Publicado em 13/01/2010

Boris Casoy, ex-membro do grupo fascista e terrorista CCC, e ex-político da ditadura assassina de Médici, agora declara ódio aos lixeiros

“Que merda! Dois lixeiros desejando felicidades do alto de suas vassouras. Dois lixeiros... O mais baixo da escala de trabalho!”. Com esta frase fascista, preconceituosa e revoltante, contra os trabalhadores lixeiros especificamente, mas contra todos os trabalhadores em geral, por consequência, o elitista Boris Casoy mostrou mais uma vez quem é: um fascista, fracassado e ignorante.

Boris é o atual âncora do principal jornal da emissora Bandeirantes, famosa pelo nome em homenagem aos assassinos de índios, estupradores de mulheres e bandidos do período colonial brasileiro, e pela linha editorial francamente fascistóide, de ódio a sem-terras, movimentos sociais e qualquer coisa que possa expressar algo contrário ao status quo de gente “chique” e “da alta sociedade” como Casoy.

Depois da frase fascista, e de sua desculpa esfarrapada, em que lamenta ter “vazado” a frase, e não a frase em si, Boris Casoy voltou a ser assunto, depois de permanecer um jornalista fracassado e decadente, numa rede de TV que segue pelo mesmo caminho.

A inglória nova notoriedade de Casoy fez retomar a validade de lembrar o passado de tão nociva criatura.

Terrorista de direita – paramilitar da ditadura fascista

Em 1968, em reportagem sobre líderes estudantis, a histórica e reconhecida revista “O Cruzeiro” acusou-o de ter participado do grupo CCC (Comando de Caça aos Comunistas), famoso por ser composto por estudantes fascistas armados, que agiam como um grupo paramilitar terrorista, responsável por mortes, sequestros e ações truculentas, como a destruição de faculdades, agressão a atores, etc.

Além do passado fascista “militante”, Boris Casoy também ocupou cargos “respeitáveis” ao lado dos fascistas de farda, num emprego mais sóbrio, em que não era mais cúmplice de assassinatos fascistas, mas seguia cúmplice dos organizadores e planejadores dos assassinatos em escala nacional.

Assim, foi nomeado Secretário de Imprensa de Herbert Levy, Secretário de Agricultura do governo Abreu Sodré, em São Paulo, em pleno 1968, o ano do AI-5 e do terrorismo aberto por parte do Estado burguês no Brasil, que fechou o Congresso, cassou direitos civis e iniciou um massacre contra os trabalhadores.

Boris permaneceu no cargo em 1969, até que, em 1970, foi assessor de imprensa de Luís Fernando Cirne Lima, Ministro de Agricultura do governo Médici.

Conhecido por bordões como "isto é uma vergonha", o vergonhoso Boris Casoy é o protagonista de um célebre e inusitado fato, ao ajudar a mudar o resultado da eleição a prefeito de SP, em 1985. Em um debate na Rede Globo, quase na véspera da eleição, perguntou ao então candidato pelo PMDB, Fernando Henrique Cardoso, que representava a “esquerda” naquele pleito, se ele acreditava em Deus, numa clara provocação fundamentalista e ultradireitista.

O candidato não respondeu, afirmando que havia sido combinado previamente que esse assunto não seria levantado, o que ajudou a campanha ideológica reacionária que levou à vitória do corrupto, desequilibrado, direitista e temente a Deus, Jânio Quadros.

FHC nunca foi de esquerda, nem era tão diferente de Jânio, mas o episódio mostra bem o caráter de Boris Casoy, que há mais de 50 anos é, ele sim, o “lixo” que precisa ser varrido da sociedade.

Um relato in loco

Abaixo, um texto publicado há muitos anos por um militante do Movimento Revolucionário em SP, Fausto Barreira, que ilustra os métodos do CCC, organização que Boris compunha.

 

Reprodução de relato dos acontecimentos na rua Maria Antônia, em 1968, envolvendo os terroristas do CCC (Comando de Caça aos Comunistas), a Força Pública e os estudantes, publicado no jornal REPÓRTER, de São Paulo (outubro/1978).

 

Ao jornal REPÓRTER:

 

Li a reportagem do REPÓRTER n. 15 sobre o CCC e sua atuação em São Paulo, em 1968. Naquela época, eu era estudante da Faculdade de Economia da USP, situada próxima à rua Maria Antônia, onde se deram os acontecimentos que culminaram com a destruição do prédio da Faculdade de Filosofia da USP pelo CCC e o assassinato de um estudante; assim, pude acompanhar os fatos de perto.

