Corrupção no projeto de banda larga. Lula discursa para a população, mas dá dinheiro para o patrão.
Em reunião convocada com o intuito de discutir o plano nacional de banda larga, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que tem a intenção de reativar a Telebrás, para que a empresa funcione como a operadora estatal dos serviços de internet rápida no Brasil.
As empresas privadas do setor que atuam no país, entre elas OI, Embratel, Claro, Vivo, Telefônica e também a TIM não querem perder sua fatia do bolo e mandaram uma carta para Lula, solicitando a sua participação em qualquer discussão que venha a ser feita sobre o novo plano do governo.
Exigindo a contrapartida ao apoio que essas empresas deram a Lula durante sua campanha eleitoral e em diversos projetos, agora essas empresas querem abocanhar uma boa fatia do dinheiro público que estará disponível para o projeto.
FHC privatizou à base de muita corrupção.
O Sistema Telebrás foi privatizado com o mais lucrativo leilão da História do Brasil, no dia 29 de julho de 1998, na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Este governo, além dessa empresa, privatizou muitas outras estatais durante o seu mandato, como a Vale do Rio Doce, a Companhia Siderúrgica Nacional, etc.
Ao todo, faziam parte do sistema 12 empresas regionais e estaduais de telefonia, entre elas a Telerg, Telesp, Telebrasília e a operadora de longa distância Embratel.
Na época, foram levantadas muitas suspeitas de que havia um esquema montado para favorecer o consórcio liderado pelo banco Opportunity, de Daniel Dantas, no leilão da Tele Norte, uma das empresas nas quais a Telebrás foi desmembrada, que se tornou a Brasil Telecom.
E, logo depois, após outros tantos esquemas, se descobriu que de fato Dantas tinha sido favorecido com essas privatizações, assim como houve corrupção em todas as outras empresas públicas que FHC vendeu, sempre privilegiando setores ligados a seus próprios interesses.
Lula agora tenta dar a impressão de que é diferente de FHC, mas na verdade ele é igual ao tucano, tanto que durante todos seus 8 anos de mandato, seu governo não reestatizou nenhuma empresa, e o que ele pôde privatizou ainda mais, como são os casos do Banco do Brasil e da Petrobrás, com percentual privado crescente.
Nem mesmo o pré-sal, que nem começou a dar lucro aos cofres brasileiros, escapou: poderão ficar com a Petrobrás somente 30% das reservas de petróleo, e o resto parar nas mãos das multinacionais.
Lula segue a fórmula de seu antecessor
Assim como ocorreu na época da sua privatização com FHC, a "revitalização" da Telebrás também está sob suspeita, incluindo o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, o chefe do mensalão do PT, no centro da negociata.
Zé Dirceu agora está sendo acusado de ter recebido pelo menos R$ 620 mil de Nelson dos Santos, um dos donos da empresa Eletronet, para fazer lobby junto ao governo para reativar a Telebrás e utilizar os cabos da Eletronet, que possui uma rede de mais de 16 mil km de cabos de fibra ótica.
Quer dizer: um empresário comprou uma empresa sem cliente nenhum, nem lucro algum, mas cheias de cabos até então ociosos, já que as demais operadoras já têm sua própria rede. Então, como mágica, o governo "resolve" usar toda esta rede, transformando uma empresa falida em uma próspera candidata a potência empresarial, da noite para o dia. Esta decisão de Lula, ao que tudo indica, foi tomada por obra de Zé Dirceu, que ganhou quase um milhão de reais pela "dica".
O governo era o único dono da empresa, mas vendeu a maior parte de suas ações em 1999. A empresa mergulhada em dívidas de R$ 800 milhões foi comprada por Nelson Santos, que, na época, pagou apenas R$ 1 por parte das ações da Eletronet, com o compromisso de assumir as dívidas da empresa.
Agora ele pode lucrar R$ 200 milhões se o governo utilizar a sua rede para reativar a Telebrás.
VOLTAR |