PSOL se abraça ao PV para apoiar candidatura de Marina Silva:
tudo pela “ética na política”!
Só faltava oficializar, e agora não falta nem isso. Na última quinta-feira, dia 12, a Executiva Nacional do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) aprovou o início das negociações para uma coligação com o Partido Verde para 2010.
A iniciativa partiu de um empenho pessoal de Heloísa Helena em apoiar a já declarada candidata à presidência, Marina Silva. "Dentro e fora do partido defendo o apoio à candidatura da Marina pela dignidade humana e pela capacidade técnica que ela demonstra", declarou a ex-senadora de Alagoas. Seus esforços tiveram início após a sinalização do ex-governador de Alagoas, Ronaldo Lessa (PDT), de que sairia candidato ao governo estadual no ano que vem. A movimentação facilitaria a eleição da presidente do PSOL a uma das duas vagas de Alagoas ao Senado no pleito de 2010.
Heloísa entende que cometeu um erro em 2006, quando disputou a Presidência da República. Na época, ela era apontada como a favorita na corrida ao Senado Federal, vencida pelo ex-presidente Fernando Collor. "Tenho a obrigação de disputar (um cargo no Senado) para mostrar aos meus adversários que Alagoas não é o quintal deles (opositores)".
Lendo -também- nas entrelinhas
O PSOL e Heloísa Helena cometem os mesmos erros, evidenciando não se tratar de um equívoco, e sim de uma compreensão de Partido.
Se HH defende, como afirmou fazer, dentro e fora de sua organização a candidatura de Marina, é porque independente da posição tirada pelo partido, ela faria isso. Quer dizer, o indivíduo coloca-se acima da organização que compõe e toma suas decisões sozinho. E não há qualquer problema nisso, muito comum nos partidos burgueses. Entretanto, para quem achou, lá em 2004 na fundação do PSOL, que ali estava o surgimento de uma organização revolucionária, enganou-se redondamente.
Entre as organizações revolucionárias, o programa do partido e as decisões coletivas são o preponderante, colocados acima das vontades pessoais. Assim, seus militantes, ao invés de defenderem a SUA opinião publicamente, defendem a opinião de sua organização.
Mas esse é apenas um dos pontos que diferenciam o PSOL de uma organização verdadeiramente comprometida com a transformação social. A decisão do partido, de abrir mão de uma candidatura própria para apoiar uma candidata de um partido burguês (como é o PV), é muito significativa. E os argumentos tornam ainda mais séria essa decisão.
O PSOL abriu mão da candidatura de HH à presidência pois viu que é inviável eleitoralmente. E preferiu apostar em sua candidatura ao Senado, que já se mostrou viável anteriormente. Logo, a viabilidade eleitoral é um dos elementos preponderantes no momento de decidir as táticas utilizadas nesse processo. Quem decide assim são os partidos burgueses.
Os trabalhadores não precisam de um novo PT
Uma organização revolucionária entende que a transformação social ocorre nas mobilizações e não nas eleições, mas participa desse processo para denunciá-lo e propagandear as lutas dos trabalhadores. Seu objetivo principal não é conquistar cadeiras no parlamento, pois sabe que isso é inútil.
O PSOL comete o mesmo erro do PT, ao acreditar que, a cada cargo conquistado nas instituições burguesas, quanto mais políticos “de esquerda” estiverem lá, mais conquistas serão possíveis aos trabalhadores. É a política de reformar as instituições, de “redução de danos”, de humanização do capitalismo. A chegada de Lula à presidência foi o golpe fatal para quem apostava nisso.
As instituições burguesas são viciadas e tanto para chegar como para manter-se nelas é necessário que se adapte à sua burocracia, lentidão, manobras e roubalheira, para dizer o mínimo.
Lamentamos que o PSOL incorra nesses erros. A história cobrará o seu preço e provará, a todos que duvidaram, que a destruição do capitalismo e a construção do socialismo são possíveis. Para quem apostou na “ética na política”, o fracasso já está dado.
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