 

Por meio de um artigo de minha autoria, na época, para o jornal do Centro Acadêmico Visconde de Cairu (da Faculdade de Economia da USP) descrevendo os acontecimentos daqueles dias, creio que ficará claro o acobertamento que a polícia (a Força Pública, na época) e o governo do Estado deram ao CCC.

 

Fausto Barreira

 

Eis o artigo:

 

“GOVERNO APOIOU MESMO O TERRORISMO DO CCC

 

Parte da imprensa insiste em caracterizar os acontecimentos como sendo o resultado de uma rixa entre os estudantes da Filosofia da USP e do Mackenzie. Mas os fatos são mais graves: tudo começou quando estudantes universitários e secundaristas realizavam, na rua Maria Antônia, pedágio com o fim de arrecadar recursos para a realização do 30º Congresso da UNE - União Nacional dos Estudantes. Enquanto promoviam o pedágio, os estudantes foram agredidos com ovos e pedras partidos do prédio do Mackenzie. Deve-se levar em conta que essa agressão não foi ocasional, mas fazia parte de um plano visando impedir a realização do Congresso da UNE. Com o revide aos ataques, teve início a batalha de pedras e caramurus, que durou um dia inteiro.

 

No segundo dia de luta, tudo ficou mais claro. O CCC "Comando de Caça aos Comunistas" organização terrorista, paramilitar, ocupou o alto de um prédio em construção, ao lado do Mackenzie, com a intenção de destruir a Faculdade de Filosofia. Com armas privativas do Exército "essa denúncia está no jornal O Estado de S. Paulo" com bombas de gás lacrimogêneo "fato também documentado pela imprensa" passou à agressão com a cobertura da Força Pública. Os estudantes da Faculdade de Filosofia, ajudados por secundaristas, professores e, inclusive, mackenzistas, improvisaram defesas para responder à agressão. O estudante secundarista José Guimarães, que se encontrava na rua, em frente à Faculdade, foi assassinado a tiros, pelo CCC.

 

Ao cair da tarde, os assassinos do CCC passaram a jogar bombas incendiárias sobre o prédio da Filosofia; os bombeiros tentaram entrar pela porta principal, mas foram apedrejados de cima do prédio ocupado pelos terroristas. Vendo que a Faculdade de Filosofia estava sendo destruída, seu diretor "professor Erwin Rosenthal" pediu aos alunos que evacuassem o prédio, no que foi atendido; comunicou o fato ao governador Abreu Sodré e pediu que a Força Pública interviesse prontamente para evitar a destruição de um patrimônio do Estado. O secretário da Segurança Pública, Helly Lopes Meirelles, prometeu atender, mas, passadas duas horas, com a Faculdade de Filosofia totalmente vazia e a Força Pública a apenas cem metros do local, nenhuma providência havia sido tomada. Pude testemunhar o instante em que o deputado federal Israel Dias Novaes telefonou da Faculdade de Economia para o secretário de Segurança Pública, exigindo providências e ameaçando denunciar o fato no Congresso.

 

Ao ver que não encontravam resistência policial, os terroristas incendiaram a entrada principal da Faculdade de Filosofia; com foguetes afastaram a multidão que estava próxima, e, ao som do Hino Nacional, hastearam a bandeira brasileira. A Força Pública, já no local, nada fez. Porém, aproximadamente 300 pessoas, que se encontravam nas proximidades, vaiavam e atiravam pedras nos agressores. Nesse momento, a Força Pública agiu prontamente, perseguindo a multidão. Mais de 100 pessoas refugiaram-se na Faculdade de Economia, próxima do local, e trancaram a porta de entrada. Os policiais abriram-na com rajadas de metralhadoras, invadiram a Faculdade, atiraram bombas em todos os andares, quebrando portas, prenderam indiscriminadamente pessoas que lá estavam "inclusive professores" e violaram o arquivo do Centro Acadêmico Visconde de Cairu.”

VOLTAR

 
Notícias Relacionadas

• Volkswagen e Porsche; Fiat e Chrysler; Renault e GM: Crise estimula fusões na indústria automobilística.

• Governo do Sri Lanka massacra população que luta por independência do Eelam Tamil!

•Fernando Lugo assume paternidade de criança de 2 anos e mostra que seja como presidente, seja como bispo, sempre agiu contra os explorados e oprimidos

• GM está próxima de pedir concordata! Obama exige que empresa se divida em duas: Uma falida, com as dívidas trabalhistas e financeiras, e outra com o lucro e o patrimônio da GM

• O leste europeu 20 anos depois da queda do muro: Geração pós-queda do muro de Berlim diz não ao capitalismo no Leste Europeu

• Crise põe PIB mundial em queda livre: Pela 1ª vez, economia mundial deve ter recessão anual

• Uruguai aprova o direito à eutanásia!