Estudantes boicotaram o Enade de Lula, igual ao Provão de FHC
Entidades de alunos e professores denunciam prova que justifica corte de verbas públicas
O Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), realizado no dia 9 de Novembro, foi marcado pelo boicote, quer atingiu boa parte dos 564 mil alunos, de 13 cursos que estavam convocados para a prova. Assim como nos tempos de FHC havia o Exame Nacional de Cursos (ENC), conhecido como Provão, o Enade de Lula serve para fazer as universidades rivalizarem entre si para disputar quem vai ganhar verbas.
A nota do Enade serve para justificar o corte de verbas das Universidades que forem "mal", conforme o resultado apenas da nota obtida na prova. Um bom resultado, pelo contrário, não garante aumento de verbas. Esta realidade é absurdo do início ao fim, pois, mesmo que o Enade aferisse alguma coisa real, ele apenas constataria a falência e abandono do próprio governo em relação à educação.
É o governo Lula que, ao continuar a obra de FHC, deixa as universidades sem recursos, com contas de luz atrasadas, falta de professores, bolsas de pesquisa fechando e a qualidade do ensino indo para o ralo. Enquanto isso, a democracia para escolha dos reitores não existe e as fundações privadas tomam conta da universidade pública. O Enade vem para esconder esta discussão, e responsabilizar as universidades que são vítimas disso, como se fossem elas as culpadas e merecessem perder ainda mais recursos.
A prova começou a ser aplicada em 2004, pelo governo Lula e faz parte do projeto de reforma universitária que vem sendo aplicado pelo governo federal desde 2003. Desta forma, já surgiu com o objetivo de avançar a presença privada nas universidades, aumentar a quantidade de alunos por sala e por professor, cortar verbas do orçamento e desqualificar o ensino. Além do Enade, o ProUni, o ReUni e as leis de inovação tecnológica, são instrumentos deste plano que transforma as universidades em centros de formação de mão de obra barata e não de produção de conhecimento e preparação social.
Como a participação no Enade é obrigatória, os estudantes compareçam aos locais de prova, mas entregaram as provas em branco, como forma de protesto. É claro que apenas o boicote não vai resolver a situação. É preciso realizar manifestações, ocupações de reitorias, greves de professores e estudantes, onde for o caso e possível. Somente nas ruas e com muita mobilização é possível arrancar mais verbas para a educação e derrotar Lula e o Congresso Nacional corrupto, que atacam o ensino brasileiro.
Quase todos chamaram o boicote! Estamos unidos?
Além das entidades mais combativas do Movimento Estudantil, como DAs e CAs de esquerda e oposição ao governo Lula, o boicote ao Enade, este ano,. Foi uma quase unanimidade. O Encontro Nacional de Estudantes (ENE), organizado pela Conlute (Coordenação de Luta dos Estudantes, ligada à Conlutas, que se opõem à UNE e CUT respectivamente) fez esse chamado. Neste processo, diversas executivas de cursos, como a FEMEH, DENEM e a Exnel, através de seus encontros nacionais, aprovaram a campanha de boicote ao Enade. Além de estudantes de quase todos os cursos, a Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes) também defendeu o boicote, expressando a unidade aluno-professor em defesa da educação pública.
Mas, o mais incrível, é que também a União Nacional dos Estudantes (UNE) chamou o boicote, pelo segundo ano consecutivo. A UNE defende o governo Lula com unhas e dentes, inclusive tendo organizado um ato em defesa de Lula durante o mensalão, além de seu ex-presidente, Gustavo Peta, ter recebido dinheiro diretamente do governo em sua conta. A direção da UNE é do PCdoB, partido da base do governo, que apóia todos os ataques aos estudantes.
O que explica esta suposta "unidade" de todos contra o Enade, porém, não é a defesa da educação. Muitas entidades oportunistas, a UNE entre elas, só estão a favor do boicote porque ele é uma realidade. Os estudantes universitários de todo o Brasil têm demonstrado sua força e estão passando por cima de suas direções. É isso que explica as ocupações de reitoria na USP, UNB e UERJ, para ficarmos nas mais destacadas nacionalmente. O Movimento Estudantil, junto com os trabalhadores, está voltando a lutar, e é por isso que algumas entidades traidoras se obrigam a fingir que se mobilizam.
A presidente da UNE, Lúcia Stumpf, deixa isso claro quando admite que não pretendia se conflitar com Lula: "A gente vinha desde 2004 sem promover boicote por entendermos que essa era uma fase de implementação dos Sinaes, foi um esforço que fizemos junto com MEC[Ministério da Educação]." Para quem não sabe, o Sinaes é o plano geral de avaliação das universidades, que contém a prova aplicado aos estudantes, chamada de Enade.
Para a UNE e sua presidente, "os estudantes precisam sim ser avaliados, mas isso não pode ter peso maior do que a avaliação dos professores, da estrutura física da instituição, das suas condições democráticas de funcionamento e uma série de outros valores". Esta é a lógica do Sinaes, UNE, governo e setores da "esquerda" eleitoreira, para quem o problema é a "forma" autoritária do processo, ou o Enade exclusivamente.
Para nós, do Movimento Revolucionário, ao contrário, todo o Sinaes é parte do plano de Lula de atacar o ensino público e gratuito. Quando a UNE critica o Enade é para defender o resto dos ataques de Lula. Da mesma maneira, setores do PSOL que ainda compõe a UNE, ou que se recusam a construir a Conlute fazem um jogo parecido, pois criticam e boicotam o Enade, mas sustentam a existência da traidora UNE e se recusam a lutar contra o governo Lula de conjunto.
É necessário saudar e reforçar ainda mais o boicote ao Enade! Mas é mais necessário ainda estimular a ruptura com a UNE, a construção da Conlute e o combate ao governo Lula e seus aliados estaduais, que destroem a educação.
Somos contra a atual orientação da direção nacional da Conlute (PSTU), que não se enfrenta com esses setores. A unidade que queremos é com os estudantes na base de cada universidade e com os milhões que são excluídos do ensino superior. É com eles que devemos nos unir para combater Lula, o Enade e o Sinaes.
Por mais verbas para a educação. Verbas somente para o ensino público. Pela estatização do ensino pago. Fim do vestibular, pela universalização do direito ao ensino superior!