Gol: lucro nas alturas e demissão de mais de mil!
A companhia aérea Gol, que acaba de adquirir a concorrente Webjet e assumir o posto de maior empresa aérea do Brasil, dependendo do mês em questão, mostra mais uma vez a que custo segue enriquecendo.
A empresa cortou 1100 vagas para reduzir custos, alegando que vai economizar R$ 45 milhões em 12 meses. Os milhares de atingidos pelas demissões, entre trabalhadores, familiares e empregos indiretos prejudicados pelo fim de 1100 vagas, pagaram o pato, mesmo que a Gol venha batendo recordes de lucro.
A maioria dos demitidos são aeroviários (funcionários que trabalham nos aeroportos) e o diretor financeiro da Gol, Leonardo Pereira, não se constrange em admitir que a superexploração vai crescer e quem ficou na empresa vai ter de trabalhar também pelos que saíram: “Vamos fazer a mesma coisa com menos gente“, disse.
Ao mesmo tempo, o lucro da Gol cresceu 362% neste mesmo período. 362%! A aérea registrou um lucro de R$ 110,5 milhões no primeiro trimestre; e as vendas aumentaram 9,6%, para R$ 1,9 bilhão. “A companhia bateu recorde de demanda em sua malha aérea total desde o início das operações e o melhor desempenho operacional desde 2005”, afirmou Constantino de Oliveira Junior, presidente da Gol, em um comunicado à imprensa. A taxa de ocupação foi recorde no mercado doméstico para o trimestre, de 73,5%. A Gol teve lucro operacional pelo décimo trimestre consecutivo e a produtividade da empresa também aumentou, com a
taxa de utilização de aeronaves acima de 13,3 horas/bloco diárias.
Isso tudo comprova que, mesmo lucrando muito e com os melhores resultados de sua história, as empresas capitalistas tem a obsessão de explorar, demitir e massacrar tudo que ainda puderem.
A Gol é conhecida pelo péssimo atendimento de bordo, folcloricamente conhecido pelas barrinhas de cereais distribuídas como refeição. Também é conhecida pelo trágico acidente em que morreram 154 pessoas em 2006 e pelas mortes ainda mais terríveis de líderes comunitários e pessoas que ousaram ser “problemas” à família Constantino, cujo patriarca é acusado de chefiar os pistoleiros responsáveis por estes assassinatos.
Agora, a Gol mostra mais uma vez a sua face, que é a face do “capitalismo dinâmico e bem-sucedido”, por trás da qual estão bilionários subsídios estatais, exploração de clientes e violência contra trabalhadores e funcionários.
É preciso lutar pela readmissão imediata dos demitidos da Gol, e pelo pagamento dos dias em que estiveram afastados. A luta maior, no entanto, deve ser para estatizar tanto a Gol, como o resto das empresas aéreas, estratégicas para o transporte de pessoas e cargas no país, e garantir segurança, preços acessíveis e condições decentes de trabalho àqueles que garantem os recordes de lucro, mas são jogados na rua sem mais nem menos na situação atual.
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