“Categoria unificada, atropelando a pelegada”
Desde o início do primeiro mandato do governo Lula, se tornaram muito frequentes as traições dos sindicalistas do PT e PCdoB às greves e mobilizações dos trabalhadores. Mas, poucas vezes, isso foi feito de forma tão escancarada e aberta como na greve dos Correios de 2009.
Entre 2007 e 2009, os trabalhadores dos Correios fazem, em média, duas greves por ano. Em todas elas, a base da categoria tem passado por cima dos governistas da CUT e CTB e garantido importantes vitórias, em especial na greve de 2008 que conquistou os 30% do adicional de risco para os carteiros. Mas, nesse ano, em uma das greves mais fortes da história dos Correios, os trabalhadores estão precisando atropelar com ainda mais força os governistas que, abertamente, chamam o fim da greve e denunciam todos que continuam em greve, inclusive a própria categoria.
Atualmente, o comando de negociação e mobilização é composto por 7 membros: 2 da CTB (PCdoB), 1 da Articulação (PT/CUT), 1 da Conlutas, 1 do PCO, 1 do MRL e 1 da ASS (essas três últimas são correntes minoritárias dentro da CUT).
Diante da proposta do governo Lula e da direção da ECT, de conceder 9% de aumento para 2 anos + R$ 100,00 linear, o comando rachou. 3 membros, ligados à Articulação (PT) e a CTB (PCdoB) estão defendendo essa proposta e orientando o fim da greve. Os outros 4 membros, formando a maioria, estão orientando pela rejeição da proposta e pela manutenção da greve dos trabalhadores. Vale destacar que a minoria do comando, governista, dirige os três maiores sindicatos do país (SP, RJ e DF).
Nesse momento, 25 dos 35 sindicatos do país seguem em greve. E não poderia deixar de ser diferente, visto que os trabalhadores compreenderam que a proposta de 2 anos, além de não repor nada das perdas salariais acumuladas (41%), tem o objetivo de amarrar os trabalhadores e impedi-los de lutar e fazer greve no ano de 2010, justamente por ser um ano eleitoral. A categoria entendeu que a proposta de 2 anos, defendida pelos governistas, é uma proposta para proteger a Dilma e impedir que se arranque índices salariais maiores no ano de 2010, o que é comum em anos eleitorais.
De norte a sul desse país, os trabalhadores tem lotado assembléias e estão atropelando quem quer acabar com a greve. Tem sido assim em São Paulo, por exemplo, onde o sindicato é dirigido pelo PCdoB. Esses pelegos já até desistiram de ficar defendendo a proposta e nas assembléias apenas colocam em votação a continuidade da greve, sem nenhum questionamento. O mesmo ocorre em Brasília.
Uma oposição forte faz falta!
Em relação aos grandes sindicatos, a greve só terminou onde os governistas conseguiram manobrar as assembléias e onde a oposição é fraca, como o caso do Rio de janeiro. No RJ, a assembléias que acabou com a greve foi marcada por um festival de manobras por parte da direção do sindicato. Os governistas percorreram os setores de trabalham, fizeram acordo com a chefia para liberar o ponto e lotaram a assembléia de fura-greves e pelegos, que foram lá para aprovar a proposta. Além disso, contaram com a fraqueza da oposição, em especial da Conlutas, dirigida pelo PSTU, que não soube dar o combate aos governistas e está queimada na base em função de seus próprios oportunismo, como a chapa que montaram junto com a Articulação nas últimas eleições do sindicato. Para o RJ, fica uma lição. Quem não combate os governistas de forma consequente o ano inteiro, não consegue fazer isso na greve. Hoje, a categoria paga o preço de ter uma direção governista e uma oposição vacilante, que se junta com os inimigos pra buscar cargo e deixa os trabalhadores órfão de uma direção combativa.
No Rio de Janeiro, o estrago foi maior, mas no país inteiro a direção da CONLUTAS tem deixado a desejar nessa greve. Para se ter uma idéia, no segundo dia da greve, com uma adesão e força poucas vezes vista, o PSTU defendeu que as assembléias votassem uma contraproposta da categoria, que seriam os 9% e R$ 100,00 oferecidos pelo governo, só que para 1 ano e não para 2. Vejam só: a direção da Conlutas propôs que no segundo dia de greve os trabalhadores abrissem mão de sua pauta de reivindicações, que incluem as perdas salariais, aumento linear de R$ 300,00, contratações imediatas, auxílio creche para todos, entre outras cláusulas, para se rebaixar e pedir apenas a proposta do governo por 1 ano. É inadmissível propor um recuo desse tamanho quando a luta está forte e no início. Recuar quando é necessário tudo bem. Mas recuar quando se pode avançar é covardia e oportunismo político.
Fortalecer os comandos de base para garantir a vitória da greve!
Hoje, a greve está em uma encruzilhada marcada pela traição aberta dos amigos do governo e pela vacilação e fragilidade da oposição. Diante desse cenário, a principal tarefa dos trabalhadores dos Correios em todo país é organizar e fortalecer os comandos de base, formados por delegados sindicais e ativistas. Somente dessa forma, com organização por local de trabalho, é possível controlar as direções do movimento, continuar atropelando aqueles que querem trair a luta para proteger o governo e garantir que essa greve seja vitoriosa.
No Rio Grande do Sul, onde a maioria do sindicato é cutista, quem está dirigindo a greve são os trabalhadores de base, a partir do comando de greve. Todo o esforço do Movimento Revolucionário, que ajuda a construir a corrente Luta Pela Base e está na Conlutas, com diferenças públicas ao PSTU e PSOL, tem sido nesse sentido. Desde o início da campanha salarial estamos apostando tudo no fortalecimento do comando de base. E tem dado certo. A prova é que, em Porto Alegre, nenhum diretor ou ativista teve a coragem de defender a proposta do governo, nem mesmo os da Articulação ou CTB, pois sabem que se o fizerem vão tomar uma vaia poucas vezes vista na história do movimento sindical.
Esse é o remédio para combater os pelegos e traidores: fortalecer os comandos de base e continuar atropelando os pelegos. A palavra de ordem que marcou uma assembléia em Porto Alegre, deve se espalhar por todos os Estados desse país e mostrar quem manda e quem decide os rumos da nossa luta: “categoria unificada, atropelando a pelegada!!”
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