CUT e CONLUTAS realizam atos nacionais para pressionar Lula
No dia 11 e 12 de Fevereiro aconteceram atos organizados pela CUT e CONLUTAS. As manifestações fazem parte de um calendário lutas promovido pelas centrais e que culminará com um ato nacional no dia 1º de Abril. Além das duas centrais participaram também movimentos como o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), MST (Movimento dos Trabalhadores rurais Sem Terra) e o Movimento Estudantil. No Rio de Janeiro a manifestação aconteceu em frente à sede da Vale e contou com cerca de 300 participantes, em São Paulo, em frente a FIESP participaram cerca de mil pessoas. E em Minas 500 pessoas se manifestaram em frente à sede da FIEMG.
Estas manifestações são desdobramentos de uma série de discussões que vem ocorrendo entre as duas centrais e em base a alguns acordos que permitem que levem em conjunto um programa para supostamente combater a crise econômica. O que permite que essas duas centrais façam atos conjuntos não é apenas que tenham um ponto em comum, como prevê qualquer unidade de ação e que se pode fazer com qualquer setor, as mobilizações estão sendo construídas em torno de um programa comum, de um conjunto de eixos em que CUT e CONLUTAS defendem a mesma coisa.
O ponto principal da pauta das centrais é a exigir do governo Lula medidas que atenuem a crise econômica, embora com tons diferentes, a CONLUTAS em reuniões com ministros de Lula exige do governo uma medida provisória que proíba qualquer demissão, e a CUT embora assuma cada vez menos isso, também em reuniões tem defendido a redução da jornada de trabalho com redução de salários. Além disso, têm outros pontos em comum, como a reestatização da Vale que foi privatizada no Governo de FHC e contra a flexibilização dos direitos trabalhistas.
As exigências ao governo e a luta:
Lula precisa ser pressionado ou derrotado?
A CONLUTAS não comete um erro pelo simples fato de realizar atos em conjunto com a CUT, pois isso seria e é plenamente possível, desde que com uma política de enfrentamento direto com essa central que é o sustentáculo do governo Lula no movimento sindical. O problema da política assumida pela CONLUTAS é justamente o silêncio de todo e qualquer critica ou diferença com a CUT. A ausência de enfrentamento ou diferenciação com a central governista faz com que as duas centrais soem e parecem a mesma coisa aos olhos dos trabalhadores. OS governistas da CUT parecem ser grande aliados, quando na verdade são um dos grandes inimigos dos trabalhadores e de sua luta.
A maior “diferenciação” que faz a direção da CONLUTAS em relação a CUT é exigir de Lula “um algo mais”, que o presidente avance um pouco mais a esquerda nas medidas propostas pela CUT. Ou seja, a tarefa não é mais como derrotar Lula, mas sim pressioná-lo, pois combinando um pouco de lutas e exigências é possível fazer com que o governo conceda algo aos trabalhadores, tome uma medida mais à esquerda. Ao fazer isso a direção da CONLUTAS esquece tudo que Lula já vem fazendo aos trabalhadores, como aplicar reformas que vem aniquilar os direitos trabalhistas, o direito de greve. Esquece também que Lula vem demonstrando de que lado está em relação a crise, ao lado dos banqueiros, grandes empresários e latifundiários. Quando dizia que a crise seria apenas uma marolinha, ao mesmo tempo não poupava esforços em dar dinheiro para salvar banqueiro. Agora que empresas anunciam demissões e cortes de direitos, Lula não faz absolutamente nada para os trabalhadores. Na verdade faz, pretende que os cortes de salários, e as demissões sejam pagos com o FGTS dos próprios trabalhadores, ou seja, pretende que os trabalhadores arquem com os prejuízos da crise.
Nesse sentido, essas manifestações acabam deixando os trabalhadores desarmados para lutar contra a crise econômica, pois sequer apontam quem é o inimigo, e quem não sabe contra quem luta acaba não lutando, ou lutando em vão. Dizer que os principais inimigos são os empresários e patrões, poupando o governo Lula como faz a CUT é um crime contra os trabalhadores, pois é Lula quem garante o lucro e os interesses destes patrões. Mas mais criminosa é a política assumida pela direção da CONLUTAS, que surgiu como uma ferramenta de luta contra o governo Lula, de fazer também esse jogo. A tarefa dos setores que se colocam na oposição ao governo Lula se passa por lutar para derrotá-lo, e não para fazer pressões à esquerda, pois este não é um governo em disputa, muito menos é um governo com amplo apoio de massas que precisa ser desmascarado, é sim um governo Burguês e diante da crise vem cada vez mais demonstrando seu caráter.
A CUT é inimiga dos trabalhadores, não aliada!
Embora seja possível fazer atos conjuntos com centrais como a CUT e até mesmo a Força Sindical, estas manifestações devem servir como ponto de apoio para desmascarar estas centrais que traem os trabalhadores em cada luta e em cada greve. O papel dos revolucionários diante de centrais que conciliam a luta dos trabalhadores com os patrões é se jogarem com todo o peso na destruição destas centrais. Hoje o maior entrave no movimento de massas para que os trabalhadores saiam às ruas e derrotem a crise são justamente essas direções, onde se inclui a CTB (central criada pelo PC do B), pois o papel que cumprem no movimento é o de tentar fazer os trabalhadores crerem que o governo Lula é capaz tirá-los da crise.
Mas na vida real, na luta de classes, os trabalhadores estão sendo obrigados a ver onde leva essa confiança no governo Lula. Categorias nacionais do funcionalismo público estão sendo obrigadas a sair em greve contra o governo que na prática é o patrão. Os trabalhadores dos correios em 2008 fizeram em 12 meses 3 greves contra Lula que pretendia retirar direitos e também contra a privatização dos correios. Os bancários saíram em greve para pedir reajuste salarial, e mesmo depois da greve, por culpa das direções cutistas receberam um reajuste que não supria nem sequer a inflação do último período.
Diante de uma realidade onde a crise, o desemprego, o arrocho salarial, a retirada de direitos leva a que mais e mais trabalhadores lutem, e inclusive se utilizem de métodos radicalizados como ocupação de fábricas (como no caso da empresa que foi ocupada pelos operários demitidos em São Paulo), justamente por isso é triste o papel que vem cumprindo a CONLUTAS. Em nome de uma unidade com o que há de mais pelego dentro do movimento sindical brasileiro abre mão de fazer o combate frontal ao governismo, e acaba desarmando a luta dos trabalhadores.
É necessário derrotar Lula e a CUT!
A iniciativa de se fazerem atos que aglutinem o maior número de trabalhadores é bastante importante. Com certeza para se lutar contra a crise econômica será necessário que milhares de trabalhadores saiam às ruas, e essa deve ser a principal tarefa da CONLUTAS no próximo período, jogar todo peso nas mobilizações. Mas não parece ser a isso que está disposta a sua direção, a preocupação do momento são os chamados às centrais pelegas e as reuniões com o governo, em vez de fazer uma ampla campanha na base, com agitações, panfletos, greves e ocupações. A unidade que precisam os trabalhadores é a unidade na luta, para derrotar Lula e o congresso corrupto! Toda manifestação em que tiver a CUT e Força Sindical deve servir como um meio para ajudar a desmascará-las, pois é na luta, principalmente, onde deve se colocar estas direções na parede.
Para fazer com que sejam os ricos os que paguem pela crise no Brasil é necessário derrotar Lula a CUT. Só com fortes mobilizações voltadas contra o governo suas centrais sindicais é possível acabar com as demissões e o corte de direitos dos trabalhadores, é a serviço dessa luta que deve se colocar a CONLUTAS!
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