Publicado em 28/08/2011

Carta aberta do Movimento Revolucionário aos militantes do PSTU e da CSP Conlutas.

Passaram-se quatro anos da nossa expulsão do PSTU e formação do que hoje é o Movimento Revolucionário.

Durante este período, o conjunto da militância da Liga Internacional dos Trabalhadores - LIT, em especial no Brasil, sofreu um verdadeiro bombardeio de informações que colocavam o MR numa posição de seita, loucos, perigosos, mau caráteres, ultra-esquerdistas, sectários.

No início fomos acusados de ser uma fração secreta que queria destruir o partido e, depois, uma seção brasileira do PTS argentino!!? Já disseram também que temos referência e relações com o Partido da Causa Operária (PCO). Logo este partido, cutista, que sustenta o maior aparelho contra-revolucionário do Brasil – A Frente Popular (PT e CUT)-, e que ao mesmo tempo é uma das organizações mais sectárias da esquerda brasileira.

Realmente, a ruptura em 2007 não se deu apenas em função da tática eleitoral! O debate não foi apenas sobre se ter saído nas eleições com o PSOL de Heloísa Helena à frente foi ou não a constituição – não só a adesão - de uma Frente Popular, pelo programa que apresentou... Também não foi um problema só moral. Ao mesmo tempo em que um de nossos dirigentes era alvo de todo tipo de ofensas e agressões, ele teve o mérito histórico de colocar que naquele momento havia um problema político, e não apenas tático. Uma mudança de estratégia e até de princípio, que pudemos observar nos anos que se passaram.

Hoje, estamos diante de uma realidade mundial inédita. Certamente, mais da metade da geração que luta hoje nunca viu nada parecido na história. Tantas revoluções, insurreições, protestos de massa violentos, greves gerais...

No Brasil, contraditoriamente, existe uma situação mais controlada e moderada, e que a qualquer momento vai estourar, mas existe ainda um partido trotskysta grande (PSTU), com mais de mil militantes organizados, que poderia jogar um papel explosivo e decisivo na realidade brasileira. Essa responsabilidade não é fácil. Exige firmeza e disposição militante, bolchevique. É o momento de manter as flexibilidades táticas, mas endurecer no combate político à burocracia, à patronal e ao governo.

Temos certeza que dentro da atual conjuntura não é hora de fazer chapas sindicais com o governo, como vem ocorrendo em vários episódios, a exemplo da chapa com o Talibã (Secretário Geral da Fentect – ArtSind) no SINTECT- SP. Também não é o momento de votar contra a greve de correios no RS quando um setor considerável da base estava disposto a paralisar. Isso só traz desconfiança da base.

Não é o momento de voltar aos Fóruns da “CONTRAFICANTES”(termo criado pelo próprio PSTU quando impulsionou a ruptura com a Contraf e a construção do MNOB) nos bancários, nem disputar por dentro da CUT as greves e campanhas salariais das demais categorias. Essa orientação nacional significa se retirar da disputa da direção do movimento. Achamos que é o momento de dar um passo a mais.

Podemos sim fazer unidades e acordos em alguns casos com os governistas, mas mesmo nestes casos temos que agir contra, por fora e se enfrentando, principalmente nas greves, dissídios e disputas sindicais, que é quando a luta de classes impõe que seja assim. Essa é a tática morenista da unidade-enfrentamento, cada vez mais atual e necessária. Hoje, o movimento sindical é rachado de forma irreconciliável, pois a burguesia, através da Frente Popular, atua dentro do movimento sindical, estudantil e popular, inclusive, com a maioria esmagadora dos aparatos nas mãos.

Assim, a orientação máxima da CSP Conlutas não pode ser a de ficarem atentos aos deslocamentos da base governista. Tudo bem que podemos ter política para rachar os setores em crise para aderirem às posições revolucionárias. Mas esta tática e habilidade política, que exige paciência e combate ao sectarismo, não pode ser maior do que o enfrentamento aberto, permanente e até mesmo violento contra a burocracia sindical.

Notamos que muito se fala em independência dos governos, ou em alternativa aos pelegos. Mas isso é diferente do combate ao governo e aos pelegos. A independência não pode ser um chavão para panfletos e jornais.

Nesse momento, queremos propor aos companheiros que impulsionem a construção de uma paralisação nacional unificada, que comece a partir das entidades ligadas ou simpáticas à Conlutas, mas que avance para amplos setores em luta onde a base imponha essa tarefa. Fazer uma grande agitação nacional, além da Marcha de Brasília, que faça parar as grandes cidades e capitais do Brasil, ainda que sem a maioria numérica das entidades do movimento de massas participando.

