Os combustíveis e a energia nas mãos dos grandes exploradores
Num processo em que a Petrobrás quase se associou com a empresa AleSat para comprar os poços da Esso no Brasil , no fim das contas quem levou foi a Cosan, empresa que já era líder mundial no processamento da cana de açúcar e no ramo da produção de etanol. Este movimento, que envolveu a venda de 1500 postos, coloca ainda mais ingredientes num setor, o de energia e petroquímica, em que a Petrobrás perde cada vez mais espaço.
O entreguismo de FHC, e agora de Lula, tem feito este setor estratégico para o país, assistir ao crescimento de empresas privadas, quase "do nada", impulsionadas pelo dinheiro da própria Petrobrás, muitas vezes. Através de associações em que só quem perde é a Petrobrás, junto com o dinheiro público do BNDES, tem-se multiplicado os lucros da Braskem, Ipiranga, Ultra, Unipar e Suzano; todas estas empresas que ganham muito sem investir praticamente nada.
Hoje, a Esso ocupa uma fatia de 4,8% no mercado de distribuição de combustíveis no País: possui 5,6% de participação no Sudeste e 5,2% no Sul. Nas demais regiões, essa participação fica abaixo dos 2%. De toda forma, são bilhões que podem ser arrecadados nos próximos anos, de um produto estratégico e com preços altíssimos e subindo, e que agora passa às mãos dos sucessores dos usineiros e coronéis da cana-de-açúcar.
Ultra, Braskem e WTorre, mais grupos presenteados pelo governo Lula
Os grupos privados vêm ganhando cada vez mais espaço. O Grupo Ultra estaria agora de olho em ativos da Texaco, que também estaria estudando a perspectiva de se desfazer de seus ativos na distribuição no Brasil. É impressionante como uma área tão fundamental e estratégica está sendo loteada para grandes redes privadas, e a Petrobrás vai perdendo espaço. Em geral, estes grupos não têm nem experiência, nem recursos para assumir empreitadas deste valor. Aí e que entra a Petrobrás, seguindo as diretrizes do governo Lula. O governo empresta seu conhecimento, dinheiro e crédito, e a Petrobrás entra como sócia destes grupos, gerando fortunas a empresários que não assumem nenhum risco.
O Pólo Petroquímico de Triunfo, no RS, onde se produz matéria prima para toda a cadeia de produtos decorrentes do petróleo, e que é base da indústria em vários ramos da produção, é outro exemplo disso: está sendo privatizado em ritmo muito rápido por Lula!
A recente venda da Ipiranga foi usada para dar o controle de praticamente todas as importantes empresas do Pólo, como a Copesul, para a Braskem. A Braskem é o braço petroquímico da empreiteira Odebrecht, amiga e financiadora das campanhas de Lula. Pois a Braskem, 1 ano atrás, tentou assumir o controle da Copesul e foi impedida pela mobilização dos trabalhadores. O que fez Lula para ajudar a Braskem? Colocou a Petrobrás como sua sócia (menor, é bom frisar) e, juntas com a Ultra, compraram a Ipiranga. Resultado: a Braskem/Odebrecht assumiu o controle da Copesul e do Pólo inteiro. Em 2007, a Braskem lucrou mais de R$1 bilhão, e seu lucro líquido foi cerca de 4 vezes mais que em 2006.
Neste mesmo sentido, outra obscura empresa, chamada WTorre, em função de seu dono ser Walter Torre Jr, também está rindo à toa. Walter Torre é mais um emergente candidato à bilionário no governo Lula. Sua empresa saiu do anonimato para ser dona de 20% da obra do novo dique seco da Petrobrás na cidade gaúcha de Rio Grande, que vai preparar cascos de navio para serem usadas nas plataformas petroleiras. Este projeto é um caso bem exemplar do que são as tais PPPs que Lula e FHC sempre defenderam.
PPP significa Parceria Público Privada, e seria a forma do dinheiro público e privado dividirem custos e lucros com obras de infra-estrutura, principalmente. Na prática, a PPP funciona assim: o governo anuncia que vai construir cascos de navio e plataformas petroleiras em Rio Grande; garante que vai haver trabalho e ocupação constantes no dique seco; repassa a imensa maioria dos recursos para a obra; e, no final, o empresário aparece. Seu único papel é dar uma quantia mínima e entrar na "sociedade", contando os dias para receber seus bilhões.
Isso quando o próprio dinheiro do empresário sequer é dele, sendo, na verdade, do BNDES público. É como se uma pessoa pagasse para o patrão entrar na sua própria casa para "racharem" o dinheiro do cofre da família. É isso que Lula faz: paga para empresários nos roubarem.
Lula está entregando nossas riquezas através de leilões intermináveis de poços de petróleo. O caso dos laptops roubados de contêineres da Petrobrás, com a ajuda da americana Halliburton, e o fato da Polícia federal ter abafado o caso, mostram que Lula está botando no lixo o patrimônio público dos trabalhadores, que lutaram pelo monopólio do petróleo nas décadas de 40 e 50.
Infelizmente, hoje, o petróleo não é mais nosso. Hoje, "o petróleo é deles", pois FHC acabou com o monopólio estatal, abrindo o caminho aos aproveitadores nacionais e estrangeiros. Lula é seu seguidor e está batendo recordes de entreguismo.
Por isso é preciso retomar o petróleo e a Petrobrás para os trabalhadores, derrotar Lula e pôr abaixo o Congresso corrupto. Temos que revogar todos os leilões do petróleo, reestatizar todas as ações da Petrobrás, além de toda e qualquer empresa na área de energia e petroquímica, sem indenização, e sob o controle dos trabalhadores.