Bate-boca no Senado não engana: eles são todos Sarneys!
A baixaria no Senado gerou manchetes na mídia. Evidentemente que nenhum bate-boca consegue superar as façanhas de José Sarney na presidência da casa.
Ele, que emprega parentes no órgão, a salários altíssimos pagos com dinheiro público, e usa verba pública para fins pessoais, tem o inabalável apoio de Lula e do alto escalão do PT (como Zé Dirceu, que está voltando com tudo). Esses corruptos não se constrangeram em serem a peça fundamental para o arquivamento de sete representações contra Sarney, no cinicamente chamado “conselho de ética”.
Esse vem sendo o motivo da paralisia do Senado: diante de tamanha desmoralização frente à população, que cada vez mais se sente desmotivada a votar e desacreditada da política tradicional e corrupta, o governo não discute, e nem aprova, projeto nenhum.
E tudo porque o assunto é um só: o que fazer com Sarney!
Em mais um capítulo da novela de baixo nível que é o Congresso, a primeira discussão pública a virar notícia, foi entre o senador gaúcho Pedro Simon (PMDB) e o seu correligionário senador de Alagoas, Renan Calheiros.
Simon, que estava intervindo, defendendo o afastamento de Sarney da presidência da casa, foi interrompido por Calheiros. As acusações do senador alagoano deixaram clara a demagogia e a falsidade dessa corja, que finge desafetos: acusou Simon de ir ao gabinete de Sarney prestar solidariedade para, depois, no plenário, dizer o contrário para fazer média com a população. Calheiros, por mais ladrão que seja, falou o que se costuma esconder: Simon também é corrupto (vide participação nos escândalos do Banrisul do governo Yeda) e anda junto com a escória do país.
A resposta de Simon veio no mesmo nível: “Vossa excelência foi à China fazer acordo com o Collor. (...) Na véspera do Collor ser cassado, Vossa Excelência largou o Collor. Lá pelas tantas, apareceu como ministro da Justiça do Fernando Henrique. Lá pelas tantas, largou o FHC. Agora é o homem de confiança do Lula”.
É, como se diz popularmente, o sujo falando do mal lavado. Para terminar o circo, Collor ainda resolver mandar Simon engolir e digerir o que havia dito. O que Simon reconheceu, depois, ter “sentido medo” de Collor. Não se sabe se rimos ou se choramos.
Ou seja, TODOS eles têm inimigos meramente momentâneos, com quem, logo à frente, formarão alianças para dividir cargos e enriquecer mais um pouco.
Renan Calheiros, três dias depois, resolveu discutir, dessa vez, com o tucano Tasso Jereissati. Fora do microfone, teria chamado Tasso de “coronel de merda”, enquanto que, publicamente, um acusou o outro de utilizar verba pública para fins pessoais.
Quer dizer, o que se pode ler desses bate-bocas é que eles são todos Sarneys: corruptos, vendidos, mafiosos... Esquecem qualquer desavença para conseguirem uma boquinha a mais, pois não tem qualquer princípio ou comprometimento programático. Seu único interesse é tirar vantagem e enriquecer a qualquer custo. E, enquanto isso, os trabalhadores que se danem!
O triste papel fica, mais uma vez, com o PT. O partido que já defendeu a ética, lá no século passado, preferiu se esconder no plenário e aproveitar os minutos em que seu grande aliado, José Sarney, ganhava um pouco de sossego, sendo substituído no picadeiro pelos “artistas” da vez.
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