Publicada em 23/04/2009

A burguesia enlouqueceu: ricos em crise mostram a face doentia do capitalismo, matando parentes e pessoas próximas

Com a decadência do sistema capitalista, e o aprofundamento da crise histórica de sua economia e ideologia, até mesmo a classe dominante, a burguesia, sente os efeitos da crise e  reage muitas vezes de modo desesperado.

O capitalismo chegou a um grau de degeneração tão profundo  a partir da época imperialista, em que seu crescimento volta-se contra ele mesmo, na forma de superprodução e falta de demanda, que a humanidade  inteira vive hoje os problemas decorrentes dessa  degeneração, expressa no consumo de drogas, homicídios, suicídios, violência infantil e tantos outros casos que antes eram  em pequena escala, mais restritos às classes mais pobres,  e que, agora, já estão se tornando comuns na  família burguesa também.

Recentemente,  em Porto  Alegre  (RS) houve um destes casos,  que traz bastante preocupação para a burguesia  por envolver uma situação que ameaça muitas outras famílias.  Uma mãe de  "classe média alta", conforme critério definido pela imprensa (para a qual ninguém é rico), envolvida com um filho dependente químico de drogas, acabou  disparando dois tiros contra  ele, alegando estar se defendendo, pois ele ameaçava matá-la com uma faca,  caso ela não desse mais dinheiro para ele consumir drogas. Ele acabou morrendo antes mesmo de chegar socorro. O rapaz,  que já tinha antecedentes criminais por conta das drogas  já havia tentado abandonar o crack;  tinha sido internado pela família poucos meses antes da tragédia em uma clínica de reabilitação; mas  nada adiantou, e acabou fugindo.

Do ponto de vista criminal, fica mais ou menos evidente que o homicídio não foi exatamente legítima defesa. O filho já tinha sido ameaçado pela mesma arma que o matou, pouco tempo antes, desta vez com a arma na mão do pai. A mãe, quando do assassinato, não pegou a arma num impulso, mas foi buscá-la no quarto, o que caracteriza intenção de matar, e não uma reação de momento, ou um acidente, como ela tentou alegar. O caso se parece bem  mais com um episódio em que a família não aguentava mais os "desvios" do filho, seus problemas e constantes gastos, e em que a mãe, ao matá-lo, livrou a si e à família de um grande peso.

 Esta constatação, a de que uma família prefere matar o filho viciado, pois já abandonou a perspectiva de recuperá-lo, é uma demonstração da falência da sociedade capitalista, em que, mesmo com dinheiro, a frustração pessoal, a mediocridade da vida e a depressão são uma regra e atingem milhões de pessoas.

A proliferação das drogas em especial, e o crack  como seu produto mais brutal, principalmente agora que chegaram com força à classe média e alta, vem tirando o sono da burguesia, que já não consegue ter o controle sobre a situação. O crack é uma das piores drogas que existe, pois vicia assim que é consumido, além de ser altamente destrutivo ao organismo. Seus usuários  são debilitados física e psiquicamente de um modo tão agressivo, que facilmente seus consumidores são atingidos por doenças como a AIDS, que debilitam ainda mais seus sistemas imunológicos, num ciclo vicioso de doenças e destruição.

Outro episódio bastante  chamativo, que também aconteceu  nestas semanas no RS,  se passou com uma empresária,  Roselaine Radaelli Picinini,de Nove Hamburgo, que era dona de uma empresa de calçados que estava  falida, possuindo mais de R$ 2 milhões em dívidas,  agravadas com a crise econômica. Roselaine entrou em depressão e, reproduzindo a impotência de resolver a falta de opções numa economia em que as fusões e concentração crescente expropriam os burgueses mais inaptos ou menos lucrativos, acabou cometendo triplo assassinato e tentando o suicídio.  Ela matou o marido  à facadas; a  irmã e a sobrinha de 6 anos, depois de ir à casa das duas, e em seguida tentou se matar. Justificou que preferir morrer ao viver na pobreza com sua família.

 Mesmo que parte destas tragédias se expliquem pelos transtornos psiquiátricos de alguns indivíduos, com certeza são as razões coletivas, que correspondem ao conjunto do sistema que as fazem aumentar tão significativamente em épocas de crise. Estes e outros casos deste tipo são somente uma comprovação da decadência da burguesia e do capitalismo,  que cada vez mais está fragilizado. A repressão sexual, a miséria intelectual, a exploração e a pobreza fazem da vida da maioria da população um enredo propício a dramas e desfechos trágicos. As drogas, a falência de uma empresa, o trânsito violento: tudo são apenas circunstâncias por onde se manifesta a doença da sociedade capitalista.

Nenhum sistema econômico e social,  como dizia Marx, é eterno. Por isso, existe  a necessidade da classe trabalhadora,  que  opera os meios de produção do capitalismo,  e que gera a riqueza da sociedade, se organizar e ir para a luta contra os ataques da burguesia, defendendo um programa de estatização geral da economia, de expropriação burguesa e de luta pela tomada do poder pelos explorados. O combate às degenerações desta sociedade  andam lado a lado com a derrota do capitalismo, e a luta para construir outra sociedade, sem divisão de classe social, repressão e exploração: uma sociedade que seja socialista.

 

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