Publicada em 08/08/2008
A vida mais cara:
Inflação faz subir o preço da cesta básica em 14 capitais brasileiras. E Dieese afirma que salário mínimo deveria ser de R$2.178,00 para garantir vida digna.

            As últimas semanas apresentaram mais uma pesquisa escandalosa do Dieese: o aumento do preço da cesta básica em 14 das 16 capitais brasileiras. Os maiores aumentos foram verificados em Curitiba (7,35%), Salvador (5,45%), e Porto Alegre (5,09%).

            Com isso, a cesta básica de Porto Alegre segue sendo a mais cara do país, custando R$ 259,29, enquanto que a mais barata é a de João Pessoa, R$ 194,90.

Junto com esse aumento, o Dieese também fez um levantamento sobre quanto deveria ser o salário mínimo para garantir as despesas de um trabalhador e sua família com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência: o equivalente a R$ R$ 2.178,30, ou 5,25 vezes o piso em vigor (R$ 415,00).

É interessante analisarmos aqui que, agora em período eleitoral, o governo não cansará de repetir que “nunca na história desse país” a vida esteve tão boa para os trabalhadores. Mas o que a realidade concreta nos apresenta, e os índices comprovam, é justamente o contrário. Nosso dinheiro está valendo menos, temos menos poder de compra, e é por isso que o governo vem facilitando a liberação de crédito -porque as pessoas precisam cada vez mais fazer compras a prazo e parceladas-. 

Não são só os alimentos que apresentam alta nos preços: tudo está mais caro, e a sociedade de conjunto, em todas as classes sociais, sente isso. A diferença é que quem é pobre e trabalhador sente muito mais e é mais afetado por essa inflação, justamente porque, como ganha menos, precisa controlar mais os seus gastos. Priva-se dos supérfluos e, infelizmente, acaba privando-se de muitos itens básicos também, economizando de todos os lados para ver se sobra alguma coisa.

Se analisarmos as pesquisas sobre os itens que apresentaram a maior alta nos preços, veremos que são itens básicos, como arroz, feijão, carne de gado. Se esses itens básicos são retirados da mesa do trabalhador, o que sobra?

Portanto, o debate que aqui interessa não é a inflação de um modo geral, e sim entendermos que quem gera a riqueza e move a produção em nossa sociedade -a classe trabalhadora- é o setor mais atacado e prejudicado em tal conjuntura. Os milhões de trabalhadores que sobrevivem com um salário mínimo são o que garante a existência de uma minoria que desfruta seus 20 salários mínimos.

Assim, a nossa realidade que se torna cada vez mais precária, mas que é ignorada pelas estatísticas do governo e pela imprensa burguesa, deve ser o nosso ponto de partida para nos organizarmos e lutarmos por uma sociedade onde a riqueza produzida seja distribuída entre todos, e não concentrada por alguns. Olhando ao nosso redor e vendo a quantidade de riqueza produzida e acumulada, vemos que isso é possível: há riqueza suficiente para garantir uma vida digna para toda a humanidade.

Porém, essa vida digna não será conquistada através das eleições e nem de iniciativas individuais e desorganizadas: precisamos nos organizar enquanto classe, todos aqueles que são oprimidos e explorados, para dar um fim a esse sistema- capitalista- e construir uma sociedade que não se assente na exploração, na desigualdade e nos privilégios.

 

 

 

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