Banco do Brasil compra Votorantim, que compra Aracruz, com dinheiro do BNDES
A atual crise econômica definitivamente não afeta os maiores capitalistas, a não ser para lhes garantir ainda mais lucros e riquezas. Um desses exemplos é o grupo Votorantim, conhecido inicialmente por sua atuação no ramo da construção civil, mas que, graças às boas relações com governos, de FHC e Lula, principalmente, se transformou num enorme conglomerado. Hoje, existe o Banco Votorantim, assim como a Votorantim Celulose e Papel (VCP), que administra florestas de eucaliptos e reflorestamento.
Pois um dos ramos do grupo, o do Banco Votorantim, anunciou prejuízos diante da crise, o que imediatamente fez com que Lula saísse em socorro de seu amigo e financiador de campanha Antônio Ermírio de Moraes, dono da holding. Por ordem do governo, o Banco do Brasil comprou 49,99% das ações do Banco Votorantim, salvando o banco, sem assumir nenhum controle em suas decisões. O percentual foi justamente definido para assumir o máximo de socorro a este burguês amigo do governo, sem que isso afetasse o controle privado da empresa.
Essa ajuda a um mega-empresário, por meio de um banco público como o BB, justificada pela suposta dificuldade da Votorantim, é um deboche à população brasileira, pois, justamente neste mesmo momento em que ganhava dinheiro para "não quebrar", a Votorantim comprava outra empresa, de novo com dinheiro público (desta vez, do BNDES).
Negócios em família: ricos são protegidos por Lula e seguem lucrando
O Grupo Votorantim comprou 28% do que as famílias Lorentzen, Almeida Braga e Moreira Salles (ex-controladores do Unibanco e sócios do Itaú) possuem na Aracruz, por cerca de R$ 2,7 bilhões. Agora, o braço florestal da Votorantim, a VCP, é a maior empresa do mundo. Além disso, a Votorantim deve comprar também a participação da família Safra (outra família de banqueiros). O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai emprestar dinheiro ao Votorantim, na forma de compra de debêntures, e vai garantir também a compra de ações que serão oferecidas no mercado. Ao todo, o BNDES poderá fazer um aporte de até R$ 2,4 bilhões na operação.
Para efetivar este negócio, bom para todos os burgueses envolvidos, mas especialmente para os donos da Votorantim, foi decisivo o aporte de recursos feito governo federal, por meio do Banco do Brasil: os Ermírio de Moraes receberam R$ 4,2 bilhões por 49,99% do capital votante e 50% do capital total do Banco Votorantim, o que não garante nenhuma decisão ao governo. O negócio foi anunciado pouco antes da transação da Votorantim e da Aracruz.
As operações da Votorantim não pararam por aí. O BNDES financiou a compra, pela construtora Camargo Corrêa, da fatia da Votorantim Participações no capital da CPFL Energia. Com o negócio, fechado por R$ 2,563 bilhões, a Camargo Corrêa, uma construtora envolvida em vários escândalos de corrupção e financiador de Lula, ganhou ainda mais patrimônio. Junto disso, a Votorantim ganhou uma fortuna, que veio do orçamento público do BNDES: o 3o socorro de Lula à Votorantim em pouco mais de um mês.
Assim fica fácil saber por que para alguns setores o governo lula é o melhor da História, e, por isso, banqueiros e empresários não medem limites para financiar as campanhas do PT e partidos governistas, que depois lhes devolvem 10 vezes mais, com juros e correção monetária.
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