Censura! Judiciário defende corrupção e proíbe liberdade de imprensa no Estadão
Depois de deixar bem claro que defende os ricos e corruptos, a Justiça fez mais uma das suas. O Judiciário já absolveu e/ou deixou soltos Collor, Maluf, Pitta, José Dirceu, Delúbio, Genoíno, Yeda Crusius, etc. Agora, a Justiça voltou aos tempos da ditadura e censurou um dos maiores jornais do país, O Estado de São Paulo, conhecido como Estadão.
A decisão de censurar o jornal veio para acatar ação feita pelos advogados do empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), envolvido em corrupção. O mandado de segurança proíbe a divulgação pelo jornal e pelos veículos do grupo das gravações envolvendo pai e filho (obtidas durante investigação da Operação Boi Barrica, da Polícia Federal, que comprova o envolvimento de ambos) além de qualquer outro tipo de informação sigilosa.
A decisão é tão autoritária e antidemocrática que, além de ser proibido divulgar a Operação Boi Barrica, a Justiça agora proibiu que se divulgue (e até que se conheça) a própria decisão da censura. Ou seja, é a censura da censura!
O desembargador Dácio Vieira, responsável pela decisão, que agora defendeu Sarney filho, era pago por Sarney pai, como consultor jurídico da gráfica do Senado, por muito tempo. Durante seus “aconselhamentos”, se deu a efetivação irregular e inconstitucional de 82 estagiários. Além disso, Dácio e Sarney são amigos pessoais, vistos sempre juntos em festas com o dinheiro do povo.
A realidade é que, diante da montanha de ilegalidades de Sarney e seus parentes, não bastava não prender nem punir ninguém: a Justiça também quer que ninguém fale no assunto, e de preferência, que todos façam de conta que nada aconteceu. A censura do jornal - e consequentemente de outros órgãos de imprensa – é uma grave ameaça ao direito e à liberdade de imprensa.
Neste caso, é um veículo neoliberal e representante da grande burguesia, com traços de defesa semifascista algumas vezes (quando, por exemplo, o Estadão relativiza o papel dos responsáveis pela ditadura). Mas o precedente de que a Justiça assuma o papel de pitbull dos corruptos, mordendo e ameaçando quem quiser tocar no assunto, é, antes de mais nada, um ataque aos trabalhadores, ao seu direito à informação, e a seus órgãos de imprensa, que não têm o dinheiro, as influências e os advogados do Estadão para se defender.
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