Publicada em 15/04/2009

Assaltos e mortes em bancos expõem caos: Não há segurança, nem crédito, enquanto mais de mil agências fecham.

Recentemente, após um aumento impressionante de assaltos a agências bancárias, carros-forte e lotéricas, mais um crime chocou a população e os trabalhadores em bancos. Duas pessoas morreram e outras oito ficaram feridas apenas em um assalto a uma agência da Caixa Econômica Federal, ocorrido em Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco. Passava das 9h30, quando teve início um tiroteio na área dos caixas eletrônicos da agência. Entre os mortos, o aposentado Francisco das Chagas Duarte Brito, 62 anos, ex-funcionário da Caixa, que tinha ido ao banco fazer pagamentos. A outra vítima atingida a tiros na cabeça foi Paulo Firmino da Silva, 33, identificado como um dos ladrões. Na troca de tiros, dois vigilantes da Preserve foram baleados. Um deles, José Enoque Soares da Silva, atingido na nuca, está em estado grave no Hospital Otávio de Freitas.

Quem chegou à agência logo após o tiroteio teve uma ideia do pânico que as vítimas passaram. Estilhaços de vidros espalhados por todos os lados se misturavam ao sangue do aposentado e do assaltante morto durante a troca de tiros com os vigilantes. Mais de 30 tiros foram disparados, diante da agência lotada. 

Infelizmente, esta notícia é cada vez mais comum no Brasil. A realidade de Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, etc., seja em grandes ou pequenas cidades, é de completa insegurança para os clientes e funcionários.

Neste sentido, é um escândalo que os bancários e outros servidores, como os estagiários, trabalhadores da limpeza e cozinha, todos submetidos ao risco de balas perdidas, serem feitos de reféns e agressões físicas e medo permanente não recebam adicional de periculosidade. É urgente que todos os bancários e demais trabalhadores nos sistema financeiro e apoio garantam o direito a 100% de periculosidade e risco de vida em seus vencimentos. 

Os bancários são recordistas em suicídios entre os trabalhadores, além de afastamentos por problemas psicológicos, sem contar inúmeras doenças como LER (Lesão por Esforço Repetitivo), que, ainda que musculares, assim como outras doenças, aparentemente alheias à pressão psicológica sofrida, expressam manifestações psicossomáticas também, devido à tensão constante envolvida na profissão. Sem direitos básicos, e acossados pelas ameaças de demissão em função da crise econômica, a declinante qualidade de vida dos bancários se manifesta num pior atendimento ao público, já explorado pelos bancos.

Menos 1688 agências em quase 15 anos.
Também menos crédito e juros mais altos

Os bancos, no Brasil, fecharam 1.688 agências entre 1990 e 2007, aponta levantamento do IPEA. O Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) apresentou no dia 7 de abril comunicado presidencial chamado "Transformações na indústria bancária no Brasil e suas implicações no cenário da crise atual". Conforme o documento, entre 1990 e 2007, foram fechadas 1.688 agências bancárias no país, ou seja, 100 por ano.

O número de agências bancárias no País andou na contramão da expansão do sistema financeiro nacional, pois, enquanto aumentavam em quase 20 vezes seus lucros, em casos que ultrapassaram mais de 2000%, a quantidade de agências caiu 8,4% - de 19.996 para 18.308. Até 2006, havia ainda 505 cidades sem qualquer posto de atendimento bancário.

Os pesquisadores usaram como base para a análise informações do Banco Central (BC). De 1996 a 2007, o número de instituições financeiras diminuiu de 230 para 156. Houve diminuição na quantidade de instituições públicas - de 32 para 13 - e privadas - de 198 para 143. O único segmento que ganhou participantes foi o das empresas bancárias estrangeiras, que passou de 41 para 56 companhias.

