Marasmo e apatia = ELEIÇÕES MUNICIPAIS 2008
A cada eleição que passa os trabalhadores já sabem o que os espera. Nas ruas milhares de panfletos são entregues com a cara e número de candidatos que na maioria das vezes nunca se ouviu falar e tampouco se sabe o que defendem. Quando descobrimos algumas propostas todos são unânimes em dizer que vão melhorar a saúde, educação, o transporte, vão diminuir a miséria, etc. E qual a saída para tudo isso acontecer? Votando no fulano ou no ciclano. A televisão os jornais, estão fazendo uma ampla campanha onde discutem a importância do voto, que o eleitor tem que estar atento nas propostas dos candidatos para depois cobrá-los. Isso acontece pois os trabalhadores no Brasil, depois da triste experiência com o PT, se deram conta que independente de quem ganhar a vida vai seguir do mesmo jeito. O preço da comida vai subir, os salários vão seguir baixos, a educação precária, etc.
Uma pesquisa apontou que em São Paulo 63% das pessoas não sabem ainda em quem vão votar para vereador, e 59% não se lembram em quem votaram na última eleição. Todo esse descaso tem seus culpados, e não são os trabalhadores como tenta dar a entender os meios de comunicação e a burguesia. São os próprios parlamentares e o capitalismo que não têm condições de suprir as necessidades dos trabalhadores
O jornal o Estado de São Paulo divulgou que 91% das medidas aprovadas pela câmara municipal de São Paulo são irrelevantes. Ou seja, quase tudo que foi aprovado não se passou de inauguração de placas em praças, concessões de medalhas, título de cidadão de Paulistano, batismo de logradouros públicos. Dos 3021 projetos aprovados, 646 davam nome a ruas e praças.
Além disso, foi nesse ano de eleição que mais foi liberado verba para atender as emendas dos vereadores. Em 2006 foram liberados R$5,5 milhões, em 2007 R$3,9 milhões e em 2008 R$30,3 milhões, 7 vezes mais que em 2007.
É assim que funcionam as eleições e o regime democrático burguês. Os vereadores e prefeitos passam 3 anos desviando dinheiro, fazendo lobby com os empresários e patrões, aprovando medidas contra os trabalhadores e no ano de eleição inauguram e fazem obras, pintam as cidades, para tentar passar a impressão de que a vida melhorou.
O fato de grande parte das pessoas não saberem em quem vão votar, e não lembrarem em quem votaram, é parte de um sentimento muito progressivo, que as eleições não passam de um jogo de cartas marcadas. Os trabalhadores estão mais preocupados com as contas que tem que pagar no final do mês, com a comida que tem que por na mesa, do que preocupados com quem serão os próximos a piorar ainda mais nossas vidas.
Os mesmos de sempre brigando por cargos e salários... e o trabalhador fica a ver navios
Agora os políticos e candidatos aparecem nas vilas, nos bairros pobres para tentar parecer que estão no dia a dia dos trabalhadores. Passadas as eleições só com o que poderá contar é com a própria força e luta dos trabalhadores. Na hora de pagar as contas ninguém aparece, mas na hora do voto surgem diversas soluções milagrosas.
Os partidos brigam entre si, tentando parecer que um é mais diferente do outro, mas depois de eleitos estão todos juntos contra os trabalhadores.
O maior exemplo disso é o PT e o PSDB, em São Paulo estão em uma disputa ferrenha, afirmam que tem projetos distintos, já em Minas Gerais estão coligados. Ainda em São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM) estão em pé de guerra, e mesmo que briguem e esperneiem um contra o outro, existem figuras do próprio PSDB (como FHC e José Serra) que estão fazendo campanha descarada a Kassab. E tudo indica que no segundo turno Kassab e Alckmin, que tanto brigam estarão juntos, com o discurso de derrotar Marta e o PT, que é seu maior aliado em Minas Gerais.
Os programas desses partidos, por mais que tentem passar a idéia que não, na prática é o mesmo. É isso que permite que o inimigo em um lugar se torne o maior aliado em outro. E nestas eleições existem alianças de todos os tipos: PT - PSDB, PT-PV, PV-PSOL, PSOL-PSTU, PC do B-PSDB, PT-PC do B. Até os mais "radicais", de "esquerda" como o PSOL e o PSTU, embora mantenham um discurso das lutas como única saída (principalmente o PSTU), na hora da prática, fazem uma campanha que se coloca como apenas mais uma alternativa que vai mudar essa situação por meio dessas eleições que são um jogo de cartas marcadas. Não fazem a mínima discussão de romper com o capitalismo para ser uma alternativa Socialista e conseqüente para os trabalhadores.
Nestas eleições infelizmente não existe nenhuma candidatura que leve esse debate ao conjunto da classe trabalhadora, que as eleições são um jogo de cartas marcadas, que o que está em jogo para os candidatos são os cargos, os salários, e a continuidade de uma política que só beneficia os patrões, banqueiros e grandes empresários. E são estes que financiam os milhares de panfletos, que pagam os cabos eleitorais dos partidos, que compram votos.
Os trabalhadores não têm candidatos nestas eleições, no dia 5 de outubro vão votar por obrigação e de nariz tapado, sem nenhuma ilusão de que é por aí que a vida vai mudar.
2008 foi, e é, o ano das greves, lutas e ocupações! Todo apoio a luta dos trabalhadores!
Nas urnas é VOTO NULO!
Toda essa apatia e marasmo das eleições devem se reverter em revolta e descontentamento com tudo que está aí. Por isso o Movimento Revolucionário chama os trabalhadores e a juventude a votarem NULO em 2008. Esse é o voto consciente e de quem está cansado dos mesmos discursos e ladainhas de sempre.
Todas as conquistas e possibilidades de mudanças só virão através das lutas e não do voto. Por isso 2008 foi e é o ano das greves, ocupações e protestos. Frente a tudo isso, e a inexistência de uma organização que seja conseqüente, que tenha uma atuação cotidiana e um programa coerente com as necessidades dos trabalhadores. Que em cada luta, greve e ocupação, participando ou não das eleições burguesas, diga sempre a verdade aos trabalhadores. Que as eleições são um jogo de cartas marcadas e que só a luta pelo poder dos trabalhadores, através de uma revolução Socialista, é possível mudar de fato tudo que está aí.