Publicado em 07/03/2010

Congresso do PT: um circo montado para Dilma onde o palhaço é o trabalhador

Dos dias 18 a 20 de fevereiro, em Brasília, ocorreu o 4° congresso nacional do PT, que também comemorou os seus 30 anos. O evento contou com a participação de 1500 delegados e muitos militantes pagos do partido vindos de todas as regiões do país.

A festa teve um orçamento estimado em R$ 6,5 milhões, demonstrando que o partido não mediu gastos e nem esforços para armar o circo, cujo objetivo principal era o lançamento oficial da candidatura da Ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef.

Dilma é a candidata desde o ano passado, inclusive fazendo campanha eleitoral viajando ao lado do presidente Luis Inácio Lula da Silva, por todo o país, mesmo que inaugurando apenas placas das obras do PAC (que não saem do papel).

E, na verdade, o congresso serviu só para isso mesmo: referendar a candidatura da ministra, tentando empolgar a militância para a campanha eleitoral. O debate de programa e dos temas políticos revelantes a serem defendidos pelo PT desapareceu.

O PT que debatia a posição sobre a dívida externa, a reforma agrária, a luta das mulheres, etc., acabou. Hoje, a diferença entre a "esquerda" do PT e sua "direita" se resume a quantos cargos e parentes cada uma vai empregar: não há mais diferença nenhuma entre as correntes do PT.

Continuar o que está bom para a burguesia

Os discursos das principais lideranças do partido falaram em dar continuidade ao governo "bem sucedido" de Lula, que, segundo eles, teve êxito em todas as políticas econômicas, e que, com Dilma vencendo as próximas eleições, a continuidade será o caminho a seguir. Isto significa que as políticas aplicadas pelo governo do PT, num próximo mandato, serão as mesmas, de governar para os patrões.

Outra questão apontada como primordial foi aprimorar os programas sociais como o Bolsa Família, pois é daí que o governo consegue seu maior número de votos; tudo isso com a desculpa de diminuir a desigualdade social no Brasil.

Nem mesmo o que restava de um programa de luta permanece

As políticas adotadas pelo PT, de se aliar aos grandes empresários, ficou bem clara desde o momento em que colocou José Alencar, um dos maiores empresários do ramo têxtil de Minas Gerais, como vice-presidente. É claro que aqueles que ficaram satisfeitos com seu governo foram os grandes empresários e os banqueiros, que nunca lucraram tanto e agora vivem uma relação de confiança com o PT, ainda mais após a descoberta de petróleo na camada do pré-sal.

Um dos pontos em que demonstra o total descumprimento do PT na defesa dos trabalhadores e até mesmo da soberania nacional, foi exatamente esse, através do novo marco regulatório enviado ao Congresso, que contém uma política privatista em relação às reservas de petróleo.

Uma das bandeiras históricas da esquerda brasileira sempre foi a defesa das reservas de petróleo, exploradas pela Petrobrás, sendo monopólio da União. Os trabalhadores, que lutaram para que essa riqueza pudesse ser transferida em benefícios da população brasileira, hoje assitem ao governo Lula, que já foi trabalhador, entregar ainda mais nossas riquezas.

O PT, entre outras medidas que beneficiam as empresas privadas, suprimiu trechos propostos que diziam: "avançando no monopólio do petróleo para a nação" e ainda "à crescente nacionalização da exploração e da produção". Tudo isso para não gerar desconfiança nos investidores.

O PT cada vez mais ao lado dos patrões

Agora, às vésperas das eleições e sabendo que os trabalhadores já não depositam em nenhum outro candidato as mesmas esperanças que tinham em Lula quando ele se elegeu, o PT tenta utilizar uma nova tática para conseguir o apoio das massas e eleger Dilma. Agora, eles estão tentando passar uma imagem de que estão cada vez mais à esquerda e ao lado dos trabalhadores, e que o 3o mandato poderá fazer o que os 8 anos de Lula não fizeram.

Com leis para punir as empresas corruptas, apoio aos direitos humanos e até mesmo falando em estatizações, o PT, na verdade, quer colocar a pecha de direitista apenas no PSDB e ganhar os votos da população que não apoia seu governo, mas odeia ainda mais a possibilidade de volta dos tucanos.

Mas tantas propostas, que mudam os discursos, não mudam em nada a realidade, que vai continuar a mesma. Lula e o programa do PT defendem a burguesia, e apoiam o imperialismo, o que não vai se alterar. Um exemplo disso é que, do petróleo na camada do pré-sal, somente 30% será explorado por empresas estatais, e o restante está a venda para as multinacionais estrangeiras.

Com esse congresso grandioso, que serviu de palco para a candidatura de Dilma à presidência, e a aprovação de um programa que atenda as necessidades de continuar governando, o PT e seus aliados burgueses tentam mais uma vez enganar a todos os trabalhadores, cumprindo seu papel de garantir a exploração, a corrupção e a alienação, tanto ou mais que agora.

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