que a ordem devia ser restabelecida no país. Ate que foram obrigados a admitir que a luta pelo fim do governo Mubarak era um progresso, e que a tarefa de democratizar o país é inevitável, mas sempre por dentro da institucionalidade.

        Enquanto a casa branca se pronuncia, seu serviço diplomático trabalha a todo o vapor para evitar que o processo revolucionário avance ainda mais.

Até a quinta-feira o governo norte-americano, assim como o próprio Mubarak, via a possibilidade de que as mobilizações fossem se enfraquecendo gradualmente. Até que ditador declarou que permaneceria no poder e iria ele próprio fazer a transição para a “democracia”. Mas a massa já não o tolerava nem mais um dia.

        O Conselho Supremo das Forças Armadas assumiu o poder contando com o apoio tanto da burguesia egípcia, quanto do imperialismo, para fazer a transição sem que seja ameaçado o poder dos ricos. Ao exército cabe esta tarefa, fazer com que as manifestações, o poder do povo e dos trabalhadores, vá gradualmente perdendo sua força, e cada vez mais a democracia burguesa se torne a única opção no novo regime que se desenha. 

Povos do mundo inteiro devem comemorar

        Os dois processos revolucionários, do Egito e da Tunísia, já nos permitem dizer que a dinâmica na luta de classes se acentua ainda mais. Nossa caracterização de que vivemos um período revolucionário a nível mundial, se confirma a cada vitória dos trabalhadores. O imperialismo esta contra a parede e soma derrotas.

        Com a queda de Mubarak a conjutura da região deve mudar. Israel, por exemplo, tende a ter dificuldades em continuar oprimindo o povo palestino. O governo recém deposto havia se comprometido a construir um muro subterrâneo na fronteira entre Egito e a Faixa de Gaza. O muro de 20 metros de profundidade e 14 km de comprimento seria construído para isolar o povo palestino em seu território e impossibilitar a entrada de produtos. Nesta região existem túneis subterrâneos onde alguns mantimentos e armamentos para a defesa dos palestinos podiam entrar no território.

        Mubark como se percebe era co-responsável pelo genocídio dos palestinos. Com a derrota de Hosni Mubarak a luta dos palestinos deve se fortalecer.

Os trabalhadores devem continuar mobilizados, fortalecendo suas organizações por local de trabalho e moradia. Caso contrário as conquistas obtidas ate agora podem ser minimizadas pelo exército e o aparato da burguesia.

Os trabalhadores egípcios estão mais conscientes do nunca de sua força. De que as mudanças se dão através da luta, nas ruas e não pelas urnas e instituições. Assim as organizações dos trabalhadores devem permanecer alerta e mobilizadas, avançando na construção dos organismos de classe, no rumo das verdadeiras soluções para os problemas vividos pela classe trabalhadora.

 

 

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