O MARASMO DAS ELEIÇÕES:
O que está por trás da apatia das eleições de 2008 e da descrença dos trabalhadores no processo eleitoral e qual é a alternativa?
O processo eleitoral mudou radicalmente desde que Lula e o PT chegaram ao governo federal e frustraram mais de 50 milhões de trabalhadores. A massa trabalhadora ainda vota, porém não faz isso achando que vai melhorar de vida. O ceticismo, o marasmo e a apatia são o que mais chamam atenção nas eleições burguesas. E isso é muito progressivo.
As eleições municipais de 2008 não empolgam praticamente ninguém. Os comício de massas e as grandes mobilizações de apoio à candidaturas não existem mais. A base das campanhas nas ruas é a militância paga, que é feita por pessoas extremamente pobres e a preço de banana. O próprio debate programático e ideológico entre os candidatos deixou de existir para dar lugar a discursos vazios e à exibição da vida pessoal das figuras públicas. Por isso, o voto não é mais de confiança nem ideológico. Hoje, se vota no “menos pior” ou em quem compra o voto, como acontece muito nas periferias das cidades.
A burguesia e seus partidos tentam de todas as formas moralizar as eleições e torná-las mais empolgantes. A justiça eleitoral passou o ano inteiro fazendo propaganda na Rede Globo e demais emissoras, falando sobre a importância do voto. Tentam enganar os trabalhadores dizendo que a única e mais democrática forma de governar é através do voto a cada quatro anos e que, por isso, a responsabilidade de todos os problemas da sociedade seria dos eleitores, que elegeriam mal os candidatos. Na verdade, sabemos que isso é um deboche da cara do trabalhador, pois como dizer que o eleitor escolhe mal quando vota em um candidato que promete acabar com o desemprego, aumentar o salário, investir em saúde e educação, etc. e depois que é eleito e faz tudo o contrário não se tem nenhum mecanismo de destituí-lo?
Além das propagandas, a burguesia tenta de outras formas reanimar o processo eleitoral. Em algumas cidades, os partidos utilizam um número jamais visto de candidaturas femininas. Dessa forma, tentam renovar as propagandas, mostrando outro lado, mais pessoal e privado dos políticos. Além disso, o objetivo dessa tática é se utilizar do fato da mulher ser oprimida socialmente para dialogar com o sentimento de combate às opressões, que cresce em todas as partes do país, assim como crescem as lutas.
REPUDIAR A DEMOCRACIA DOS RICOS. FORTALECER A DEMOCRACIA OPERÁRIA E POPULAR
A burguesia e sua imprensa tentam de todas as formas, mas o fato é que os trabalhadores não acreditam mais nesse processo eleitoral. “Se o PT, que prometia romper com o imperialismo e construir um governo dos trabalhadores, foi eleito e traiu a classe trabalhadora, porque os demais candidatos, da direita e da esquerda, quando eleitos não farão o mesmo?”... é o que pensam, corretamente, a maioria dos trabalhadores.
Cada centímetro mais longe entre um trabalhador e a falsa democracia burguesa é uma vitória. Por isso achamos muito importante que esse ceticismo e desilusão com o voto existam. Porém, isso deve ser revertido para a crença nas lutas e na organização dos trabalhadores. É preciso repudiar a democracia burguesa e, ao mesmo tempo, apoiar e fortalecer a democracia operária e popular, nos sindicatos, nas associações de bairro, nos grêmios estudantis, etc. Nossa campanha pelo voto nulo nas eleições de 2008 está a serviço disso: enfraquecer e desmoralizar ainda mais a democracia dos ricos e corruptos e fortalecer as lutas e a organização dos trabalhadores, em cada local de trabalho, bairro e escola.