Publicada em 24/12/2008

Depois de Santa Catarina, é a vez de SP e Minas Gerais.
Mais alagamentos e enchentes, mais hipocrisia por parte do governo

Depois de Santa Catarina ficar debaixo d'água em conseqüência das fortes chuvas, agora acontece o mesmo em São Paulo e Minas Gerais. Em São Paulo, tiveram 44 pontos de alagamentos, sendo que 20 destes totalmente intransitáveis.  Dez bairros ficaram sem energia elétrica e o aeroporto de Congonhas teve que ficar 45 minutos fechado. O governo decretou estado de atenção, o que não quer dizer nada e não serve para coisa nenhuma.

Em MG, já são mais de 44 cidades em estado de emergência. Já houve mais de 10 mortos e a tragédia social repete, em menores proporções evidentemente, o caos de Santa Catarina. Também em MG há milhares de desabrigados ou desalojados pelas águas, sujeitos a doenças, falta de alimentação e condições adequadas de vida.

Em Santa Catarina, cuja tragédia mobilizou milhões de brasileiros, foi divulgado o número de mortos atualizado, em cujo total já foram contabilizados 133 mortes, além de 22 pessoas ainda desaparecidos, o que, a esta altura deve elevar o número real a mais de 150 vítimas fatais.

Segundo a Defesa Civil do Estado, ao menos 32.973 pessoas continuam fora de suas casas, sendo que 5.737 estão desabrigadas e 27.236 desalojadas, ou seja, estão hospedadas em casas de amigos e parentes. Isso demonstra o descaso público com essas pessoas. Enquanto a população brasileira ajudou como pôde, numa onda impressionante de solidariedade, os governos nada fazem, e as pessoas seguem desamparadas

O capitalismo e os governos são incapazes de evitar novas tragédias

O que mais essa tragédia mostra é o drama dos alagamentos e das enchentes estão cada vez mais presentes na vida dos trabalhadores. Isso acontece porque os governos se negam a investir em áreas que sejam do interesse da maioria da população, como habitação, transporte público e geração de emprego.

Na lógica neoliberal de FHC e Lula, custa muito caro ao país, aos estados e aos municípios investir em saneamento básico, habitação, saúde e educação. Como resultado, as pessoas são obrigadas a ir morar em áreas irregulares, sujeitas a deslizamentos.

Diante de uma tragédia, a falta de saneamento faz proliferar a leptospirose, por exemplo, cujos casos notificados já passam de 250. Mais 754 casos estão sendo investigados, com suspeita de também serem doentes desta enfermidade.

Fica bastante claro o quanto o Estado é incapaz de solucionar, e até mesmo amenizar os problemas sociais, ainda que fazendo mega-operações, pois os cortes sucessivos do orçamento fazem com que a capacidade de reação, nestes casos, esteja comprometida pelo sucateamento e precariedade gerais dos órgãos e serviços públicos.

Faltam médicos e hospitais para tratar os feridos; falta investimento para a reconstrução das cidades que foram devastadas; falta infra-estrutura para tirar o barro das ruas; faltam empregos e benefícios sociais para dar renda aos que perderam tudo.

O mais indignante de isso tudo é que, quando se trata em investir para salvar vidas como nos alagamentos, e para prevenir de novos, com a construção de represas, saneamento, tirando a população das encostas dos morros; nada disso é feito.

Agora, por outro lado, já se calcula que o governo Lula já gastou mais de R$ 365 bilhões, para salvar banqueiros e empresários da crise econômica. Esse é o lado de que Lula está. Salva banqueiro e deixa a classe trabalhadora perder suas casas, e muitos morrerem em conseqüência dos alagamentos.

Unir as vítimas contra os culpados

Mais uma vez, os trabalhadores, agora em Minas e São Paulo, não têm a quem recorrer, a não ser à solidariedade dos trabalhadores de outras cidades, aos mutirões que mandam alimentos e abrigam muitas pessoas em suas próprias casas. Isso prova a necessidade de a classe trabalhadora e os explorados em geral se organizarem para luta contra o estado e os governos, que são os verdadeiros culpados.

É necessário um plano de obras públicas, totalmente pago pelo Estado. Para isso é necessário parar de dar dinheiro a banqueiro, e parar de pagar as dívidas públicas (interna e externa). Só a luta, mobilização e solidariedade da classe trabalhadora são capazes de apresentar alguma alternativa diante dessa situação.

É necessária a solidariedade de toda classe trabalhadora. E a mais verdadeira solidariedade que pode prestar o Movimento Revolucionário (além da denúncia política e incorporação à rede de ajuda montada, o que fizemos desde o início), é chamar os trabalhadores à luta!

 

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