Quem quer dinheiro? Lula manda Caixa dar R$ 739 milhões a banco de Sílvio Santos. CEF leva 35,5% do PanAmericano, salvando mais um banco privado.
A Caixa Econômica Federal (CEF) fechou ontem a compra de 35,54% do banco PanAmericano, braço financeiro do Grupo Silvio Santos, por R$ 739,3 milhões. O negócio marca a entrada oficial da Caixa no esquemão internacional de bancos públicos comprarem créditos podres ou entrarem como sócios de bancos privados falidos ou em dificuldades.
No Brasil, Lula, depois de jogar bilhões de dólares no mercado financeiro para atender às demandas dos especuladores, banqueiros e grandes empresários atingidos pela crise, passou a usar o Banco do Brasil e a Caixa para continuar esta enorme transferência de recursos públicos ao setor privado.
A compra da Caixa segue o modelo fechado no início do ano pelo Banco do Brasil, que comprou 49% do Votorantim, banco do conglomerado do megaempresário Antônio Ermirio de Moraes, grande aliado de Lula.
No caso, a Caixa, ela terá 49,5% do capital votante (ações ordinárias) e mais 20,69% das ações preferenciais (sem voto) do grupo. Do ponto de vista empresarial, é um negócio extremamente prejudicial, pois o governo compra principalmente ações que rendem menos, cuja única vantagem é dar poder de decisão. Mas, ao mesmo tempo, por chegar quase, mas não atingir os 50%, estes votos não valerão nada.
Longe de burrice, porém, a estratégia foi pensada para fazer justamente isso: entregar o máximo possível de dinheiro a Sílvio Santos e não atrapalhar o comando do banco que seguirá nas suas mãos.
O pior de tudo é que, segundo Lula, o PanAmericano é o primeiro de uma provável lista de cinco bancos pequenos que estão na mira da Caixa.
Um negócio para lá de furado!
O PanAmericano vinha crescendo em ritmo acelerado até a quebra do Lehman Brothers nos Estados Unidos, aplicando uma fórmula bastante prática de sucesso: explorar clientes (o banco de Sílvio Santos é famoso pelos empréstimos a juros altos a aposentados) e remunerar lá em baixo seus funcionários, que praticamente não têm direitos e trabalham num sistema completamente precarizado.
Para retomar o crescimento, o banco precisava de injeção de recursos, o que o grupo Silvio Santos relutava em fazer, comprometido com seus negócios na mídia. O banco passa a ter sua avaliação de risco semelhante ao da Caixa, o que significa dizer que um banco com problemas financeiros, privado e envolvido em atividades suspeitas, agora é “bancado” e garantido pelo Estado, sob a orientação do governo Lula.
Perguntado pelo jornal Folha de SP, sobre se a compra de ações pela caixa acabava com as dificuldades do banco, Luiz Sandoval, presidente do grupo Sílvio Santos abriu o jogo: “Acaba. Não terei mais crise pela frente. Acabou.”. É uma vergonha.
Lula e Caixa deixam o controle com Silvio Santos
O controle do Banco PanAmericano continuará nas mãos do grupo Silvio Santos, mesmo após a venda para a Caixa Econômica Federal de 49,5% do capital votante do banco. Segundo o próprio vice-presidente de finanças da Caixa, Marcio Percival, homem de confiança de Lula: "Se ficássemos com 51%, o PanAmericano se tornaria um banco público, o que não queríamos".
Assim, Lula diz em alto e bom som: o governo entra com o custo de uma aquisição, mas não ganhará o lucro disso. O povo trabalhador vai, mais uma vez, pagar a conta. E Sílvio Santos poderá seguir brincando de atirar aviõezinhos de dinheiro (o nosso dinheiro) para o auditório.
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