Lula prepara novo ataque a aposentadoria
Há algumas semanas, o governo Lula está discutindo o reajuste da aposentadoria e, junto com isso, algumas possíveis mudanças no benefício aos aposentados do país.
Depois de costurar um acordo rebaixado com as centrais pelegas, como CUT e Força Sindical, apresentou uma proposta de 6%. Existem divergências dentro do próprio governo em relação a outros pontos, como o fator previdenciário.
De acordo com a proposta do governo, os segurados receberão aumento que leva em conta 50% da variação do Produto Interno Bruto dos dois anos anteriores, mais o acumulado da inflação do período. Isso resultaria em reajuste de 6% a 7% para 2010. Assim como a maioria dos acordos salariais feitos com outras categorias recentemente, a proposta não repõe quase nada das perdas acumuladas ao longo dos últimos anos.
Sobre o fator previdenciário, o que o governo faz é uma confusão proposital para poder seguir mantendo esse cálculo que, na prática, é um ataque aos trabalhadores. O fator previdenciário é um método utilizado para que os trabalhadores adiem as aposentadorias, iludindo-se de que quanto mais tempo trabalhado, maior será sua aposentadoria. Assim, consegue esconder o total descaso com que os dependentes do INSS são tratados, com rendas miseráveis e sem condições de cuidar da saúde.
Além de oferecer um reajuste ridículo aos aposentados, o governo Lula tenta apresentar uma “grande alternativa” ao fator previdenciário, que seria voltar ao cálculo conhecido por “85/95”. Com este novo método, para que um trabalhador possa aposentar-se, ele precisa somar, entre tempo de vida e de trabalho, 85 anos para as mulheres e 95 para os homens. No final das contas, seguirá trabalhando praticamente a vida inteira.
No meio deste brutal ataque aos aposentados e aos trabalhadores que pensam em se aposentar, dentro do governo iniciou-se uma encenação de polêmica entre o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o Senador gaúcho, Paulo Paim, ambos do PT. Mantega veio a público dizer que a proposta de Paim faria estragos que nem mesmo a crise econômica causou, pois o projeto prevê um “gasto” de R$40 bilhões aos cofres públicos.
Caso exista alguma diferença entre um projeto e outro é que o de Paim propõe um reajuste igual ao do salário mínimo, e o governo, através de Mantega, propõe ser um pouco mais “econômico”, dando um reajuste mais miserável ainda. No fundo, o PT nada perde com isso, pois aparenta estar preocupado com o tema e, por tabela, ainda faz Paim aparecer como alguém preocupado com a categoria, na ânsia de angariar votos para a próxima eleição.
Parece piada o que tenta fazer o governo, com uma grande encenação para, depois aplicar um duro golpe sobre os trabalhadores. Para fechar com chave de ouro, o governo costurou um acordão com o PSDB para aprovar este ataque, provando mais uma vez que não existe nada diferente entre petistas e tucanos.
Derrotar Lula e as centrais sindicais traidoras
Só com luta, greve e ocupação é possível garantir conquistas
Assim como fez nas últimas campanhas salariais de diversas categorias, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) também assinou esse acordo com Lula. Além de não mobilizar a categoria, não é capaz sequer de se apoiar nos trabalhadores, pois foi responsável por acabar com as lutas que tiveram nos últimos meses. Isso aponta para a necessidade de passar por cima do governo e também das direções que há muito abandonaram a luta para se acomodarem nos gabinetes.
É necessário fortalecer resistência dos trabalhadores, derrotar o governo Lula e varrer a burocracia de dentro dos organismos da classe. Para garantir salários e aposentadorias dignas só com mais greves e mobilizações!
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