Por uma alternativa de luta da juventude combativa e anti-governista!
(Tese da juventude do MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO para o I Congresso da ANEL)
O cenário internacional é marcado, ano após ano, pelo aumento da resistência e dos levantes da classe trabalhadora, da juventude e dos povos oprimidos contra cada um dos planos da burguesia e dos governos do mundo inteiro. Esses planos expressam uma política conjunta do capital depois da quebradeira das economias, desde as instituições financeiras até os governos que gastaram montanhas de dinheiro para salvar banqueiros e, agora, tentam recuperar esse dinheiro através de corte de verba, redução e congelamento de salários e retirada de direitos sociais.
Além das greves gerais e mobilizações em países centrais do capitalismo, como França, Espanha, Grécia, Portugal, Itália e muitos outros, o epicentro da situação revolucionária internacional se encontra no norte da África. Tunísia, Egito, Líbia, Síria e vários outros países do mundo árabe são palcos de verdadeiras revoluções decorrentes do agravo da crise capitalista e da miséria social crescente. Essas revoluções, ainda que tragam um caráter democrático determinado pelo fato de as mobilizações levantarem centralmente a queda dos regimes ditatoriais e mudanças democráticas nos países, trazem um conteúdo socialista objetivo, em virtude das tarefas sociais e econômicas também levantadas – salário, emprego, fim da miséria, etc.; dos métodos e composição social das lutas, com ocupações, piquetes e greves gerais e, por fim, são socialista porque qualquer uma dessas reivindicações só pode ser conquistada com a destruição do capitalismo, não apenas com a mudança do regime político. Essa situação nos faz constatar que os processos revolucionários em curso no Egito, Tunísia, Líbia e Síria ainda estão abertos, longe de ter um desfecho. Portanto, não adianta caracterizarmos os perigos e as tendências desse processo e apenas assisti-los. É preciso constatar a necessidade e urgência de apoio aos revolucionários líbios e egípcios. Precisamos resgatar a tradição da esquerda combativa de formação de brigadas e destacamentos internacionalistas, onde ativistas e militantes de diversas partes do mundo se somam à revoluções em curso, pois são revoluções que podem determinar o desenvolvimento da luta de classes não só nesses países mas no mundo todo.
Na Líbia, a ditadura de Kadafi, apoiada pelo imperialismo nas últimas décadas, promoveu um banho de sangue e uma repressão muito forte contra o povo líbio. Os EUA e o imperialismo entraram em cena com a desculpa de impedir que Kadafi massacrasse os civis, supostamente em defesa dos rebeldes. Entretanto, fazem isso para tentar controlar politicamente o conflito e tentar conduzi-lo à implantação de um regime democrático-burguês e um governo fantoche de Washington no país. Devemos exigir a queda imediata do ditador Kadafi e a saída imediata do imperialismo da região. Os rebeldes não precisam da ajuda do imperialismo. Eles próprios precisam de mais armas e de militantes e combatentes para derrotar Kadafi e a própria presença e ameaça imperialista. As revoluções no norte da África produzem uma injeção de ânimo para os trabalhadores e as populações de todas as regiões do mundo, que já se expressa em mais mobilizações dos palestinos contra o Estado de Israel, podendo significar um avanço na correlação de forças e na resistência contra Israel e o imperialismo, bem como num avanço da situação revolucionária mundial de conjunto.
No Brasil, a economia mostra que é muito mais frágil e atrasada do que a propaganda do governo Dilma. A política de crédito fácil provocou o endividamento geral da população e o aumento do custo de vida. Por outro lado, o governo já botou em prática seu plano de cortes de verba (50 bi), entrega das estatais, destruição do serviço público e congelamento e arrocho salarial. As obras do PAC e da Copa expressam a política estratégica de Dilma, baseada na terceirização e privatização de todos os serviços e obras que são de responsabilidade do Estado. Ao mesmo tempo, revelam a política de precarização e superexploração da mão de obra, com regimes de semi-escravidão, como ocorreu em Jirau. A educação pública é parte desse mesmo contexto de corte de verba, desmonte e vendas de estatais como Correios, CEF, Infraero e Petrobrás, e destruição do sérvio público em geral, atingindo em cheio a educação pública e saúde. Por isso, a luta pelo acesso universal ao ensino superior e pelo fim do vestibular leva a um choque violento com todo o sistema capitalista e sua lógica de destruir a educação pública por um lado, e mercantilizar e privatizar o ensino, por outro.
É urgente o fortalecimento de uma ferramenta nacional que aglutine as reivindicações e as tarefas colocadas para a juventude brasileira. Nesta luta, temos diferenças da forma como hoje é conduzida a ANEL, que deve priorizar a ação direta e as mobilizações de rua diante da retirada de direitos dos trabalhadores e ausência de direitos dos estagiários (ambos problemas que afetam diretamente a juventude, com empregos precários); arrocho salarial; aumento do custo do transporte; na defesa do passe-livre; entre tantas outras demandas que temos, rumo à educação pública para todos.
Confiamos que a ANEL mostra o caminho correto, como alternativa de base e de luta, em oposição à UNE burocrática e governista. Mas entendemos também que é necessário um outro projeto e uma outra prática para que a ANEL realmente ocupe o papel de defesa dos interesses estudantis e da juventude em geral. Para isso, deve ter um perfil classista, estar sempre ao lado das greves e manifestações dos trabalhadores e denunciando o governo Dilma, o PT e PCdoB como responsáveis pelos ataques à juventude. Essa política deve levar a um embate frontal com entidades governistas, como a UNE e UBES, que já deixaram de ser entidades estudantis, independentes, e hoje são um verdadeiro braço do governo federal, comprometido política e financeiramente com aqueles que nos atacam diariamente. Por isso, devemos intensificar nosso chamado aos setores de luta que ainda existem dentro das velhas direções no sentido da ruptura com a UNE e UBES e construção da ANEL pela base e em cada luta e mobilização, se enfrentando e atropelando as velhas entidades, hoje governistas. Por isso, a ANEL deve ser a campeã de luta contra o governo Dilma e Frente Popular. A ANEL deve se construir junto aos setores mais atingidos pela exploração e opressão capitalista. Deve continuar na linha de frente da luta pela criminalização da homofobia e impulsionando a luta de todos os setores que sofrem com a opressão de gênero, raça e orientação sexual. Por isso, nos apresentamos como um grupo aberto, que se propõe a ser parte desta construção, e convidamos a juventude a fazer parte desta luta.
Grêmio do Colégio Júlio de Castilhos
Grêmio Livre – Carlos Drumonnd de Andrade
Grêmio Cônego de Nadal
Coletivo Quebrando Barreiras- UFRGS
Juventude do Movimento Revolucionário
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