8 de março: dia de luta contra o machismo e o capitalismo
Diante da profunda crise econômica mundial que estamos vivendo, a exploração e opressão sobre as mulheres trabalhadoras se agravam ainda mais. São as mulheres que, em situações de crescimento econômico têm os piores serviços e salários, têm menos direitos e são vítimas da dupla e tripla jornada, sendo responsáveis pelo trabalho doméstico que esgota suas forças e seu tempo.
Uma mulher ganha, em média, 30% a menos que um homem, todo mês, em seu salário. Quanto à violência, uma mulher é agredida a cada 15 segundos no Brasil, sendo que só 10% das vítimas conseguem procurar socorro ou denunciam. Isso porque 70% das agressões são feitas dentro de casa, por companheiros ou familiares, o que gera mais ameaças, chantagens e medo psicológico da mulher estar “prejudicando” o agressor. 20% das faltas de mulheres ao trabalho são causadas pela violência. Esta é a realidade da mulher no capitalismo, e não a ascensão de alguma deputada, ministra ou outra “prova” da emancipação da mulher, resumida a pequenas vitórias individuais de mulheres burguesas, em geral.
Com a crise econômica, tudo isso fica ainda muito pior. Os índices de desemprego crescem aceleradamente no Brasil, e as empresas mostram a face da discriminação e do machismo. São as mulheres as primeiras a ir para a rua, demitidas por serem empregadas temporárias, terceirizadas e outros tipos de relações trabalhistas precárias. Em alguns casos, esta tendência não acontece, mas apenas porque manter as mulheres é mais lucrativo, em função da mão de obra custar muito mais barato que as dos homens.
Com a necessidade do capitalismo de arrochar cada vez mais as condições de vida da classe trabalhadora e fazer com que caia nas costas dos explorados sua crise, os governos burgueses atacam conquistas adquiridas com base na luta organizada historicamente das mulheres e dos trabalhadores em geral. É o que está acontecendo no caso da negociação da redução da jornada de trabalho, que reduziria também o salário, ou da flexibilização dos direitos trabalhistas, em discussão por entidades patronais e governo, que ameaça a licença-maternidade, por exemplo.
Neste quadro, é fundamental mais do que nunca a necessidade de organização das mulheres trabalhadoras, em suas categorias, locais de trabalho, sindicatos, bairros, escolas e universidades, pela atuação em torno da luta por igualdade salarial e de emprego; pelo direito a planos de carreira e progressão profissional; pelo direito à saúde; à educação; e pelo fim da violência. Isso deve ser combinado com bandeiras que denunciem a tripla jornada de trabalho, e lute pelo fim da escravização feminina diante das tarefas domésticas. É prioridade nesta luta a exigência de creches na empresas e locais de moradia, além da instalação e qualidade de serviços públicos que facilitem as tarefas domésticas, como restaurantes e lavanderias populares, combinados com a necessária divisão desses encargos com os homens.
Tais bandeiras devem se somar a medidas que eduquem os trabalhadores e trabalhadoras para que denunciem quaisquer tipos de coação nos locais de trabalho, assédio moral e sexual, abuso sexual, discriminação e machismo. Tais ações, que humilham as mulheres, são fruto da reprodução de uma ideologia burguesa, o machismo, que divide artificialmente a sociedade entre homens e mulheres, jogando uns contra os outros, e tentando esconder a divisão real entre patrões de um lado e trabalhadores do outro, independente do sexo.
É fundamental lutar para exigir e assegurar medidas de apoio e proteção às mulheres oprimidas para que não exista a possibilidade de retaliação dos patrões ou desmoralização da mulher que protesta diante de sua opressão. E defender a maior inserção das mulheres nos sindicatos e entidades representativas, com cotas instituídas nas diretorias, formação de comissões e departamentos que discutam, elaborem e ajam politicamente contra a opressão da mulher, incorporando estas reivindicações na pauta das greves, por exemplo, além de servir como forma de educar a base das categorias.
Na hora em que a classe trabalhadora e o povo mais pobre estão sofrendo os efeitos terríveis da maior crise do capitalismo, as mulheres devem estar à frente das lutas de resistência e por obtenção de conquistas. São as que menos têm a perder e as que mais têm a ganhar com a destruição do sistema capitalista. Portanto, são as que precisam se organizar e lutar, dentro de uma organização revolucionária, para mudar a realidade de suas vidas e do mundo inteiro.
Opressão e exploração uma questão de classe
Se a opressão é comum a todas as mulheres, são as mulheres trabalhadoras as mais oprimidas na sociedade capitalista. A dupla (e muitas vezes tripla) jornada de trabalho é um bom exemplo disso: enquanto a maioria das assalariadas tem, depois de trabalhar na fábrica, no escritório ou no campo, de cumprir tarefas domésticas, as mulheres burguesas, mesmo que trabalhem, podem relegar a outras mulheres essa segunda atividade. Portanto, as mulheres burguesas utilizam-se da opressão de seu gênero para melhor explorar as mulheres trabalhadoras. Por isso, se há afinidade entre o sexo feminino na luta genérica contra a opressão, essa unidade é limitada pelo papel de classe que cumpre a mulher na sociedade, o que nos divide em exploradas e exploradoras. Apenas as mulheres trabalhadoras, proletárias, pelo fato de serem oprimidas e exploradas, podem lutar de forma conseqüente contra o machismo e o conjunto de ataques da burguesia.
Mulher negra
Historicamente, as mulheres negras cumpriram o papel de estar na luta no Brasil, ora por sua liberdade, ora pela liberdade de seus maridos e filhos, ora para não serem vistas apenas como instrumento de prazer do branco. A mulher negra foi, e continua sendo, a maior vítima de todo esse processo: foi violentada pelos patrões; viu seus filhos escravizados; foi obrigada a amamentar os filhos das brancas; foi tratada como animal de reprodução (já que era obrigada também a ter relações sexuais com o reprodutor da fazenda).
Mesmo depois do fim da escravidão, a mulher negra ganha 1/3 do salário de um homem branco, é a maior vitima da violência doméstica e sexual, está nos trabalhos mais precários e menos remunerados da sociedade capitalista (doméstica, cozinheira, faxineira, lavadeira, catadora de lixo...). Está enquadrada nos mais altos índices de analfabetismo, é a maior vítima do desemprego, do aborto mal feito, dos índices de mortalidade materna. Cada vez mais são vistas chefiando famílias, que estão cada vez mais miseráveis, abandonadas pelos homens, muitas vezes irresponsavelmente deixando filhos sem nenhuma assistência.
São também as mulheres negras que perdem seus filhos e maridos pelas balas de bandidos e policiais nas periferias do nosso país, que são vítimas do tráfico e estão em grande número nas penitenciarias, sendo tratadas com descaso e repressão.
Pelo direito ao aborto. Legalização já!
Todos os anos mais de 1 milhão de abortos é feito no Brasil, quase 100% deles clandestinos. Cerca de 150 mil mulheres ou morrem ou sofrem sequelas e mutilações como resultado desta carnificina. Este genocídio é patrocinado pela ideologia reacionária da Igreja, dos governos e dos exploradores em geral, que não querem permitir que a mulher possa ter controle sobre seu corpo, saúde e reprodução. Urgentemente, como questão de saúde pública e direito social, é necessário legalizar o aborto, e garantir condições de higiene, saúde, infraestrutura, apoio psicológico, informação e gratuidade para que se possa abortar sem que isso seja um enorme risco de vida, como é hoje.
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