Publicado em 31/08/2010

Petróleo brasileiro no mandato Lula: acidentes e falta de segurança.

        48 plataformas operam com documentação vencida no Brasil, de acordo com a última listagem de declarações de conformidade feita pela própria Marinha. As plataformas com declaração de conformidade vencida não têm, oficialmente, atestada sua segurança da navegação, bem como sua capacidade de alojamento e prevenção de acidentes no meio aquaviário.

        A maioria das plataformas sem declarações de conformidade da Marinha é operada pela Petrobras, e incluem áreas do pré-sal. A profundidade desta nova fronteira (de cinco mil a sete mil metros) é alvo de alertas por parte de ambientalistas, que criticam o fato de o governo não estabelecer normas específicas de operação no pré-sal. A Marinha destaca que nenhuma plataforma pode iniciar sua atividade "sem ter antes obtido este documento", o que fica evidente que é uma farsa.

        Num universo de 199 plataformas com autorização, apenas 73 possuem documentação permanente e 126, provisória. Este dado revela que, além do descalabro com a segurança dos trabalhadores e com o meio-ambiente, arriscando um desastre ambiental até maior que o que vem acontecendo no Golfo do México, o governo Lula tem autorizado “nas coxas” a maioria das plataformas. Sem chegar a vistoriá-las adequadamente, libera em massa atestados “provisórios”, além das que não têm atestado nenhum.

Privatização e terceirização

        Recentemente, um acidente envolveu uma plataforma da Transocean, contratada pela petroleira BP, e o fato chamou a atenção para a repetição de acidentes por empresas terceirizadas, num processo que vem se multiplicando, e que é produto direto da privatização e terceirização implantadas e ampliadas por Lula.

        A quantidade de plataformas e itens a serem inspecionados é infinitamente maior que o quadro de inspetores e fiscais da Marinha e ANP, deixando claro o sucateamento não só das empresas privadas, que têm liberdade para atuar numa área estratégica, como também dos órgãos públicos que deveriam fiscalizar esta atuação.

        Do total de plataformas com declarações de conformidade vencidas da Marinha, ao menos três também não possuem documentos de segurança operacional aprovados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). São certificados que dizem respeito ao funcionamento de equipamentos e aos procedimentos adotados nas atividades de exploração e produção.

        Desde maio do ano passado, a ANP verificou o que chama de não-conformidades em 103 campos de produção de petróleo e gás natural.

Petroleiros denunciam 22 acidentes em plataformas em 2010

        O Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF) registrou neste ano 22 denúncias de acidentes relevantes envolvendo plataformas na Bacia de Campos, região que concentra 85% da produção nacional de petróleo. Em dez dessas ocorrências houve vítimas!

        A repetição de acidentes por empresas terceirizadas preocupa representantes dos trabalhadores. A maior queixa do Sindicato se refere à atuação da Brasdril, subsidiária da Diamond no Brasil, que em menos de um ano teria provocado alguns acidentes, um deles com duas mortes. Os petroleiros trabalhavam em embarcação que compunha o sistema de exploração de um campo da OGX, do empresário Eike Batista.

        O petroleiro Felipe de Andrade do Carmo, da Brasdrill, teve neste ano a perna direita amputada em razão de um acidente no campo de Albacora, na Bacia de Campos, segundo informações do Sindipetro. No final do ano passado, um colega da mesma empresa teria perdido a mão por razões semelhantes, segundo o sindicato. “Os trabalhadores de empresas terceirizadas são mais vulneráveis a acidentes por falta de treinamento e assédio para terminar o trabalho a qualquer custo. É muita pressão”, afirma Thiago Magnos, diretor do Sindipetro-NF.

        De acordo com a Federação Única dos Petroleiros (FUP), das 283 mortes que ocorreram no setor por acidentes de trabalho desde 1995, 228 ocorreram com terceirizados. Tanto um número como outro são absurdos. É mais de uma morte e meia por mês! E a responsabilidade é integralmente dos governos FHC e Lula, que permitiram que empresas gananciosas, sem nenhuma preocupação trabalhista ou ambiental, explorassem a riqueza do país.

        O novo marco do pré-sal apenas reforça todo este sistema, entregando o petróleo aos grandes grupos estrangeiros e a novos burgueses nacionais. Além dos 283 cadáveres de FHC e Lula, a situação se assemelha a de um barril de pólvora prestes a explodir, com plataformas explorando óleo em áreas nunca antes testadas, e sem manutenção nenhuma.

VOLTAR

 
Notícias Relacionadas

• Volkswagen e Porsche; Fiat e Chrysler; Renault e GM: Crise estimula fusões na indústria automobilística.

• Governo do Sri Lanka massacra população que luta por independência do Eelam Tamil!

•Fernando Lugo assume paternidade de criança de 2 anos e mostra que seja como presidente, seja como bispo, sempre agiu contra os explorados e oprimidos

• GM está próxima de pedir concordata! Obama exige que empresa se divida em duas: Uma falida, com as dívidas trabalhistas e financeiras, e outra com o lucro e o patrimônio da GM

• O leste europeu 20 anos depois da queda do muro: Geração pós-queda do muro de Berlim diz não ao capitalismo no Leste Europeu

• Crise põe PIB mundial em queda livre: Pela 1ª vez, economia mundial deve ter recessão anual

• Uruguai aprova o direito à eutanásia!