Elo: cartão de crédito estatal brasileiro?
Após surgir de uma associação entre Banco do Brasil e Bradesco, a bandeira de artão de crédito Elo, recebeu a adesão da Caixa como sócia. O propósito desse associação é criar um concorrente à Visa e à Mastercard, com os bancos ganhando diretamente lucros em uma área que cobra mais de 10% de juros ao mês, sem precisar dividir isto com mais ninguém.
Os sócios da nova bandeira de cartões de crédito, porém, têm o que a grande imprensa chamou de “um grande desafio jurídico pela frente: impedir que a entrada do novo acionista (Caixa) mude a natureza acionária da empresa, que atualmente é privada”. Ou seja, além de não utilizar seu peso para tornar o novo cartão de crédito público, o governo Lula ainda faz o inverso: malabarismo para burlar o fato de ter maioria pública, e artificializar uma natureza privada, que não deveria existir.
Essa artimanha expõe uma política clara do governo de Frente Popular do PT: desnacionalizar e privatizar tudo o que podem. O mesmo aconteceu com a compra, pela mesma Caixa, do banco PanAmericano, de Sílvio Santos, cujo controle seguiu nas mãos privadas. Outro exemplo desta aliança em que a parte pública entra com dinheiro, mas a privada é quem controla foi a compra do banco Votorantim pelo Banco do Brasil.
Se fosse estatal, a nova empresa teria de fazer concursos públicos para contratar pessoal e licitações para comprar serviços e equipamentos. A característica, argumentam os sócios, tiraria toda a competitividade da empresa, já que os concorrentes - como Visa, Mastercard, American Express e Hipercard - são privados e não têm restrição para contratar e sair às compras. Traduzindo: como os outros têm licença para explorar livremente, a intenção é garantir o mesmo à Elo.
Uma das hipóteses é que os sócios originais (Bradesco e BB) sejam acionistas indiretos na bandeira Elo. Isso aconteceria por uma holding em que Bradesco teria 51% das ações e o BB tem 49% do capital. Formada, essa holding teria 66,6% da bandeira Elo e a Caixa entraria como nova sócia, com 33,3% das ações.
Outra manobra seria concentrar as ações públicas como sendo preferenciais, que não têm direito a voto.
Qualquer que seja a opção tática, porém, fica claro que o governo Lula quer distância de qualquer coisa que signifique controle público. A criação de uma bandeira de crédito nacional poderia ser muito importante, ainda mais se fosse pública, como forma de reduzir as taxas de juros extorsivas e isentar as absurdas anuidades.
Mas a opção de Lula é outra, mantendo o roubo dos trabalhadores do mesmo modo, apenas se apropriando de parte dele. Um bom negócio para os acionistas privados do BB e do Bradesco, mas um negócio que não vai oferecer nenhuma vantagem aos trabalhadores.
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