Governo Lula torrou R$ 320 milhões da Caixa para ajudar Sílvio Santos
Quando a Caixa Econômica Federal comprou 35,5% do Panamericano por R$ 740 milhões, em novembro de 2009, o banco de Silvio Santos valia R$ 2,1 bilhões na Bolsa de Valores de São Paulo. No início de dezembro, o chamado valor de mercado havia desabado para R$ 1,2 bilhão. Ou seja, só nesse item, a instituição controlada pelo governo Lula perdeu mais de R$ 320 milhões - diferença entre a participação de 35,5% em relação a R$ 2,1 bilhões e a R$ 1,2 bilhão.
Segundo o próprio Banco Central (Bacen), dependente do governo Lula, há indícios de que as fraudes contábeis começaram em 2006. Além da negligência ou cumplicidade do governo e do BACEN, chamou a atenção que o Panamericano conseguiu dois grandes aportes de capital quando as fraudes já eram alastradas.
Em novembro de 2007, o banco conseguiu levantar quase R$ 800 milhões em uma abertura de capital (IPO, na sigla em inglês), e dois anos depois arrecadou mais de R$ 700 milhões, num total de mais de R$ 1,5 bilhão.
A abertura de capital foi coordenada por três instituições bastante conhecidas: UBS Pactual (hoje BTG Pactual), Bradesco BBI e Itaú BBA. Por sua vez, a compra de ações pela Caixa foi assessorada pelo Banco Fator e pela KPMG.
Analisando este emaranhado de instituições que participaram dos negócios e “não enxergaram” as fraudes, a história fica inacreditável. Poderia haver uma incompetência tão grande, durante tanto tempo e cometida por tanta gente?
Claro que não. O caso do Panamericano repete o que antes havia acontecido com o Banco Santos (também no governo Lula) e, mais remotamente, com o banco Nacional. Na verdade, o controle financeiro é político e sujeito a todas as corrupções e jogos de interesses que controlam o conjunto das leis, dos governos e da economia do Brasil.
Os bancos financiam campanhas políticas com recibos frios e por baixo dos panos (o famoso caixa-2). Também sonegam impostos e fazem vistas grossas aos negócios do tráfico, às contas de laranjas, etc.; tudo porque isso lhes rende lucro.
Não seriam os banqueiros, que são a escória da sociedade, que teriam um comportamento ético dentro da burguesia. E nem se pode esperar que o governo do mensalão, que chegou a violar normas bancárias básicas, como a do sigilo do caseiro Francenildo, tenha qualquer vigilância ou disciplina sobre os roubos.
Tanto é assim que, mesmo depois de o rombo de Sílvio Santos ter passado dos limites e o assunto ter saído à tona, a Caixa, maior interessada em querer reaver seu dinheiro, sob ordens de Lula, já está tratando de esquecer o assunto.
Lula e Caixa prometem ajuda ao PanAmericano
A presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho, anunciou em reunião com o apresentador Silvio Santos que a instituição vai ajudar na recuperação do Banco PanAmericano. A ajuda virá de duas formas, segundo ela: a Caixa vai usar a rede do PanAmericano para comercializar sua linha de cartão de crédito para baixa renda e fornecerá mão de obra para o banco.
O novo presidente do PanAmericano, Celso Antonio da Costa, também participou do encontro. Da mesma forma, Maria Fernanda assume como nova presidente do Conselho de Administração do Panamericano.
Ou seja, Lula e a Caixa estão abafando o caso; vão deixar os R$ 320 milhões que já se perdeu “por isso mesmo”; e ainda mantém o apoio, os anúncios e o desvio de dinheiro público para Sílvio Santos.
Em troca do apoio político de um influente empresário e de uma cobertura governista do SBT, o governo Lula vai sacrificar os lucros da Caixa (com impacto negativo na PLR dos funcionários e nas melhorias aos clientes) e ainda quer colocar os funcionários da Caixa a trabalhar para Sílvio Santos.
A fraude contábil do Panamericano será coberta por empréstimo de R$ 2,5 bilhões do FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Mas o problema não acaba por aí. Para recuperar este dinheiro, o banco falimentar deve começar a dar lucro. Mas um banco que, no auge do lucro de todos os demais bancos, com os juros lá em cima, teve um rombo nas contas, tem tudo para seguir sendo um saco sem fundos.
A “garantia” do empréstimo, baseada nas empresas do Grupo Sílvio Santos, incluindo o SBT não valem nada. Em primeiro lugar, porque, juntas, não valem os R$ 2,5 bilhões, que são apenas o socorro imediato ao banco, prevendo que os prejuízos vão parar. Em segundo lugar, todo mundo sabe que Lula, e agora Dilma, nunca deixariam que os bens de um empresário como Sílvio Santos fossem executados. Se nem o Panamericano deixaram falir... O que acontecerá se o banco novamente fizer água é que o governo entrará com mais dinheiro público ainda.
Para os trabalhadores, é um absurdo gastar dinheiro do banco que financia habitação e garante os benefícios sociais aos mais pobres com um bilionário.
É preciso expropriar todos os bens de Sílvio Santos e dos demais diretores do banco, levando à cadeia os responsáveis; além de suspender imediatamente toda e qualquer publicidade paga nos meios de comunicação das empresas do grupo, que fraudou e roubou da maioria da população.
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