Publicado em 10/07/2010

Código florestal: + Lucro, –Florestas

A Comissão Especial para a Reforma do Código Florestal aprovou o texto-base do relatório que só deverá ir ao Congresso depois das eleições.

Nesse relatório que regulamenta a exploração e o desmatamento, os principais pontos -e também os mais criticados pelos ambientalistas- são: a retirada de obrigatoriedade de reserva legal em 20% da área de pequenas propriedades com até quatro módulos rurais; a redução de 30m para 15m na faixa de matas ciliares para cursos d’água de até 5m (a bancada ruralista defendia a redução de 30m para 7,5m) e a indecente moratória (não precisa pagar multa e nem recuperar o que foi destruído) para propriedades que têm atividades em áreas de proteção permanente (chamadas APP).

Será que podia ser pior? Em geral, sempre pode, mas é melhor nem pensar para não dar idéias a essa corja parasita!

Servindo aos interesses de sempre

Recentemente, a União nacional dos Agricultores dos Estados Unidos revelou um estudo cujo nome “Fazendas Aqui, Florestas Lá” já diz tudo: se o desmatamento tropical fosse eliminado completamente até 2030, os produtores norteamericanos poderiam ter ganhos adicionais de U$270 bilhões. Chega a propor uma indenização pela manutenção das florestas em pé para os países que se comprometerem. É evidente que seus interesses não passam pelas preocupações ambientais, e sim com o potencial agrícola dos países tropicais, cada vez mais desmatados.

No mesmo período a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou que a agricultura brasileira crescerá o dobro da média mundial em 10 anos. E como será isso? Provavelmente botando abaixo a Amazônia para criar gado e plantar soja!

Assim, o Código Florestal brasileiro serve aos interesses de sempre, e o que é o mais absurdo: não falta nesse país espaço propício à plantação dos mais diferentes gêneros alimentícios, quer dizer, não há qualquer necessidade de devastar a Amazônia, o Pantanal e o que sobrou da Mata Atlântica para o plantio. Na verdade, essa necessidade só surge diante do lucro cada vez maior que precisa ser extraído.                           

Na contramão

O texto aprovado vai completamente na contramão dos debates feitos atualmente em todo o mundo. É fato que, quando o assunto é o meio-ambiente, os “grandes líderes mundiais” mais falam do que fazem (vide Obama e o desastroso vazamento de petróleo no Golfo do México). Entretanto, esse texto sequer tentou disfarçar seu comprometimento com empresários e latifundiários: “florestas e matas nativas que se danem! Basta fazer campanha para que a população gaste menos água, consuma menos energia e vá ao supermercado com sacolinhas de pano!”. Na prática, é isso o que eles fazem, com a gente, porque eles, com certeza, não têm qualquer comprometimento com a “sustentabilidade”!

Devemos denunciar esses parasitas, constrangê-los pelo que estão fazendo, nos mobilizarmos: é a única forma de salvarmos nossa biodiversidade, nossa qualidade de vida e garantirmos um futuro viável, com água potável, sem crise de energia e livre dos desastres naturais!

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