A polêmica do embargo da União Européia à carne brasileira
O embargo da União Européia à carne de gado brasileira, iniciado nas últimas semanas (desde 1º de fevereiro), vem levantando uma série de debates. Ainda que boa parte dessas discussões se dê de maneira economicista e desviada de qualquer fundo político, devemos ter como ponto de partida que a economia se move diante das necessidades políticas, que nada mais são do que a expressão de uma determinada realidade social.
A nossa realidade social de hoje, dentro do sistema capitalista, há muito não é a defendida pelos seus supostos teóricos liberais - da livre concorrência-. O principal motivo para o embargo à carne brasileira em nada tem a ver com medidas de proteção à saúde, por um provável descuido quanto às condições de higiene na produção da carne.
O embargo tem a ver com proteção, sim, mas da economia européia e do seu mercado. Ou seja, com o objetivo de garantir o consumo de seus produtos dentro do mercado europeu, a UE criou um pretexto para vetar a entrada de um dos seus maiores concorrentes no setor frigorífico.
A reivindicação dos europeus se concentra em somente permitir que entre na Europa carne que tenha sido “rastreada”. O que isso significa? Que o boi deveria ter um chip implantado, que monitorasse tudo o que ele fizesse: por onde andasse o que comesse. Assim, na hora do abate, os responsáveis poderiam saber o que de tão curioso e extraordinário aquele boi havia feito durante a sua vida. Assim, ao constatarem que boa parte do rebanho brasileiro não havia sido rastreado, a UE decretou o embargo.
Qual a reação do governo LULA diante disso? Nada de denúncia dos europeus parasitas ou de sua manobra protecionista! Sendo coerente com tudo o que vem sendo feito desde o seu primeiro mandato, em 2003, Lula seguiu sendo capacho do imperialismo e se submetendo a todas as suas vontades. Chamou os europeus para que, então, viessem ao Brasil decidir quais as fazendas estão aptas a vender para serem exportadas a UE.
E agora, sim, o governo conseguiu a autorização para que 106 fazendas brasileiras seguissem exportando carne para a Europa.
É dessa “crise” na exportação para a UE que vem toda a queda no preço da carne, que vinha sendo alardeada pelos jornais. Logicamente, ao os produtores brasileiros não poderem exportar, a carne, sobrando uma quantidade maior para consumo interno, teria de ter o seu preço barateado. Porém, o trabalhador que come carne de 2ª nem notou essa diferença, pois o preço da carne que caiu não foi o da carne consumida pelos trabalhadores pobres, e sim das carnes nobres, como alcatra, filé, que são as carnes mais caras, destinadas à exportação.
Que conclusões podem ser tiradas desses fatos? Além dos fatos que já tínhamos -de que o governo Lula é um capacho dos governos imperialistas- sobra a forte certeza de que o Brasil é uma país colonial que não ficou mais independente porque tem mais reservas cambiais. Seguimos sendo reféns das ordens e vontades dos países ricos.
Nossa produção não se dá de acordo com o que pode trazer mais empregos e melhores salários e qualidade de vida para a classe trabalhadora e população de conjunto. O governo federal, assim como os estaduais e municipais trazem as multinacionais para cá em troca de incentivos fiscais -leia-se isenção de impostos- e de leis trabalhistas mais flexíveis. Quer dizer, produzir no Brasil, e em países coloniais, como um todo (América Latina, África, Leste Europeu, sudeste asiático), sai muito mais barato.
E não porque os governos imperialistas sejam mais generosos com a sua classe trabalhadora: cada região cumpre um determinado papel no processo produtivo e esses países, historicamente, impuseram às suas colônias a função de produzir produtos mais baratos e de segunda linha. O que não faz com que deixem de atacar os trabalhadores. Os recentes protestos ocorridos na França, na Itália, na Alemanha, expressam essa realidade dura: a necessidade de o imperialismo atacar a classe trabalhadora em todos os lugares, em todos os setores. A solução para isso é a luta, a mobilização e a união da classe trabalhadora internacionalmente, organizada em um grande MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO comprometido com a revolução e o socialismo.
Derrotar o governo lula, abaixo o congresso corrupto.
Por um grande MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO no Brasil e em todo o mundo, que acabe com a exploração capitalista, construindo uma nova sociedade, uma sociedade socialista.
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