Publicada em 04/06/2009

As megafusões a todo vapor no Brasil: Seguindo o caminho da BRT/OI e Itaú/Unibanco, Perdigão e Sadia criam a 'grande multinacional' do setor de alimentos

Na terça feira, dia 19 de maio de 2009, os presidentes dos Conselhos de Administração de Perdigão e Sadia, Nildemar Secches e Luiz Fernando Furlan, anunciaram oficialmente a criação da Brasil Foods (BRF), resultante da fusão das duas empresas. "A grande multinacional brasileira de alimentos brasileiros processados", conforme foi anunciada por Sanches. Furlan emendou que a BRF poderá ser, no curto prazo, "o maior exportador de carne processada do mundo". 68% do capital pertencerá a acionistas da Perdigão e 32% a acionistas da Sadia.

As instituições financeiras ligadas sadia - o banco e a corretora Concórdia - foram assumidas pelas famílias Furlan e Fontana, acionistas da Sadia. O patrimônio final dessas instituições, após uma distribuição de dividendos, ficou em R$ 67 milhões, segundo Furlan.

De acordo com dados divulgados durante a entrevista, Sadia e Perdigão operam comercialmente em 110 países. "Quase metade do nosso faturamento vem do exterior", afirmou Secches. A nova empresa já nasce líder em alimentos processados no país, com cerca de 120 mil funcionários. No mercado interno a BRFOODS será dona das marcas Perdigão, Sadia, Qualy, Doriana e Batavo.

Sadia e Perdigão chegaram a trabalhar juntas no início da década na Brazilian Foods, uma associação para o mercado externo que não vingou. Em 2006, a Sadia, então maior, lançou oferta pela Perdigão. Desde então, a Perdigão comprou concorrentes menores e avançou em lácteos, com a incorporação da Eleva e da Batavo, ganhando tamanho.

A riqueza e as forças produtivas mais concentradas nas maos de poucos

Nos últimos meses o Brasil tem visto um festival de grandes fusões e incorporações. Em 2008 o Itaú e o Unibanco se fundiram e criaram o maior banco da América Latina e do hemisfério Sul, assumindo o 17º lugar, entre os maiores bancos do mundo. O "Itaú Unibanco Holding S.A” já nasceu com ativos de R$ 575 bilhões, 4.800 agências e mais de 14 milhões de correntistas. Além de garantir os lucros, a concentração de poder dos grandes bancos aumentou, e a concorrência diminuiu. Assim, com o Itaú e Unibanco unidos, os cinco maiores bancos brasileiros têm 72,42% dos ativos totais do país.

Outra grande fusão “brasileira” foi a da operadora de telefonia OI com a Brasil Telecom. O mercado de telefonia no país ficou mais concentrado. A nova Oi tem 29,6% do faturamento total das operadoras de telefonia fixa, celulares, banda larga e TV por assinatura, contra 29,9% da Telefônica/Vivo, 20,1% da Claro/ Embratel e 12,1% da TIM.

A Época Imperialista e a crise econômica impulsionam as fusões

Diante das demissões e misérias crescentes, muitos burgueses, e especialmente Lula, insistem em dizer que a economia brasileira está sendo muito pouco afetada pela crise da economia capitalista. Mas a onde de megafusões das empresas instaladas no Brasil teimam em desmentir o governo.

A crise histórica que abala o capitalismo possui proporções que não se viam há muitos anos. Centenas de bancos pelo mundo foram a falência, a poderosa GM se viu diante da concordata, e outras centenas de empresas ou faliram ou foram salvas pelos governos através da “estatização” com prazo de validade.

No Brasil a crise teve tanto impacto quanto no resto do mundo. As milhares de demissões que marcaram o final de 2008 e início de 2009 são a prova disso.  As fusões são mais uma face da força da crise no Brasil. As empresas mais fragilizadas pela crise são compradas pelas que possuem um capital um pouco menos afetado. Foi justamente isso que ocorreu, por exemplo, no caso do Unibanco e do Itaú, onde o primeiro estava com sérios problemas de liquidez, o que obrigou seu dono a aceitar a incorporação de sua empresa por outra, no caso pelo Itaú. Agora no caso da Perdigão e da Sadia a história se repetiu: A Sadia, com uma situação financeira que ameaçava levá-la a falência, aceitou ser incorporada ao capital da Perdigão.

Essa não é uma situação extraordinária na etapa atual do capitalismo. Do ponto de vista da estrutura do modo de produção, as forças produtivas já se esgotaram. O avanço da técnica já não significa mais melhoria na qualidade de vida da humanidade, e o próprio avanço da ciência e tecnologia é freado em função dos grandes monopólios e da falta de poder aquisitivo da população. Além disso, em função da anarquia da economia capitalista, sempre chega um momento onde existe mais produção do que consumo, fazendo com que os preços despenquem e os burgueses diminuam a produção, com cortes de salário, direitos e demissões.

Justamente nestes períodos de crise é que a burguesia imperialista se vê diante da necessidade de avançar sobre o mercado de outros burgueses. Esse movimento vem se dando por meio das compras de uma empresa pela outra, pela falência de uma empresa, com a respectiva ocupação de seu mercado pela concorrente ou, como aconteceu com o Itaú e Unibanco, pela fusão dos negócios de grandes burgueses.

Esse processo termina por concentrar cada vez mais o controle dos meios de produção nas mãos de uma quantidade menor de burgueses. Isso é um dos principais reflexos do imperialismo: uma mesma burguesia controlando a produção e o mercado mundial.

QUE OS RICOS PAGUEM PELA CRISE!

A solução para a crise, embora assumam formas diferentes, no fundo sempre carregam consigo um mesmo objetivo: empurrar a conta para cima dos trabalhadores. As fusões e as “ajudas” dos governos a burguesia sempre são financiadas e garantidas com um aumento da exploração dos trabalhadores. Associadas a estas medidas sempre vez as demissões em massa, o arrocho salarial e a retirada de direitos dos trabalhadores.

Se os trabalhadores ficaram parados, vendo os governos e os patrões fazerem o que quiserem, a realidade só tende a ficar ainda pior no próximo período. A recessão econômica já está agravando e irá agravar ainda mais todos os problemas sociais, do emprego, salário e condições de vida, como a violência, saúde e educação.

A única saída que os trabalhadores possuem para combater os efeitos da crise e defender seus direitos, empregos e salários é o fortalecimento das lutas, como as campanhas salariais e as greves de trabalhadores, se mobilizando para conquistar reajustes salariais que reponham a inflação e as perdas históricas.

Cada uma dessas lutas deve estar ligada a uma luta muito maior, que tem a ver com a luta pelo socialismo e a construção de uma economia planificada. Diante da crise, a saída deve ser a estatização, sem indenização, de todo o sistema financeiro e as grandes empresas, sob controle dos trabalhadores. Defendemos a unificação do sistema financeiro nacional, sob um banco público estatal, controlado pela população explorada. Os bens dos burgueses responsáveis pela crise devem ser confiscados pelo Estado socialista, apoiado nas organizações democráticas dos trabalhadores e da população.

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