Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal batem recordes de lucro mesmo com crise. Lógica privada, juros altos e exploração de bancários explicam resultados
O Banco do Brasil anunciou nesta quinta-feira que o lucro líquido do quarto trimestre do ano passado mais que dobrou, impulsionado pelo maior crescimento da carteira de crédito do grupo desde 2000. A instituição teve um ganho líquido de R$ 2,944 bilhões nos últimos três meses de 2008, contra resultado positivo de R$ 1,217 bilhão um ano antes. No ano passado como um todo, o lucro somou R$ 8,8 bilhões, um salto de 74% sobre 2007.
Caixa Econômica Federal (CEF), também sobre o ano inteiro de 2008, registrou um lucro de R$ 3,9 bilhões, o que é 62,3% mais que em 2007, quando o banco público alcançou um lucro de R$ 2,4 bilhões. As operações de crédito também foram o carro-chefe deste crescimento, totalizando um volume financeiro de R$ 80,1 bilhões.
Quando se diz que os lucros recordes e indecentes de BB e CEF vieram do “crédito”, o que isso quer dizer? Quer dizer que os dois bancos estão fazendo fortunas através de empréstimos com juros absurdos, a aposentados ,estudantes, trabalhadores apertados em dívidas, e assim por diante. No BB, foi o crédito à pessoa física que disparou 52,5% no ano, para R$ 48,8 bilhões! A Caixa, por sua vez, ainda prevê um aumento de mais 30% do crédito em 2009.
Mesmo com quedas insignificantes de juros nos últimos meses, BB e CEF seguem a lógica do mercado e atuam com taxas parecidas aos banqueiros privados do Itaú, Bradesco e Santander.
A Caixa, por exemplo, que tem o monopólio da administração dos recursos do FGTS, capta bilhões de reais todos os meses por meio dos saques efetuados pelos trabalhadores em suas agências. Ao mesmo tempo que remunera o ex-funcionário privado de 35 anos de contribuição, agora aposentado, com 0,65% de rendimento, na poupança, empresta o dinheiro dessa pessoa a 7,35% no cheque especial.
Esta diferença de 6,7% nominal, ou de lucro de quase 1100% sobre o custo da captação do recurso, chamada de spread, é o que faz a alegria dos banqueiros e afunda ainda mais a classe trabalhadora.
Na Caixa, por exemplo, o spread aumentou no fim do ano, apesar da propaganda enganosa de Lula, de que os juros baixaram. A explicação furada do banco diz que uma eventual elevação dos spreads ocorreu de forma "não ativa". O vice-presidente de finanças do banco, Márcio Percival, afirma que o spread oscilou de forma "involuntária". É para rir, né?
Esse lucro gigantesco de quase 9 bilhões de reais do Banco do Brasil vai, em boa parte, para as mãos dos donos privados do banco, a partir das privatizações parciais feitas por FHC, e principalmente Lula. Outra parte, ainda um pouco maior, que o governo Lula detém, recebe o resto do lucro, que ajuda a somar para o superávit primário, economia usada do orçamento para pagar juros da dívida pública, além de ajudar empresas e banqueiros agora na crise.
Ou seja, os trabalhadores é que pagam o lucro dos banqueiros, com juros criminosos, e com seu suor dia-a-dia nas agências, onde bancários são campeões de suicídio, doenças psiquiátricas e de LER-DORT. A terceirização e privatização por dentro, que Lula faz no BB e na CEF, afastam o banco da população, que paga muito e obtém muito pouco dos bancos públicos.
Essa realidade só vai mudar com a luta dos bancários, funcionários subempregados das empresas terceirizadas e o conjunto da população, que precisa de bancos públicos, mas não de uma Caixa e um Banco do Brasil que funcionem na lógica privada, do lucro a qualquer custo e explorando trabalhadores.
É necessário reestatizar o conjunto dos dois bancos, chamar milhares de novos funcionários por meio dos concursos públicos, abrir mais agências, acabar com a privatização e terceirização como o caso das lotéricas, baixar os juros, e colocar os dois bancos, de verdade, a serviço do emprego e desenvolvimento para os trabalhadores. Isso só é possível com a derrota do governo Lula e seu projeto, e com a luta organizada dos trabalhadores, contra o conjunto do capitalismo.
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