Publicada em 24/10/2008

Bancários encerram greve histórica

            Os bancários do Banco do Brasil, bancos estaduais e privados, além de funcionários da Caixa Econômica Federal (CEF) de alguns estados votaram pelo encerramento da greve no dia 22 de Outubro. Algumas capitais e estados, como Brasília, RS, MA e RN estavam em greve desde o dia 30 de Setembro. Foi uma greve histórica, por muitos aspectos, e mais uma vez a categoria pôde fazer sua experiência com a direção oportunista da CUT e teve que se enfrentar com os banqueiros e o governo Lula.

Crise para os bancários e a população; tranqüilidade para os banqueiros

            A campanha salarial dos bancários, marcada para Setembro, começou com um mês de atraso, nitidamente para que a direção da categoria, nacionalmente ligada à CONTRAF/CUT e ao PT, pudesse salvar Lula e não atrapalhasse o calendário do 1º turno eleitoral, em 5 de Outubro.

            A demora em sair com a greve só não foi maior porque a base passou por cima de suas direções em muitos lugares, e obrigou a entrada em greve por tempo indeterminado desde o dia 30/09, em Brasília, no RJ e na CEF do RS, ao contrário do que orientava o comando nacional da CUT, que queria greve só a partir de 8/10. Além dos sindicatos ligados ao Movimento Nacional de Oposição Bancária e à Conlutas, estas bases citadas acima, e outras, foram responsáveis por romper o calendário eleitoreiro e desmobilizador da CUT, e reforçaram a luta bancária desde mais cedo. Esta decisão foi fundamental para pressionar não só os banqueiros e o governo lula, mas também para ajudar a que outros estados aderissem à greve.

            E esta greve foi fortíssima, como há muitos anos não se via. Em Brasília, chegou-se a assembléias de 4 mil bancários e milhares de trabalhadores em passeatas. No Brasil todo, a força dos piquetes e a adesão à greve foram impressionantes. Esta realidade mostra o crescimento da luta de classes no Brasil, e, ao mesmo tempo, a necessidade de se derrotar Lula e o conjunto do capitalismo.

            Enquanto se recusava a negociar com a Caixa e Banco do Brasil, Lula se reuniu com a presidência dos 2 bancos, além do BNDES, para organizar a liberação de compras públicas das carteiras de crédito podres dos bancos privados atingidos pela crise financeira.

            Lula mostrou que é inimigo dos trabalhadores, ao deixar bancários até 23 dias em greve, e, mesmo depois disso, apenas dar o reajuste miserável que os banqueiros privados deram. O governo Lula salva os banqueiros, liberando verbas e compulsório bancário, enquanto assiste à volta da inflação e chefia o arrocho ao funcionalismo, inclusive já anunciando cortes de investimento futuros.

Vitória política, mas derrota econômica

            O desfecho da greve se deu com um reajuste de 10% para quem ganha até R$ 2500, e de 8,15% para os demais bancários. Sobre benefícios como alimentação e refeição, que foi justamente o que mais subiu, ganhou-se só os 8,15%. Supostamente, estes valores serias superiores à inflação, mas é claro que é mentira! Para quem ganha até 3 ou 5 salários mínimos, a inflação esteve perto dos 15%. Quer dizer: na vida real, o salário está ainda mais baixo. Isso sem falar das perdas de até 100% desde o Plano Real, de 1994, como é o caso da Caixa.

            Esta proposta, aceita na maioria dos locais, é muito ruim, mas era muito difícil que pudesse ser maior. Isso porque, por mais força que tenha tido a base na greve, a Contraf/CUT já iniciou pedindo o valor irrisório de 13,2% de reajuste. A CUT já começou pedindo o que só era bom para os banqueiros e o governo! Além disso, atrasou a greve, não construiu os piquetes nacionalmente e conduziu a luta de forma despolitizada. Nestas circunstâncias, a greve foi até onde poderia ir, praticamente.

           Politicamente esta greve é vitoriosa, porque comprovou que os trabalhadores brasileiros estão mais à esquerda. Depois de 3 greves em Correios, manifestações em metalúrgicos, petroleiros e servidores federais, e até mesmo da greve da Polícia em SP, a greve de bancários, forte como foi, mostra que estamos avançando.

            Além do fato em si, de parar a “produção” por até 23 dias, os bancários encurralaram politicamente os banqueiros e o governo Lula, arrancando apenas um pouco mais de reajuste (7,5% para 8,15% a 10%), mas ganhando muito mais politicamente. A categoria sai muito mais forte da greve, e ficou demonstrado que é preciso romper com a Contraf/CUT se se quiser ganhar mais dos próximos anos.

Por uma direção de luta em bancários

            Além das correntes majoritárias que sustentam a Contraf/CUT, a pretensa esquerda da CUT, expressa em correntes como a DS (CSD, do PT) também faz o jogo do governo Lula quando se submete à orientação nacional. A “esquerda” da CUT prefere ficar com a “direita” da CUT, e seus cargos na CUT e no governo Lula, do que ficar com a base.

            Não adianta: a base percebeu, ainda que inicialmente, que é ela quem deve fazer o calendário de greve, definir o índice a ser reivindicado, e é só ela quem pode garantir a vitória da luta. Para isso, é preciso fortalecer as oposições em cada base onde seja a CUT a dirigir a categoria. E é preciso que se exija imediatamente a convocatória de plebiscitos, na base, com ampla democracia, para que consigamos romper e nos desfiliar da CUT de uma vez por todas.

Os bancários precisam de uma outra direção, assim como precisam se organizar e lutar junto com outros trabalhadores para derrotar Lula, que governa para os banqueiros; pela estatização sem indenização de todo o sistema financeiro; e por uma sociedade socialista. 

            O Movimento Revolucionário atuou de dentro da greve, tendo um militante com a mão fraturada pela polícia, com panfletos, intervenções e disputa cotidiana por fortalecer este caminho. Você, bancário ou não, venha para o Movimento Revolucionário ajudar nesta luta!

 

 

 
 
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