Depois da vitoriosa marcha do Fora Todos em agosto de 2005, as manchetes dos jornais sindicais e do PSTU (maior coluna da marcha) foram as seguintes: 30 mil em Brasília! Lula é constrangido dentro do palácio por milhares de manifestantes! Fora Todos e Fora Lula ganham espaço!
Desta vez, conforme o mesmo PSTU, 16 mil pessoas participaram, em 24/10, da Marcha Nacional em Defesa dos Direitos, em Brasília. Ao contrário de 2005, em que a marcha, bem maior, foi convocada praticamente apenas pela Conlutas, agora estavam juntas a Conlutas, Intersindical, Conlute, Pastorais Sociais, Cobap, grupos ligados à luta pela terra, setores da CUT e do PT (corrente DS) e PCdoB.
O número de participantes da marcha é expressivo, mas infelizmente bem inferior ao que a Conlutas vinha fazendo. Inicialmente se anunciava que a marcha contaria com a participação de pelo menos 30.000 pessoas, podendo chegar a 40.000.Esses números eram a conseqüência de uma avaliação de que a Conlutas antes reunia pouca gente, por não saber "dialogar com outros setores". Desta vez, seguindo a política do Novo PSTU e do PSOL, a lógica era de que, junto com os companheiros da Intersindical e os aliados da CUT, PT e PCdoB, a marcha seria muito maior. Mas isso não aconteceu: como nas eleições a presidente de 2006, se abriu mão de parte da política para ganhar números. E o resultado é que os números diminuíram.
A direção da CONLUTAS acreditava que com as alianças que fez conseguiria construir uma grande marcha, pois até parte do governo estava "na luta". Para garantir estes setores, valeu desde amenizar e suspender a critica a direções da CUT em lutas de categorias (DS em bancários do RS), até propor chapas comuns com setores cutistas e/ou governistas (como o PCdoB/CSC). Nessa busca pela "unidade" valeu até esconder o programa da CONLUTAS e assumir parte do da CUT, convocando a "marcha em defesa dos direitos", e não contra Lula e suas reformas. O PSOL foi ainda mais longe: em certo sentido fez da marcha uma continuidade da linha oportunista de "Fora Calheiros".
Dentro de todas as expectativas geradas pela direção majoritária da CONLUTAS o numero de 16.000 participantes é no mínimo triste. Mesmo depois de todas as concessões feitas em troca da tão idealizada "unidade" o resultado foi bem abaixo do esperado. Foi triste em especial porque em 23 de Abril e em 23 de Maio foi dito por esta mesma direção que até 1,5 milhão de pessoas haviam se envolvido no dia de luta. A levar a sério os números da própria Conlutas, só 1% dos que lutaram no 1o semestre se mobilizaram agora. Só 1%!!
Voltando a 2005, naqueles tempos a política que a Conlutas levava era a do combate ao governo de Lula, o Congresso e as entidades traidoras e governistas (CUT e UNE). Já na marcha de 24/10, a política central foi a luta contra a retirada de direitos (condição para que o MST, partidos governistas e a esquerda da CUT participassem). O inimigo não era mais o governo, mas "suas medidas", "estas reformas", o Renan Calheiros... Em vez de apontar para a ruptura, a marcha apontou para a reforma do sistema, em uma repetição da Frente Popular de Esquerda de 2006, e que deve se repetir em 2008, talvez com o PV a tira colo.
Diante disto tudo ficam as perguntas: valeu a pena tantas concessões por uma unidade com setores governistas e com a esquerda CUT? Será que esta marcha da ampla unidade foi capaz de impor uma derrota a Lula e sua Reforma da Previdência?
O Movimento Revolucionário continua a defender o que os revolucionários sempre defenderam, e que o PSTU fazia até 2005: Nós achamos que podemos muito bem fazer atos com os setores eleitoreiros do PSOL e, em muitas vezes, até mesmo com setores do governo. Isso é a velha e boa unidade de ação, necessária para a luta. Tanto é assim que fizemos parte da Marcha, assim como os atos de 23 de Abril e 23 de Maio. No entanto, a unidade que defendemos é a unidade-enfrentamento, a mesma de 2005, da Campanha contra a ALCA de 2002 e contra a dívida externa de 2000. É uma unidade que não vira, de modo algum, uma frente com governistas. Isso é um princípio! É uma unidade que não esconde, pelo contrário, aumenta as críticas públicas que fazemos aqueles que estão lutando conosco naquele dia, mas nos traindo nos outros 364 dias do ano e naquele mesmo também, pelas costas.
Fortalecer as Lutas e Derrotar Lula e o Congresso Corrupto
O Movimento Revolucionário discute, em cada um dos vários panfletos feitos para a greve de bancários, de Correios, das lutas em que intervimos, a necessidade de construir mobilizações em cada bairro, empresa, fábrica ou escola. Estas lutas devem estar a serviço de Derrotar Lula e construir organismos de poder dos trabalhadores, pela base.
A Marcha à Brasília, contra as Reformas de Lula, foi um passo neste sentido. Mas não é o mais importante. Não é a pressão sobre deputados ladrões que vai mudar alguma coisa. Nossa luta é no chão, na base, sem alimentar ilusões em soluções parlamentares, como vergonhosamente fizeram o PSOL, PV e seus aliados da Frente Popular de Esquerda em gestação para 2008, de reivindicar "Fora Calheiros", numa repetição da ética na política do PT, com 20 anos de atraso. Só é possível derrotar a corrupção e as reformas de Lula pela luta direta, e não pelo voto.
É preciso massificar as greves, ocupações e passeatas, com o objetivo de derrotar este governo e construir outra sociedade, a partir dos organismos dos próprios trabalhadores. É preciso uma Revolução dos Trabalhadores no Brasil, e a construção do Movimento Revolucionário como organização deste processo.