Casas Bahia fecham as portas no RS logo após venda
Logo após ser noticiada a compra das Casas Bahia pelo Grupo Pão de Açúcar, hoje a maior rede de varejo do Brasil, foi anunciado o fechamento das lojas no Rio Grande do Sul, o que já vinha acontecendo gradualmente há alguns anos.
Desde que começou a explorar o mercado consumidor gaúcho, em meados de 2004, as Casas Bahia chegaram a ter 28 pontos de venda, presentes em 19 municípios; e contratando 2,7 mil funcionários. O fechamento das últimas lojas das Casas Bahia – só haviam restado as de Porto Alegre – se deu logo após o Natal, época em que mais se lucra.
O fechamento gradual de suas filiais se deu principalmente devido à fusão nociva aos trabalhadores, que, mais uma vez, não sofreu qualquer objeção dos órgãos públicos, ou do CADE, entidade que supostamente deveria velar pelos consumidores e impedir a supercincentração econômica.
Agora, milhares de funcionários foram demitidos, os clientes terão que pagar mais caro, sem uma concorrente, e só quem vai lucrar são os burgueses envolvidos - tanto quem compra como quem vende.
Na disputa interburguesa tradicional, aprofundada pela crise econômica de 2008, veio à tona a fraqueza econômica em que as Casas Bahia estavam inseridas, o que fez aumentar a pressão para a venda da rede para o Grupo Pão de Açúcar, interessado em ampliar ainda mais seu segmento de varejo, logo após ter comprado o Ponto Frio.
Em nota pública, o Grupo Pão de Açúcar anunciou que o fechamento estava ocorrendo pela pressão do governo estadual para o acerto dos impostos das lojas. A Secretária da Fazenda do RS emitiu notas judiciais denunciando a inadimplência de pelo menos R$52 milhões. As dívidas obviamente existem, mas esse não é o fato que justifica o fechamento das lojas. A verdade é que o atual grupo que administra as Casas Bahia aproveitou a fusão para economizar com funcionários, usando uma desculpa que depõe contra ele mesmo, ao alegar que não consegue se manter onde paga imposto, numa apologia descarada da sonegação.
As dívidas trabalhistas e fiscais da rede chegaram a um número absurdo, pois as Casas Bahia, desde que abriram suas primeiras lojas, em 2004, nunca pagaram impostos, ao contrário do que acontece com todos os trabalhadores de qualquer cidade, que no início do ano apertam ainda mais as contas para conseguirem pagar IPTU, IPVA, etc.
É dessa forma que a burguesia consegue enriquecer, já que os governos são seus aliados, e fazem acordos para que tenham todas as vantagens possíveis para que os lucros sejam garantidos. O governo do RS, primeiro governado por Rigotto e depois por Yeda; fizeram acordos com a família Klein, das Casas Bahia, para que fosse garantida sua vinda para o estado. Nesse acordo todas as isenções fiscais e demais regalias estavam garantidas. Yeda agora não tentou cobrar coisa nenhuma, e aceitaria a chantagem de isentar a rede de lojas por mais quantos anos ela exigisse. Foi o Pão de Açucar quem, memso assim, preferiu cortar custos e mandar os trabalhadores para a rua.
Estas empresas, como as montadoras de automóveis, e muitos outros ramos econômicos, utilizam o dinheiro público, ou seja, o nosso dinheiro, para o custeio das instalações de suas lojas ou fábricas, não pagam impostos a ninguém, e demitem e fecham as portas quando querem.
O grupo de Abílio Diniz, o megaempresário brasileiro, agora conseguiu seu objetivo de avançar na construção do monopólio do setor varejista. Fechou a sua mais nova aquisição, a das Casas Bahia, e transferiu seu público alvo para suas outras lojas, como o Ponto Frio. O faturamento continua o mesmo, pela transferência dos consumidores, porém com a grande demissão de funcionários, o lucro agora aumenta mais ainda.
Contra os interesses particulares dos empresários ou dos políticos que ganham caixa-2 destas empresas, e nada fazem para barrar as demissões, é preciso que os trabalhadores passem por cima dos sindicalistas vendidos e acomodados e se organizem para exigir seus empregos de volta, se preciso com a ocupação das lojas, confisco dos produtos dos depósitos, e com a mobilização de rua para impôr a garantia de seus direitos, empregos e salários.
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