É possível existirem ações comuns entre nossas organizações. Existem fortes divergências políticas, como as mencionadas acima, mas é possível construir outra forma de relação, com outro método: o do confronto de idéias e debate político, e não o das calúnias e sabotagens. Entendemos que os companheiros do PSTU são responsáveis pela relação mutuamente sectária entre as organizações MR e PSTU. Não falamos isso para dizer que não erramos. Mas sabemos que quem impõe a dinâmica de uma relação política é a força de maior peso, por sua responsabilidade e iniciativas maiores. De nossa expulsão até hoje, sempre acharam e disseram que seríamos uma seita ridícula. Mas agora tratam de perder tempo, polemizar, caluniar, patrolar e armar contra nossa organização.

Poderíamos aqui citar vários exemplos, como o sectarismo contra nossa organização ao final do Conclat, quando se instaurou uma crise pelo fracasso da fusão e chamaram todas as forças políticas para darem uma consideração e compor uma direção provisória. Nós, nesse episódio, nem direito a questão de ordem tivemos. Poderíamos citar todos os atos públicos que não nos deixaram ter o direito a palavra, e em tantos outros casos. Mas queremos concentrar num episódio onde somos alvos de uma campanha nacional do PSTU contra a nossa moral e contra uma posição honesta e anti- burocrática dos trabalhadores de Correios do Rio Grande do Sul.

No RS, agora os companheiros inventaram outra discussão moral, contra o conjunto do Movimento Revolucionário. Dizem que estamos traindo os princípios históricos da quarta internacional, do trotskysmo, pelo fato de que o SINTECT-RS entrou com uma ação na justiça burguesa cobrando valores que ficaram em aberto nas gestões

passadas, sendo que um dos casos diz respeito ao período em que o PSTU esteve no controle das finanças e secretaria geral do sindicato.

Não achamos nem acusamos os companheiros de roubo, pois nunca se provou nada. Por isso votamos, mesmo em minoria, contra a expulsão deles do sindicato. Mas o fato é que em mais de uma assembléia estadual, a categoria votou pela cobrança dos valores dos responsáveis. Por isso, o sindicato – não nosso partido - entrou na justiça. O que mais poderia decidir uma assembléia operária, senão cobrar judicialmente? Desistir de ter um retorno sobre o furo do caixa ou tomar o dinheiro na força... Achamos que a via judicial, ainda que com contradições, é a mais civilizada e tranqüila.

A proposta do PSTU é impraticável. Sustentam que em virtude do descontrole com as finanças por causa do apoio a inúmeras lutas e greves, não precisam devolver dinheiro. Como não se provou nada contra ninguém, a categoria não teria por que exigir de volta os valores em aberto.

Nós achamos que os companheiros devem assumir o ônus financeiro. O ônus político poderia nem ter existido, se isso tivesse sido resolvido lá atrás. A força política responsável, no mínimo, tem que assumir e tapar o rombo da entidade, a não ser que se aponte o problema concreto e se proponha outra coisa. Isso não é confissão de culpa. Pelo contrário, é a mais obvia demonstração da responsabilidade de direção do proletariado. O que não é possível é passar quatro anos sem ter explicação para a base e dizer simplesmente que não vai assumir nada. Isso é falta de respeito com a base e um grande sintoma de burocratização!

Não aceitamos que utilizem a ação para querer fazer campanha contra o MR, pois é uma forma stalinista de fazer política, dizendo que nossa força é responsável por uma ação que a base exige – corretamente -, faltando com a verdade dos fatos e ignorando a experiência da base com esses problemas financeiros no sindicato e a grande necessidade de resposta para os mesmos. Não se pode exigir que a base abra mão de cobrar esses valores. Os companheiros já deveriam ter resolvido isso. Ainda é possível!

Por fim, esperamos que apesar das divergências, ambas as organizações caminhem com uma relação superior. Sabemos que as críticas e divergências são sérias, de princípio, método, concepção. Mesmo assim, é necessário que existam as unidades pontuais e organismos de frente única, como a Conlutas.

A luta de classes vai mostrar os erros e acertos de cada partido. Vai tratar de aproximá-los ou dividi-los ainda mais. Entretanto, e necessário para a classe trabalhadora a unidade de quem é classista e de oposição à Frente Popular.

Propomos a campanha pela construção de um dia nacional de paralisação para setembro, a antecipação da greve de Correios para antes da votação da MP532 -que privatiza a ECT- no Senado e uma atuação paralela e por fora da CONTRAF em bancários, como exemplos de unidades possíveis e necessárias.

A Luta de classes caminha para sua polarização extrema, também no Brasil. A realidade exige outra postura e outra política. Essa vai seguir sendo a nossa principal crítica ao PSTU, mas seguiremos atuando no processo de reorganização por dentro da CSP Conlutas, fazendo o debate e as polêmicas de forma dura, e mesmo assim, podendo atuar em unidade. Chega de calúnias morais, mentiras e adjetivações abstratas em detrimento do debate político!

 

Agosto de 2011

Movimento Revolucionário

 

 

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