Publicada em 09/11/2009

Lucro da Caixa aumenta 23%. Resultado da economia com funcionários e exploração dos clientes

         A Caixa Econômica Federal (CEF) divulgou um lucro líquido de R$ 869,9 milhões no terceiro trimestre de 2009. O valor é 23,2% superior ao de abril a junho e 20,5% maior na comparação com igual período de 2008, no agravamento da crise global. Este resultado acontece baseado no grande aumento das operações de crédito, que subiram mais de 86%. Por um lado, esta expansão ocorreu para atender a uma orientação política do governo, de fazer dos bancos públicos o centro da manutenção do crédito durante a crise econômica. Isso "jogou" para os bancos públicos um grade volume de empréstimos e operações com alto risco, e que se reflete no fato de que, de janeiro a setembro, o ganho da CEF somou R$ 2,02 bilhões, com queda de 37,9% ante igual período de 2008.
        Mesmo considerando-se o resultado trimestral positivo da Caixa, ele é bastante inferior se comparado aos principais concorrentes privados. No mesmo trimestre, Itaú Unibanco teve ganho de R$ 2,26 bilhões e Bradesco lucrou R$ 1,91 bilhão. Dessa forma, o ganho dos nove meses da instituição federal é comparável ao lucro do resultado trimestral dos concorrentes.
        Por outro lado, comparada a si mesma, a Caixa aumantou recentemente seu lucro, baseando-se essencialmente no arrocho de seus funcionários, que encerraram uma greve de 29 dias com apenas 6% de reajuste, e toda semana tem seu trabalho e exploração aumentados. 

O cliente paga, o funcionário adoece e a Caixa lucra para dar dinheiro aos amigos de Lula

       O aumento do lucro comparado ano com ano, foi gerado pelos empréstimos, que somaram R$ 3,65 bilhões nos três meses, valor 28,2% maior que o de igual período de 2008: isso quer dizer mais cerca de 30% de trabalho aos funcionários. Em 2o lugar, como origem do lucro, vem a receita obtida com a cobrança de tarifas bancárias, que cresceu 25,5% na mesma base de comparação e somou R$ 2,37 bilhões: esse é parte do custo pago pelos clientes, cada vez mais tratados como um cifrão, toda vez que entram nas agências.
        Houve um crescimento incrível de 129% do valor obtido com as tarifas do cartão de crédito, por exemplo, que somaram R$ 94 milhões. Este tipo de dados confirma que a Caixa, mesmo sob o governo Lula, segue o mesmo procedimento que tinha na época de FHC, de introduzir uma cobrança interna dos funcionários no estilo que os bancos privados fazem, e de tratar cada vez mais o cliente como uma fonte de recursos, expulsando o pobre que quer pagar suas contas para as lotéricas, enquanto trata a "pão de ló" os grandes e ricos clientes, ou empresas.

        Com o crescimento de sua carteira e de seu lucro relativo, a CEF ultrapassou o Santander na lista de maiores bancos do país, recuperando seu 4o lugar. Os clientes e funcionários, porém, não têm nada a comemorar, pois este crescimento da Caixa, extraído de seus bolsos, não reverte em melhor atendimento, mais funcionários, ou menores juros. Pelo contrário, a Caixa acaba de sair nas manchetes de jornal como tendo patrocinado a festa de posse do ministro José Antonio Dias Toffoli no Supremo Tribunal Federal (STF). Toffoli, nomeado por Lula, e famoso por se tornar membro do STF, após advogar em defesa do PT e do governo, e por ter sido condenado na Justiça e ter sido reprovados em simples concursos para juíz, ganhou patrocínio de R$ 40 mil da Caixa Econômica Federal (CEF), para pagar os champanhes e canapés da turma governista.

        É por conta desse tipo de coisa que não basta apenas manter a Caixa como banco público. É preciso que os trabalhadores assumam o controle da Caixa, do BB e de todas as demais empresas públicas, e se reestatizem as empresas privatizadas; para que os lucros sejam revertidos em prol da população, com redução de juros, de tarifas, aumento de salário e a colocação do sistema financeiro a serviço da maioria da população e não dos amigos corruptos do poder.

 

 

 

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