Unidade na luta, contra Dilma e os governistas!
O grande pano de fundo para as traições atuais por parte dos setores oportunistas é o discurso da Unidade. A classe trabalhadora sente a necessidade de se unir, logo, a unidade com todos, inclusive com o governo, sempre encontra base social para ser defendida.
Porém, longe dos sensos-comuns, da unidade como “bem maior” ou a qualquer custo, nós achamos que só existe um tipo de unidade que se pode fazer com o governismo: é a unidade na ação. Isso significa que se pode construir atos juntos, em torno de um eixo que mobilize e que seja do interesse dos trabalhadores. Até aí vai a nossa possibilidade de fazer algo em comum, mas, ainda assim, nesse ato hipotético, somos obrigados a colocar essas direções contra a parede e responsabilizá-las por cada ataque desferido contra os trabalhadores.
E não se pode fazer fetiche da unidade de ação, pois, diante de um governo que nos ataca em cada mínima batalha, nem mesmo a unidade de ação pode ser vislumbrada, na prática, em bancários, servidores públicos federais, estudantes universitários, etc., por exemplo. Não que em tese ela não fosse possível, mas porque é, de fato, irrealizável. Não descartamos, porém, a possibilidade de que existam pontos que justifiquem mobilizações em comum com os governistas, como numa greve, ou outros momentos que nãos os do dia-a-dia.
Isso é construir possibilidades baseado na necessidade concreta e levando em conta o próprio grau de consciência e mobilização dos trabalhadores, que já não é como há 8 anos atrás, em que só havia ilusões em Lula.
Quanto a chapas sindicais e estudantis e Frentes de luta, porém, que se caracterizam por serem organismos, com alguma regularidade e funcionamento continuado, com um programa mínimo, só é possível realizá-las contra o governo e os patrões, entre nossa classe, simplesmente porque não há como conciliar os interesses programáticos de duas classes antagônicas.
Por isso nós reafirmamos: é necessário pautar a atuação sindical nos marcos do classismo. Dentro da classe trabalhadora, existe diversidade de opiniões e estratégias, mas existe algo que é comum: o fato de serem trabalhadores e da vida material os opor aos burgueses e governos.
Acontece o mesmo com as organizações políticas. A CUT, a CTB e suas correntes hoje não são mais organizações dos trabalhadores: são ferramentas sustentadas e coordenadas pelo governo de Frente Popular, tão burguês quanto seria Serra ou foi FHC, ainda que com uma maquiagem diferente.
Não são puristas ou sectários aqueles que reivindicam o classismo. Frente Única apenas com quem pertence à classe trabalhadora, mesmo que não defenda por vezes o programa necessário à esta mesma classe trabalhadora, como a revolução e o socialismo, é uma decorrência natural da defesa das bandeiras de transformação social. Governo e governistas não podem se comprometer nem com esse mínimo, pois conservam e desfrutam do “status quo” capitalista.
Nós defendemos a mais ampla unidade dos trabalhadores, mas uma unidade para derrotar a CUT e os governistas dentro do movimento sindical.
Se existe o deslocamento de setores da CUT, de que fala a CONLUTAS, isso é expressão de um processo que ocorre na base das categorias, da pressão que obriga as direções pelegas a fingirem giros à esquerda. Assim, é essa base que tem que ser aproximada para um programa de ruptura com o capitalismo e com as direções traidoras. Seus dirigente não serão ganhos pois dependem desse governo; seus salários, suas riquezas e mordomias são obtidas por dentro do capitalismo.
Dessa forma, é necessário reafirmar que a CONLUTAS deve retomar a construção de chapas, plebiscitos e disputa para superar a burocracia dentro do movimento sindical. É necessário romper com a CUT e os governistas já!
Nós do Movimento Revolucionário construímos a CONLUTAS nas nossas bases, travando esse debate: que uma central necessária deve combater a CUT e não se aliar a ela como a CONLUTAS vem fazendo.
Construímos a Frente Nacional de Oposição, construída em encontro recente das oposições em bancários, que definiu ser uma frente que se pauta por esse debate, de ruptura com os fóruns da CUT, e já começa impulsionando um plebiscito de desfiliação do sindicato do Maranhão; construímos a Frente de Luta Quilombola no RS, que pauta a luta por titulações dos quilombos, bem como temas como a reforma urbana, a partir de um ponto de vista classista e de enfrentamento com o governo e os governistas; etc.
Nossas chapas sindicais, muitas vezes em composição com outros setores além do Movimento Revolucionário, mas sempre nos marcos da classe trabalhadora, sem governistas, se pautam por esse debate, e é assim que estamos diante do Sindicato dos Correios do RS, Bancários no RN, e construindo fortes oposições nestas e outras categorias.
Não entendemos que ganhar um grande número de sindicatos é o que define nossas vitórias ou derrotas, pois as vezes uma oposição forte e combativa é mais útil que um sindicato que é um saco de gatos e que não diz contra quem luta.
Mas ainda assim, mesmo que ganhar ou perder não seja o balanço único a ser feito pelos lutadores numa eleição sindical, pois se enfrentam direções com muito dinheiro, aparatos, fraudes, compra de votos, etc.; vimos tendo sucesso em nossa política também no terreno eleitoral, aumentando nossa influência sindical, no movimento popular e estudantil. Isso não é um mérito do Movimento Revolucionário: é somente a expressão de uma necessidade da classe trabalhadora.
O movimento sindical que defendemos que seja impulsionado não é nem deve ser como nossa organização acha que é o correto. As diferenças entre Noé existem e são naturais. O que não podemos é colocar a raposa para cuidar do galinheiro e permitir que tenhamos inimigos na trincheira. Os piores inimigos hoje em dia: os governistas; sindicalistas traidores disfarçados de representantes de nossa classe.
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