Publicado em 08/02/2009

INSATISFAÇÃO NAS BASES E TRAIÇÕES NAS CÚPULAS 

Diante da crise, cúpulas das centrais sindicais optam com acordos e reuniões de gabinetes com governo e patrões, enquanto os trabalhadores querem lutar

                No início de 2009 a crise econômica mundial cresceu, e como consequência a burguesia e os governos voltaram a debater medidas e soluções para evitar as falências e salvar os lucros das grandes empresas. A nova solução defendida por eles é a velha fórmula de empurrar a crise para cima dos trabalhadores. A redução da jornada de trabalho, acompanhada da redução dos salários e direitos é a saída mágica para a burguesia e o capitalismo, pois resolve o problema de superprodução, como a própria burguesia já vem fazendo (através de férias coletivas) e ainda ganha de mão beijada a redução dos salários dos trabalhadores.

                Para aparentar que essa saída é do tipo "todo mundo perdendo um pouquinho", a grande mídia vem apresentado em todos os seus noticiários os "esforços" de empresários e do governo para salvar seus lucros e as grandes empresas, como se eles estivessem sem dormir diante da possibilidade de demitir, e a redução de salários fosse seu último recurso. Assim, tentam cobrar dos trabalhadores que também façam a "sua parte", com concessões (leia-se: abrir mão de direitos e salários) para que salvem as empresas onde trabalham, e seus empregos, por tabela.

                Essa ideologia e justificativa de "unidade de classes" é uma mentira, que só serve para comprometer os empregados com o lucro de seu patrão. Nessa lógica burguesa, é o patrão quem "dá" emprego ao trabalhador. isso é um absurdo, pois o funcionário, em qualquer emprego, paga seu salário com seu próprio trabalho. Além disso, há muito mais trabalho que ele realiza e que ele não vê nem a cor, indo tudo para o bolso do patrão. Por isso, é o trabalhador quem sustenta o patrão, e não o contrário. Os burgueses é que devem suas fortunas, seu conforto e vida boa aos trabalhadores que suam de sol a sol nas fábricas, lojas e empresas em geral.

           Não bastasse essa inversão de papel dos grandes empresários (de parasitas, sendo considerados bem-feitores), a medida em si mesma de reduzir salários não vai mudar nada no sentido de impedir a recessão ou demissões. Mesmo com a redução dos salários e das jornadas de trabalho, diversos trabalhadores seguem perdendo seus empregos todos os dias. A cada novo dia uma multinacional diferente anuncia milhares de demissões. Isso acontece porque a crise é gigantesca, e não há mais lugar para toda a produção existente hoje, diante dos baixos salários dos trabalhadores, que não têm mais como aumentar seu consumo.

                Como resposta às demissões e à retirada de direitos, os trabalhadores ao redor do mundo vêm reagindo com protestos e lutas. No Brasil, não é diferente, mesmo com as maiores centrais sindicais do país completamente submissas ao governo e aos patrões. As bases das categorias, devido a sua indignação e disposição para a luta, vêm obrigando as direções pelegas a organizarem protestos, e até mesmo assumirem uma política de enfrentamento "light" com os patrões e governo (o que já é mais do que desejavam).

Os trabalhadores precisam lutar, enquanto as direções das centrais defendem reuniões e conchavos com os patrões e o governo

                Diante do aumento da exploração dos trabalhadores e da crescente revolta dos trabalhadores com o desemprego, as direções das centrais sindicais não se propõem a organizar suas bases para a luta por emprego e em defesa dos salários e direitos. Na contramão da necessidade e vontade dos trabalhadores, os dirigentes preferem  acalmar suas bases, alegando que o momento  é de sentar com os patrões e o governo e achar uma saída comum para a crise.

                Essa saída desmobiliza os trabalhadores e os coloca à mercê das vontades e interesses de seus inimigos, que querem ganhar, mesmo na crise, às custas dos funcionários. Um exemplo da disposição de luta dos trabalhadores, que rompe com essa lógica de entregar os pontos, foi a ocupação de uma fábrica de automóveis em Chicago, nos EUA. Diante da demissão, seus funcionários ocuparam a fábrica, mesmo contra a orientação dos dirigentes do sindicato, que defendiam a negociação com os patrões.

