Menino na Bahia tem 31 agulhas inseridas no seu corpo
pelo padrasto
Um fato chocou muita gente no Brasil. Um menino, na Bahia, sofreu por meses, em decorrência dos efeitos da agressão da qual foi vítima, por parte de seu padrasto, Roberto Carlos Magalhães. Foram colocadas no seu corpo dezenas de agulhas, supostamente como parte de um ritual de magia negra. O padrasto dopava a criança e inseria as agulhas.
O fato foi descoberto quando a criança chorava de dores e foi levada pela mãe ao hospital. Depois de realizar duas vezes exames de raios-X, em função da descrença dos próprios médicos diante de tamanha atrocidade com uma criança de dois anos. Depois do segundo exame, foi constatado que, de fato, havia 31 agulhas dentro do seu organismo.
Após a descoberta, o padrasto foi intimado a depor na polícia. Num primeiro momento, negou que tivesse feito isso; mas, logo depois, assumiu o crime, dizendo que contava com a ajuda de duas mulheres. Segundo o próprio agressor, ele dava vinho com um pouco de água para o menino dormir e depois inseria as agulhas. Isso tudo aconteceu por cerca de um mês.
Depois de ser expulso da sua cidade pela população, Magalhães deu declarações a imprensa onde diz: “Foi idéia de louco mesmo colocar essas agulhas nele. Eu colocava na perna e na barriga dele. Na hora, ele estava dopado. Ia matar a criança. Pobre do coitado". E disse mais: "Foi um sofrimento brabo mesmo. Era para atingir a mãe do menino. (...) Eu achava que as agulhas iam caminhar pelo corpo para matar o menino".
Depois de tudo isso, o menino já passou por 3 cirurgias, uma delas de cinco horas, e as agulhas contidas no coração (2), no pulmão (2), costelas, clávicula e entre as vértebras, que podiam matar ou paralisar a criança, foram extraídas. Estas eram as mais perigosas, mas um número ainda inexato de agulhas permanece em seu corpo, e talvez não possam ser retiradas.
O capitalismo enlouquece as pessoas
O capitalismo é tão alienante e embrutecedor, que transforma alguns indivíduos, acabndo com sua felicidade, sua sanidade e seu autocontrole. Esta "loucura", cada vez mais à porta do trabalhador, sequer é tratada, pela falta de verba e pelo preconceito existente em relação aos transtornos psiquiátricos. A mesma sociedade que enlouquece, humilha e maltrata as vítimas desse processo.
Assim, a insanidade muitas vezes só é descoberta depois que barbáries como estas já tenham ocorrido, e vindo a público.
De qualquer forma, diante de tal atrocidade contra uma criança, entendemos que Magalhães deve sofrer punições por tudo que fez, mas isso passa, antes de mais nada, por receber um tratamento e acompanhamento médicos, pois é evidente que uma pessoa capaz desse tipo de atitude possui algum transtorno psiquiátrico.
Depois de anunciada essa ação absurda na Bahia, mais casos vieram à tona: uma mulher, no Rio Grande do Sul, também foi vitima da mesma situação, desta vez com seu marido tendo colocado algumas agulhas em seu corpo. Infelizmente, casos como estes são mais corriqueiros do que se imagina...
Além da insanidade e patologias mentais provocadas ou negligenciadas de tratamento pelo capitalismo, um outro elemento que se combina, em muitos desses casos, é o fanatismo e irracionalidade religiosos. O lado místico, presente em todas as crenças, atribui a seres fantasmagóricos, sobrenaturais e divinos poderes mágicos, o que estimula a prática de rituais, sacrifícios e cerimônias degradantes e violentas desse tipo.
Mais uma vez, o Estado burguês se mostra incapaz de apresentar alguma resolução para o caso, e se resume apenas a incriminar Magalhães, o que significa dizer que ele é o culpado não só pelo crime, mas por sua própria doença e situação, que levou a este gesto tresloucado. Para nós, o mais indignante é saber que casos como estes, além da pedofilia, dos estupros, da violência às mulheres, da exploração do trabalho infantil, etc., vão seguir existindo, entre outras razões, porque não se resolvem as causas dessa violência, e se culpam apenas seus infratores individuais.
Para acabar com estes problemas de verdade, e poder dar um tratamento digno aos transtornos patológicos que o capitalismo criou ao longo dos anos, ou não foi capaz de deter, só com um novo tipo de sociedade, que propicie a mais ampla rede de tratamentos médicos hospitalares, e uma base econômica, sexual e afetiva condizente com o bem-estar e a felicidade, coisas restritas a uma minoria no capitalismo.
Enquanto houver capitalismo, e portanto alienação, a loucura seguirá sendo um caso crônico e endêmico, fazendo com que o "absurdo" seja cada vez mais normal. Por isso, é necessário reafirmar a necessidade do socialismo, como única forma de apresentar uma vida mais digna, e sem a alienação e sofrimento típicos de uma sociedade baseada na exploração.
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