Barbárie no Amazonas. Deputado traficante matava para poder mostrar na TV
O país inteiro ficou chocado com a revelação de que o deputado estadual de Amazonas e apresentador de TV Wallace Souza (PP), mandava matar supostos traficantes para aumentar a audiência de seus programas.
O caso só não ganhou ainda maior repercussão, pois o Amazonas é um estado periférico, e que não costuma dar muita notícia. Mas a comprovação deste crime é tão escandalosa que não tem como passar em branco. Souza é investigado por associação ao tráfico, aliciamento de menores e improbidade administrativa e pode ter o mandato cassado.
Wallace Souza foi o deputado estadual mais votado do Amazonas em 2006 quando comandava um programa de TV campeão de audiência. Há seis meses surgiram acusações de que ele seria o líder de uma organização criminosa da qual seu filho, Raphael Souza, também faria parte. Entre as atividades do grupo estariam o tráfico de drogas e a execução de traficantes rivais.
Se for considerado culpado das acusações, Souza poderá ter o mandato cassado e perderá o foro privilegiado. Além de responder a processo na Assembleia Legislativa e na Justiça Estadual, o deputado responde também à Justiça Federal por suposta participação em uma trama para matar uma juíza federal.
Burguesia assassina e criminosa segue se elegendo
As denúncias contra o deputado Wallace Souza começaram no final do ano passado, quando o ex-policial militar Moacir Jorge Pereira da Costa, o "Moa", foi preso. Ele era conhecido pela Polícia Civil como "matador de aluguel" e disse, ao ser detido, que era funcionário de Wallace Souza.
A princípio, o parlamentar negou conhecer "Moa", mas foi desmentido após a publicação de fotos em que os dois apareciam em uma "confraternização" na piscina da casa do deputado.
Após as denúncias de "Moa", o Ministério Público Estadual (MPE) criou uma força tarefa para investigar o caso. Em 24 de abril, a Polícia Civil cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa do deputado. Lá, a polícia encontrou munições de calibre restrito ao uso das Forças Armadas, além de US$ 15 mil e R$ 234 mil. Foram encontrados também bilhetes que, segundo a polícia, são referentes a uma encomenda de armas. Além disso, a polícia encontrou um outro bilhete que conteria um organograma da quadrilha que seria comandada por Wallace e seu filho.
Eles respondem a processos por formação de quadrilha, associação para o tráfico, coação de testemunhas, porte ilegal de armas de uso restrito e porte ilegal de uso permitido. Paralelamente ao processo na Justiça, a Assembleia Legislativa instaurou um processo por quebra de decoro parlamentar.
O deputado estadual já trabalhou como policial civil, jornalista e construiu sua carreira política em cima do sucesso de seu programa de TV, o "Canal Livre", que apresentava ao lado de seus dois irmãos, o vice-prefeito de Manaus, Carlos Souza (PP), e o vereador Fausto Souza (PP).
Desde o início das denúncias, o programa está fora do ar. Tratava-se de um programa no estilo "policial" em que o trio se revezava em críticas a segurança pública e exibia a prisão de criminosos.
Segundo depoimento prestado por "Moa", alguns dos crimes exibidos por Wallace em seu programa eram praticados por uma quadrilha comandada pelo próprio deputado e seu filho, Raphael Wallace, de 19 anos, que está preso por porte ilegal de armas. Segundo o ex-policial, as equipes de reportagem do programa chegavam antes dos concorrentes por já saberem, antecipadamente, onde e quando eles iriam acontecer.
Esse caso escabroso lembra outro igualmente macabro, envolvendo o ex-deputado federal Hildebrando Pascoal (PFL-AC), ex-coronel e chefe de uma quadrilha de assassinos e traficantes, condenado por ter matado pessoas com uma motosserra.
Por mais que estes exemplos sejam mais “incríveis” e absurdos que outros, são dezenas de deputados, senadores, prefeitos e todos os tipos de políticos, os que estão envolvidos com o crime organizado. Isso só comprova que a burguesia “legal” é apenas a outra face da burguesia “marginal”, semi-lúmpen, responsável por todo tipo de atrocidade e crimes. Quando eles não elegem seus próprios membros ou chefes, financiam campanhas dos que vão os defender.
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