Publicada em 02/11/2009

Aumenta o índice de jovens miseráveis

Segundo o levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), intitulado Síntese dos Indicadores Sociais, 44,7 % das crianças e adolescentes de até 17 anos no país (o equivalente a cerca de 11 milhões de pessoas) estavam na condição de pobreza ou pobreza extrema no último ano.

Isso significa dizer que quase metade do “futuro da nação” tem o seu futuro –e presente- seriamente comprometido.

Os jovens são a parcela da população que se encontra praticamente num período de transição. O futuro reserva um grande ponto de interrogação quanto à possibilidade de ter emprego, já que cada vez está mais difícil garantir um lugar no mercado de trabalho. A necessidade das famílias em inserir seus filhos cada vez mais cedo nesse mercado faz com que o padrão de miséria se cristalize,criando um ciclo onde pais,filhos e netos mantem-se miseráveis devido à falta de perspectivas e oportunidades.

Na família de um trabalhador que vive com um salário mínimo, torna-se praticamente impossível garantir que seus filhos tenham como dar continuidade aos estudos e obter um diploma. Além dos custos gerados para manter-se estudando, em muitas famílias se torna uma verdadeira necessidade que esta criança gere uma renda extra. Assim, precisa ingressar no mercado de trabalho de qualquer maneira, deixando os estudos de lado.

Diante dessa situação de falta de oportunidades e condições para prepararem-se para o mercado de trabalho, muitos jovens sequer constam nas estatísticas do desemprego, pois nem conseguiram ter o primeiro emprego. Logo, uma das alternativas que os patrões encontram, fruto de uma grande demanda de mão de obra entre 16 e 25 anos, é justamente contratar alguns nessa faixa etária, com salários baixíssimos e sem ter o compromisso de dar qualquer direito além de um salário mínimo. É o que se chamam de estagiários.

Nas grandes empresas essa tática é usada como forma de conter gastos. Em alguns setores, ainda mais diante da crise econômica, criam-se planos de demissões voluntárias para que os trabalhadores mais antigos abandonem seus postos de trabalho (caros para o bolso do patrão, pois é obrigado a cumprir com as obrigações e direitos que esses trabalhadores conquistaram pelos muitos anos de mão de obra vendida). A burguesia incentiva de forma consciente o desemprego em massa entre a juventude, para poder melhor barganhar com os poucos empregos que oferece. Ou seja, superexplora quem ingressa no mercado de trabalho: milhares de jovens no subemprego, nos “bicos” ou nos famosos estágios, que nada mais são que a forma legalizada e institucional de passar por cima dos direitos históricos dos trabalhadores.

 

Lula e o Bolsa-Escola: assistencialismo eleitoreiro

Diante desta realidade, qual a grande iniciativa do governo para reverter a situação? Dar algumas migalhas às famílias através de programas como o Bolsa-Escola, fingindo que com essa esmola as famílias manterão seus filhos na escola.

Como não é capaz de garantir uma vida digna, com salários e empregos decentes, o governo tenta conter a raiva e o desespero de milhares de famílias dando bolsas que não suprem nem o mínimo necessário.

O mais absurdo é que é justamente num período pré-eleições, como o que estamos vivendo, que mais pessoas estão sendo incluídas nos planos assistencialistas de Lula. Para fazer uma discussão séria sobre isso, basta ver o quanto se gasta com estes programas, concluindo que nem se aproxima do que o governo doa para os grandes empresários através das dívidas interna e externa, ou para os banqueiros com isenção de taxas e impostos (os tais “incentivos fiscais”).

A juventude precisa de uma vida digna, com direito à educação e ao lazer. Por isso é necessário lutar por mais verbas para a educação, por empregos decentes e com todos direitos trabalhistas assegurados. Para isso a juventude deve unir-se à classe trabalhadora, pois a luta é uma só. Para acabar com a miséria, o subemprego, por uma vida digna, é necessário lutar contra o capitalismo e todos os governos que o sustentam.

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