Enquanto seguem as demissões, abaixo-assinado pedindo estabilidade no emprego gera ilusão no governo Lula e no Congresso corrupto!
A confirmação de que o Brasil já está em recessão desde o ano passado, segundo a Fundação Getúlio Vargas, o que deve ser confirmado oficialmente pelo IBGE em uma semana, só comprovam o que se vê em cada cidade. O desemprego e as dívidas estão se alastrando entre os trabalhadores. Esta realidade dramática, ainda não explodiu totalmente porque muitos desses trabalhadores (os que tinham carteira assinada) ainda estão sobrevivendo precariamente com a verba do seguro-desemprego. Mas esse benefício dura apenas alguns meses, e é inferior ao salário, sem contar os trabalhadores precarizados, que não recebem nem o seguro nem o FGTS ao serem demitidos. Esses são centenas de milhares.
Diante desse cenário de desespero para muitas famílias, o movimento sindical e popular tem reagido das mais diferentes formas. As centrais pelegas propõem reduzir direitos e até mesmo salários para manter os empregos. A Conlutas, central de oposição ao governo Lula e surgida da ruptura com a CUT traidora, defende que não haja demissões, e que não se entreguem direitos por isso. No entanto, a maneira de defender isso não apenas não tem nenhuma chance de dar certo, como auxilia o governo e os empresários a demitirem e fazerem o que querem.
A mais nova iniciativa nacional da direção da Conlutas para enfrentar a crise econômica e defender os interesses dos trabalhadores é um abaixo-assinado destinado ao governo Lula e ao Congresso nacional, onde se exigem algumas medidas de proteção aos trabalhadores, que já constavam na carta que a Conlutas entregou a Lula no início do ano.
Entre os itens do abaixo-assinado, o central é a exigência de que Lula edite uma medida provisória que garanta a estabilidade no emprego aos trabalhadores, que desde o início da crise vem sendo demitido em massa no Brasil e no mundo. Além dessa questão, consta no texto reivindicações sobre a redução da jornada de trabalho, estatização da Embraer, entre outras coisas que expressam alguns dos problemas imediatos que enfrenta a classe trabalhadora no Brasil.
Qual o problema nisso? O grande problema dessa iniciativa, que é apenas parte de toda política da direção da Conlutas diante da crise, é que não denuncia em nenhum momento o papel do governo Lula, de aliado dos grandes empresários e banqueiros e inimigo dos trabalhadores. Pelo contrário, quando se faz simplesmente exigências ao governo, sem nenhuma denúncia, e sem que isso sirva, acima de tudo para desmoralizar e derrotar Lula, está se dizendo, na verdade, que Lula é um governo em disputa, e que o pressionando é possível fazê-lo defender os trabalhadores, no caso, mudar sua postura diante do desemprego. Ora, isso seria quase como querer que ele mude o seu caráter de classe. É esperar, e fazer os trabalhadores esperarem, que Lula intervenha a nosso favor contra os empresários. Isso é absurdo, pois é Lula quem estimula as demissões. Lula sabe que existem demissões, e dá dinheiro aos empresários que demitem. Esses patrões, aliás, são os que sustentam suas campanhas políticas e mandam em seu governo.
A novidade, para pior, do abaixo-assinado, que não constava nas iniciativas anteriores, são as exigências ao Congresso nacional, a instituição mais corrupta e desmoralizada do país.
O PSTU, enquanto direção da Conlutas, justificativa sua política de exigências a Lula, numa suposta gigantesca ilusão dos trabalhadores com o governo. Nós achamos que essa realidade não existe e, mesmo que existisse, não seria justificativa para deixar de denunciar e combater o governo. Entretanto, não existe nenhum setor entre a esquerda que entenda que os deputados e senadores, atolados até o pescoço em escândalos de corrupção, possuem apoio do conjunto da população. Bem pelo contrário.
Ninguém discorda do fato de que o Congresso nacional é repudiado pela classe trabalhadora. Então, que justificativa existe para fazer somente exigências aos deputados, sem nenhuma denúncia de seu verdadeiro papel? O revolucionário russo, Leon Trotsky, dizia que era necessário fazer o que chamava de política de "exigências e denúncias". isso quer dizer que nem se podia apenas denunciar um traidor, pois haveriam ilusões nele; como tampouco se poderia apenas exigir medidas desse traidor, pois isso não ajudaria em nada na tarefa de desmascará-lo. Mas Trótsky ia além disso. Ele dizia que determinadas exigências não poderiam sequer ser levantadas, mesmo que em combinação com a respectiva denúncia. Era o caso, por exemplo, de "exigir de um governo burguês que deixasse de ser burguês", o que significava, para Trótsky, exigir medidas absolutamente sem nenhuma chance de realização e que servissem apenas para gerar ilusões no governo burguês.
Infelizmente é o atual caso da Conlutas. Mas é pior que isso, pois não se trata apenas de exigir que o governo Lula seja o governo dos trabalhadores. O mais impressionante é que a Conlutas, que deveria ser o instrumento que combatesse o governo, não faz sequer denúncias a Lula, combinadas com sua capitulação de gerar ilusões. É uma capitulação completa. Para não restar nada de bom nessa política, o método de abaixo-assinado proposto, que é recuado e defensivo, e corresponde a situações de refluxo e atraso na luta dos trabalhadores, é proposto como campanha pela Conlutas sem haver nenhuma luta na rua. A Conlutas, se quer fazer um abaixo-assinado que seja levado a sério, no mínimo deveria sustentá-lo por fortes manifestações de rua, paralisações e enfrentamentos contra as demissões, o governo e os patrões. Nem isso está sendo feito!
O Movimento Revolucionário, na condição de organização que soma esforços na construção da Conlutas, manifesta categoricamente que não tem acordo com essa política da direção da central. Essa política de apenas exigências, combinado com as formações de chapas sindicais em conjunto com a CUT em alguns sindicatos, não armam a Conlutas para ser uma alternativa de luta diante do capitalismo em crise.
Infelizmente, ao invés de apostar mais na luta direta, de apresentar um programa contra o governo nas entidades sindicais, de iniciativas ousadas com milhares de panfletos e trabalho de base, a Conlutas opta cada vez mais pelo caminho da legalidade e institucionalidade burguesa, priorizando a ação judicial no caso de demissões, como na Embraer, na formação de chapas com governistas como no CPERS do RS e no Sintect no RJ, e em iniciativas que não passam de cartas e abaixo-assinado para pressionar os aliados da burguesia.
É preciso apostar na saída oposta: lutar cada vez mais e organizar a resistência dos trabalhadores e estudantes pela derrota de Lula e da política do capitalismo , que tenta fazer os trabalhadores pagarem por sua crise.
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