O encolhimento da soma de sucursais bancárias elevou a relação de habitantes por estabelecimento. Consequentemente, a pesquisa aponta para uma maior concentração bancária e aumento da população por agência. A redução do número de postos também fez com que aumentassem as distâncias médias percorridas pelo usuário. Em 1985, havia uma agência para cada 7.432 brasileiros. Em 2007, o número de habitantes por agência pulou para 10.145. Um comparativo do IPEA com informações do Banco Mundial (BIRD) sobre outros países demonstra que a proporção é de 1 para 3.372 nos Estados Unidos e chega a 1 para 1.089 na Espanha.

A falta de atendimento bancário fica ainda mais sentida nos estados brasileiros mais pobres, em que usar banco é quase um luxo, a que poucos podem ter acesso. Segundo dados de 2006, enquanto em São Paulo há um posto de atendimento para cada 6.812 moradores, no Maranhão, a proporção é de 1 para cada 26.917 habitantes. No Distrito Federal, existe uma agência a cada 18 quilômetros quadrados e, em Roraima, há uma a cada 11,8 mil km.

Crédito só para quem já tem dinheiro

De acordo com o levantamento do IPEA, houve redução na participação das regiões mais pobres nas operações de crédito e nos depósitos bancários entre 1997 e 2006. A Região Sudeste manteve-se durante o período como responsável por 72% dos depósitos, enquanto o Norte diminui a participação de 1,2% para 1,1% e o Nordeste, de 7,6% a 5,3%. Outro dado da pesquisa que chama atenção é o valor cobrado pelo crédito, no Brasil, pelos bancos estrangeiros, que chega a ser até dez vezes maior que no país de origem.

Em 2008, a pessoa física pagava no Brasil 60,4% de juros ao ano, enquanto nos EUA a porcentagem chegava a 13,96% e, na Zona do Euro, a 6,38%. Para pessoa jurídica, a taxa média era de 38,1% no Brasil, 4% nos EUA e 5,45% na Europa. A mesma disparidade aparece quando se compara a taxa de juros real praticada por bancos internacionais na matriz e no Brasil.

O HSBC cobra, em média, 6,6% ao ano no Reino Unido e 63,42% no Brasil. O juro do Santander na Espanha é de 10,81%. Já no Brasil, é de 55,74%. O Citibank cobra dos clientes norte-americanos 7,28% ao ano. Mas, dos brasileiros, 60,84%.

Estes números falam por si só. Os banqueiros lucram cada vez mais, e quem paga a conta somos nós. As multinacionais vêm sugar recursos do Brasil, e os banqueiros nacionais não ficam atrás: todos cobram juros abusivos, torturam psicologicamente seus funcionários e assaltam seus clientes, enquanto não garantem segurança nenhuma.

É preciso garantir dignidade aos trabalhadores em bancos e serviços bancários, com reajuste salarial, plano de carreira e salários, fim das terceirizações e incorporação de todos ao quadro efetivo dos bancos. Deve-se garantir o adicional de periculosidade e chamar mais milhares de trabalhadores aprovados em concursos.

Defendemos a imediata estatização de todo o sistema financeiro, sem um centavo de indenização, assim como a reversão das privatizações e venda de patrimônio público feitas por FHC, Lula e Serra, por exemplo. Os bancos devem ser 100% públicos, controlados pelos trabalhadores e com sua política de crédito e investimento voltadas aos interesses da maioria da população.

 

VOLTAR

 
 
Notícias Relacionadas

•A casa caiu! Economia brasileira encolhe 3,6%, e a recessão bate à porta do Brasil.

• Embraer demite mais de 4 mil e Lula dá aval!

•A "justiça" ataca de novo: MST, de vítima a réu

• Novas denúncias de corrupçãono RS: Mais lama no Governo Yeda

• Sindicatos do RS falam em “Fora Yeda” não para derrubar governadora corrupta, mas como campanha petista para eleições de 2010

• Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal batem recordes de lucro mesmo com crise. Lógica privada, juros altos e exploração de bancários explicam resultados