USP: 57 dias em greve e exemplo da disposição de luta!
Terminada a grande greve na Universidade de São Paulo (USP), que mobilizou os servidores desta universidade, e, após, professores e estudantes, muitas lições ficam deste processo. A greve foi deflagrada a partir dos trabalhadores da USP que estavam entrando no período de campanha salarial, além de discutir também a necessidade de reajuste no auxílio alimentação, melhorias no plano de carreira, e também para lutar contra a repressão e criminalização por parte do governo e da reitoria sobre os trabalhadores e estudantes.
Um dos fatos que teve repercussão nacional nessa greve foi a postura da reitoria e do governo de SP, de José Serra (PSDB), ao mandar a tropa de choque ocupar o campus da universidade para reprimir o movimento, e tentar acabar à força com as mobilizações. Nessa ação selvagem, diversos manifestantes ficaram feridos, e a USP se tornou um verdadeiro campo de batalha, com bombas, tiros de borracha e prisões.
Com isso, ao invés de gerar medo, o movimento grevista conseguiu mais apoio, diante da reação de solidariedade aos lutadores: os estudantes da USP se declararam em greve em apoio à luta dos servidores e contra a repressão que tomava conta da universidade. Além deles, outras entidades estudantis e sindicais; outras universidades; e os professores da USP aderiram à mobilização, e foi organizada uma manifestação que percorreu as ruas de São Paulo, onde estavam presentes mais de 5 mil pessoas.
Esses últimos enfrentamentos ocorridos na USP são a prova de que, no que depender dos governos e reitorias, a educação vai seguir sendo sucateada, e quem se levantar contra isso vai ser recebido com balas e bombas pela polícia. Hoje aconteceu em uma universidade estadual, em que o governo é do PSDB. Mas essa postura da reitora Suely e de Serra não é nada diferente da postura de Lula quando reprime trabalhadores de categorias nacionais quando saem em greve, como os bancários, servidores do INSS, ou trabalhadores dos Correios.
Lula vai mais além, pois é ele o responsável em tentar colocar em prática a Lei de Greve, em que esse direito conquistado pelos trabalhadores, de pararem a produção, para forçar o patrão a negociar, vai ser tratado quase como um ato criminoso. Na prática, já foi isso que aconteceu na USP: a antecipação do projeto de Lula e o PT em relação à organização dos trabalhadores.
Por isso, além da natural solidariedade e apoio aos que lutam, é necessário denunciar a atitude do governador José Serra e da reitoria da USP em particular nesse caso, e mais que isso: é necessário dizer com todas as letras que a luta contra a criminalização dos movimentos sociais é uma luta que só terá sucesso se servir para derrotar o Governo Serra e também o governo Lula.
O resultado das mobilizações fez que a reitoria tivesse que ceder em algumas reivindicações dos trabalhadores. Saiu-se dessa greve com um reajuste de 25% no vale alimentação, reajuste de 15% no vale refeição, além de fazer a reitoria começar a rediscutir com os trabalhadores os planos de carreira. Além disso, a reitoria teve que se comprometer em não descontar os dias parados. Diante de inimigos (reitoria e governo) que não queria discutir nada, e ainda por cima mandou a tropa de choque bater em manifestantes, os trabalhadores saem com uma vitória parcial dessa luta, principalmente porque responderam à altura a tentativa de desmoralizar quem faz greve.
Mas por mais que tenham sido valorosas, são conquistas que, basta se passarem alguns meses, e já serão comidas pela inflação. Além disso, por trás dessa luta, está uma disputa por qual tipo de universidade vai existir no Brasil. De um lado, o governo Lula e os estaduais em conchavo com as reitorias vem implementando ataques à educação como o REUNI, Lei de Inovações Tecnológicas, Ensino à Distância, etc., que colocam a educação a serviço e nas mãos dos empresários e patrões e não a serviço do conhecimento.
Do outro lado, há a resistência, a luta e a combatividade de cada vez mais amplos setores, que compreendem que não são as eleições que vão resolver nada, tampouco ações judiciais ou tentativas de sensibilizar os patrões e governos. A experiência tem educado toda uma série de ativistas de que só a luta muda a vida. O que falta é unificar estas lutas e dotá-las de um programa de ruptura com o capitalismo.
Por isso, é necessário sair dessa greve pensando em algo muito maior, e considerar esses enfrentamentos apenas como o início de uma batalha dura e que exigirá disposição dos trabalhadores e das direções sindicais e estudantis em ir até o fim nessa luta. A USP mostrou o caminho.
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