                Na busca pela solução "boa para todos", os dirigentes de sindicatos da CUT e Força Sindical já negociaram e acordaram em reuniões de cúpula com a burguesia a redução dos salários e da jornada de trabalho, que foram cortados em média 15% nas diversas categorias. Em meio as suas reuniões estes dirigentes se preocupam mais em evitar que os trabalhadores se revoltem e lutem, do que em manter os salários e direitos de suas bases, como dizem. Este é o caminho que vem sendo defendido pelos pelegos e governistas, o de salvar o lucro dos patrões através do arrocho e exploração maior dos trabalhadores. A Força está traindo os trabalhadores dizendo isso aberta e orgulhosamente. A CUT faz o mesmo em muitos locais, mas finge ser contra reduzir direitos quando perguntada. São duas formas diferentes de fazer a mesma agressão à sua própria base.

                A própria CONLUTAS, que através de sua direção tem se preocupado mais em fazer exigências a Lula do que em organizar qualquer tipo de protestos, através de cartas reunião com governo,  vem se somando a estes dirigentes que privilegiam as reuniões de cúpula, ao invés de estar ao lado de suas bases. A CONLUTAS não fez um ato nacional sequer, um chamado à um "dia de protesto", a algumas horas de paralisação em categorias mais importantes; nada! Não há nenhuma iniciativa de rua, de ação direta, por parte da CONLUTAS diante da crise.

               Em compensação, são constantes as tentativas de atuar em conjunto com todas as centrais pelegas para pressionar o governo e exigir que Lula tome "medidas concretas" e que "é preciso mais do que palavras" para salvar os empregos. Essas palavras e exigências genéricas se resumem a pressionar o governo pela cúpula, sem qualquer movimento de massas real acontecendo que obrigasse o governo a ceder. Mesmo o programa dessas "exigências" vazias não vai além de medidas paliativas como decretos e medidas para garantir o emprego dos trabalhadores formais e poucas outras reivindicações. A plataforma dos pedidos da direção da Conlutas não apresenta nenhum item que signifique derrotar Lula e seu governo, responsáveis pelos efeitos da crise no Brasil. Os trabalhadores informais, desempregados há mais tempo e demais setores que são vítimas da crise não podem ganhar nada, sem que o governo Lula seja derrotado como um todo.

A saída dos trabalhadores passa pela luta, na rua e direta, contra os patrões e o Governo Lula.

                O maior alívio dos patrões e dos governos em meio a esta crise econômica são justamente os dirigentes sindicais das principais centrais do país, que  vêm se mostrando bastante "conscientes e responsáveis" de seu papel de contribuir com a burguesia para que salvem suas empresas da crise. Isso porque seria terrível para qualquer patrão que, diante de uma demissão ou redução de salário, os trabalhadores fizessem uma greve ou protesto, e os dirigentes da CUT e da Força, sabendo disso, não poupam esforços para acalmar suas bases e convencê-las de que é melhor perder os diretos a perder os empregos.

                Nós do Movimento Revolucionário repudiamos o papel cumprido pelas direções sindicais pelegas e governistas, que defendem as reuniões de cúpula e desmobilizam os trabalhadores. Por isso, estamos na Conlutas para lutar pela mudança de sua aual política, que não corresponde à necessidade dos trabalhadores.

                Defendemos que a saída pra salvar o mundo da crise só poderá ser bem sucedida se vier por meio das mobilizações de massa, contra os patrões e o governo. Não existe uma solução que irá ser boa tanto para os patrões quanto para os trabalhadores. Ou os trabalhadores impõem através da luta suas necessidades e direitos, ou os patrões acabarão com todos os direitos dos trabalhadores sob a desculpa da crise.

                Para cada ameaça de redução salarial, demissão  ou retirada de direto devem ser realizados protestos e greves. Não somente da categoria atingia, mas de todos os trabalhadores. Cada dirigente que propuser a conciliação com os patrões deve ser atropelado pelos trabalhadores com sua luta. A saída para crise está nas ruas, na mobilização dos trabalhadores, e não nos gabinetes e reuniões de cúpula.

 

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